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Monday, April 16, 2012

Piece #4

Devagar e sempre retorno ao blog.
Faltam 5 semanas para eu me formar no mestrado.
( E pensar que comecei este blog antes de vir para cá, buscando um meio de me comunicar com minha família e amigos no Brasil...)
Parce que foi há mil anos atrás.
Mas também parece que foi ontem.

Portanto é mais do que justificável minha ausência por aqui.
No último mês apresentei meu trabalho Piece #4 e dancei para outras coreógrafas em diferentes espaços e festivais.
Também houve o Major Dance Concert, onde dancei mais uma vez a coreografia Rookery criada pela coreógrafa Aszure Barton. Foi intenso, cansativo, mas também gratificante.
Terminei o primeiro corte do meu subway project e estou a todo vapor criando meu último trabalho a ser apresentado na NYU (agora em Maio, 2012).

Estou com a corda no pescoço; a correria está gigante.
Comecei um estágio no Brazilian Endowment for the Arts e tenho corrido atrás da minha permanência por aqui.
Há ainda alguns trabalhos finais a serem entregues. Workshops e masterclasses que finalizam o curso.
Estou me inscrevendo em tudo quanto é que é coisa que consigo. E estou trabalhando sozinha, me virando para montar meu website-portifolio em Inglês (www.carolmendes.org)

É isso.

Mais dança na veia do que nunca!

E olha aí minha coreo (com minha edição!):

Piece #4 from Carol Mendes on Vimeo.

Sunday, November 13, 2011

Lá vem uma semana daquelas...

Ai meu Deus

Segunda nem começou e eu tenho a sensação de que eu não parei...

Quer dizer...eu não parei.

Da filmagem de hoje a tarde, aos orçamentos, até escrever projetos, trabalhos batendo na porta e não vai dar tempo!

É oficial essa é uma das semanas do ano q eu não consigo entender como vou sair viva no final...

Tenho que:

Enviar dois orçamentos para minha professora de arts administration.

Escrever uma carta de apresentação para um patrocinador/empregador em potencial.

(E isso é a lição de casa atrasada da semana passada que enviarei por e-mail)

Para essa semana tenho que escrever um exemplo de projeto que será corrigido e avaliado.

Além disso tenho que criar meu website em inglês, pagar pelo domínio do website.

E escrever um "Artist Statement" e um "Mission Statement" que são basicamente um resumo de quem sou eu, meus ideais artísticos, interesses e aptidões.

Mas como não sou boba, estou ralando e usando a lição de casa como impulso para escrever os projetos que estarei enviando para alguns locais assim que terminar meu mestrado.

Estou fazendo um projeto para uma residência artística em uma Universidade em Ohio.

E também estou trabalhando em um projeto dança - vídeo -instalação - performance a ser apresentado aqui em NY.

Tenho trabalhado por minha conta em aprimorar meu currículo e Resume.

E fora a lição de casa dessa aula de Arts Administration que está fazendo eu arrancar os meus cabelos (mas ao mesmo tempo está sendo a aula mais útil/ prática da vida real que já tive em toda minha vida escolar) tenho outras coisas colaborando para o caos da semana.

Na segunda que vem tenho que entregar um rascunho de um trabalho de 14 páginas para minha aula de música no século 20 (porque meus professores de música são sempre sem noção?).

E detalhe: eu sequer comecei.

E fora isso essa semana a Sra. Coreógrafa ultra power, com seu cachorro maluco que anda no meio dos ensaios, está de volta. Aposto que no momento que a Azsure Barton voltar a nos coreografar ela vai presumir que todo mundo lembra de todos os milhões de sequências de movimento. E depois ela vai mudar tudo, dar um nó no nosso (meu) cérebro, fazer a gente se jogar no chão de cabeça. Contar até 5, depois até 12, abre a boca, faz braço de patinho, conta até 27, faz um movimento numa contagem com as mãos, circula a cabeça em outro tempo, conta até dois, e as pernas é pé fazem outra coisa completamente esdrúxula, conta até dois mil, tudo ao mesmo tempo. e a música é psicodélica impossível de contar. Então todos os bailarinos aprendem a contar do jeito irregular estranho que ela pede.

Esse tem sido o processo com a Azsure. Muito educativo, inspirador, intenso, insano, físico e impossível. Mas eu estou dando conta até agora.

E (on top of all that) para coroar minha semana from hell:

Essa semana eu estou teching!!!! Ou seja, estarei no backstage de um dos concertos da Tisch trabalhando toda a semana das 7hs até as 11hs!!!

Se eu terminar essa semana viva eu aviso.

Thursday, June 30, 2011

Video Dança de alunos da Tisch

Estou com saudades de NY.
Saudades dos meus amigos talentosos bailarinos.
Sinto falta das minhas colegas de mestrado, mas também dos jovens animados da graduação.
Faz algum tempo vi que o pessoal da graduação da Tisch postou este vídeo de um trabalho deles. Acredito que um pessoal do segundo ano e alguns dos mais talentosos do primeiro se juntaram com este videomaker e produziram o vídeo abaixo.
Só para vcs olharem o que anda acontecendo em NY. Em um trabalho de um coletivo de bailarinos todos com menos de 20 anos...


Cellular Disposition from Andrew Makadsi on Vimeo.

Tuesday, May 17, 2011

Balanço do ano.

Como começar?

Passei os últimos dias sem escrever porque tive que digerir algumas informações.
E para isso eu precisei gastar tempo fazendo nada. Ou qualquer outra coisa que fosse inútil.

Na semana passada tive minhas últimas aulas do semestre (neste formato que eu vivenciei ao longo do último ano). E desde que eu moro aqui e vivo sob este sistema educacional meu calendário está funcionando americanizado.

O meu primeiro ano de mestrado acabou. Tirei férias por uns dias.

A partir do ano que vem toda a estrutura do meu curso fica completamente diferente, o que significa que eu vou ficar perdida de novo por pelo menos 5 meses.

....

Na semana passada tive aulas segunda-feira e depois não tive nada na terça e quarta (em que eu me proibi de escrever no blog porque eu precisava estudar). Fiz a minha última prova na quinta. Na music final do semestre anterior (a que caiu no dia do meu aniversário) eu passei 5 hs fazendo a prova. Então na quinta passada eu cheguei preparada para o pior. Mas até que foi tranquilo, o professor amoleceu.
Na sexta eu fiz um picnic no Central Park com algumas amigas e fui pegar os vídeos dos meus trabalhos na faculdade.
No sábado e domingo eu passei praticamente todo o tempo assistindo filmes. Aluguei cerca de uns 15 filmes e fui assistindo... (Porque lógico que eu tive que compensar os 4 meses sem tv e sem assistir nenhum filme em um único fim de semana).
E segunda e terça desta semana eu comecei a colocar a vida em ordem. Comecei a fazer mala, tive um ensaio, aula de final cut, coisas que eu me arrumei. Sarna para se coçar.

....

Mas deixa eu voltar de novo no tempo...

Terça-feira passada: Meeting with Faculty.
Eu na frente de todos os professores, durante 10 min. Sabia lá Deus para o quê.

Cheguei quase atrasada. (E olha que desde que eu vim para cá eu sou um primor de horários). Peguei um táxi para conseguir chegar e falei para o taxista: "Preciso estar do outro lado da cidade em 10 min. Corre. Please". Foi a primeira vez que fiz isso por aqui. O taxista quase dirigiu como eu.

Enfim, entrei na sala e lá estavam: Phyllis (composição), Kay (teatro), o chefe de departamento, uma professora de balé, meu advisor Jim, o professor de música, a Deborah Jowitt, e duas professoras de contemporâneo, a Pam e a Renné.

Todos sentados em cadeiras formando um círculo. E uma cadeira vazia a minha espera.

Cheguei tão esbaforida que não tive nem tempo em me preocupar com o formato fadado a possível desastre.

Sentei.

Todos calmamente olhando para mim e eu olhando de volta curiosa, pronta para ouvir todo mundo despejar coisas em mim.

Então o chefe de departamento, com a sua voz calma e conversativa me perguntou: E aí Carol? O que você tem para nos dizer? O que anda acontecendo?

Eu respondi surpresa: Mas sou eu que tenho que falar?

Sim.

Em 1 segundo eu organizei minha cabeça e abri minha torneirinha de asneira e falei por 5 minutos.

E foi aí que eu tive a revelação... ou o balanço do ano.

Então vamos com uma adaptação do meu discurso aqui também:

Bom. Quando eu cheguei aqui eu não tinha a mínima idéia de como eu tinha sido aceita neste programa. Eu tinha dúvidas se eu tinha qualidade, se eu era boa o bastante para estar entre gente que me impressionava tanto.
Eu tive muito medo.

Mas aos poucos fui descobrindo coisas novas em mim mesma.
Eu tive coragem de tentar conseguir alcançar as coisas que eu achava que eram meus próprios limites, e cada vez que eu tentava uma coisa eu me surpreendia ao ver que eu não só era capaz de fazer aquilo que eu tinha medo de tentar, como eu era muito melhor do que eu esperava.

Foi um processo de descoberta comparando o que eu era, o que eu achava que eu podia ser, e o que eu de fato sou: alguém com capacidades ilimitadas de mudança e desenvolvimento.

Comentei como eu me sentia perdida no Brasil. Num limbo onde a minha única possibilidade era dar aulas. Eu amo dar aula. É uma paixão enorme. Só que exatamente por eu ter esta paixão por dar aula que eu me cobro quanto ao meu próprio conhecimento.

Como alguém que tinha acabado de sair da graduação, sem experiência de mundo de dança, pode achar que sabe alguma coisa?

E foi aí que eu tomei esta decisão de vir para cá. Nunca me senti encaixando em nada no campo da Dança brasileira. Sempre fui muito criticada. Sempre me senti comparada e menosprezada.

Aqui não.

E fui isso que falei para os professores.

Quando cheguei estava com medo. Vim preparada para o pior. Mas nunca me compararam com nada, a não ser com os meus velhos padrões.

E o ambiente desta faculdade foi propício para me cercar de pessoas extremamente talentosas, que admiro muito, e me servem de inspiração. E ao mesmo tempo a escola me deu suporte para eu me sentir feliz e pronta a realizar novas coisas.

A Carol que entrou um ano atrás na NYU, que deixou a família para atrás, e veio trazendo medos, não existe mais.

(Isso não significa de forma alguma que sou a senhora-positiva-sem-medos, mas só que agora eu sou feliz e paciente com as minhas dúvidas. Faz algum sentido?)

Então continuei a falar e disse que agora quando me perguntam: E aí Carol? O que você vai fazer? Você vai continuar em NY? O que você quer fazer depois do curso? Etc.

Eu não me desespero, e eu respondo com todas as letras:

Eu não sei!!!

Mas olha que maravilha?

Tantas portas. E basta ir atravessando todas que eu vou achar mais portas ainda. Sem andar para frente a gente não enxerga onde as coisas vão dar. Só dá para ver um pouquinho de cada vez. E ser paciente enquanto seguimos andando.

A primeira coisa que eu gostaria, óbvio, é dançar.

Eu já tinha desistido de mim mesma. Eu sei que eu não sou nenhuma maravilhosa em técnica, tenho muitas dificuldades, então eu vim para cá com a esperança de dançar um pouco durante o curso e depois estar preparada para fazer outras coisas.

Mas não teve jeito. Eu agora acredito que eu posso entrar em algum lugar. Dançar nem que seja um pouquinho em alguma companhia pequena.

E neste meio tempo eu contínuo com meus projetos coreográficos e de video-dança. Que tal?

E se eu vou voltar para o Brasil? Claro que sim. Vou tentar ficar aqui um pouco mais, porque por aqui é mais fácil deu me sentir em casa dançando. No Brasil eu me sinto um alien.

Mas seja a porta que for. Eu vou entrar.

E quando eu terminei de falar, minha amada professora de composição, a Phyllis, deu um sorriso e disse que depois de tudo que eu falei eles nem precisavam falar nada...

Mas é lógico que eles todos falaram.

E foi muito bom, após um ano de trabalho árduo ouvir um feedback de como estes meus professores me enxergaram. E o que eles acham dos meus sonhos.

Eu agradeci emocionada pelo fato de estar ali. Foi a primeira vez que eu tive a oportunidade de dizer em voz alta o quanto eu sou grata por ter sido aceita neste curso e como isto é importante para mim.

Em retorno recebi muitos comentários, a maioria positivos, sobre a minha postura e meu desenvolvimento.

Meu chefe de departamento disse que nunca tinha pensado em mim como alguém que tem medo.

E meus professores de técnica falaram para eu não me colocar limites. Que eu sou nova e para eu achar minhas maneiras de fazer as coisas.

E então a Reneé, que me viu improvisando uma vez só, me disse: Você é excelente improvisando. Use isto. Esta é sua forma de explorar técnica.

Já estou usando. Achei minha ferramenta favorita.

E a Phyllis com as suas pérolas... Ela falou na vozinha aguda mais engraçada que existe, que teve muito trabalho comigo. Que no começo ela teve vontade de pegar uma faquinha, abrir minha cabeça e olhar lá dentro, pegar umas porcarias e jogar fora. (E ela falou tudo isto fazendo gestos explicativos...) Dá para imaginar? Ela é uma velhinha de meio metro com cabelo loiro elétrico que coloca medo em qualquer pessoa. Mas eu absolutamente amo ela. Tive muitos professores bons na minha vida, mas a Phyllis é sem dúvida nenhuma a professora que mudou minha forma de enxergar, e de dançar.

Meus cadernos são cheios de quotes das frases dela:

"Don't let yourself interfere in your art.. Let yourself merge in your art!" - Phyllis Lamhut, May 5th


Enfim.

Saí da minha conversa de 10 minutos tão feliz e tão realizada.
Não tenho a mínima idéia de onde minha vida vai parar, mas estou simplesmente andando e indo em frente.

E divido isso com vocês aqui meio com vergonha, porque é muito pessoal.

Mas ao mesmo tempo, conhecimento é para ser dividido! E mesmo quem não faz dança, ou não tem nenhuma ligação com arte, pode tirar algo desta minha experiência.

É o fato de acreditar em si mesmo. Como meu pai dizia lá atrás para mim: não se mostrar nem mais do que você é, nem menos. Mas sempre buscando crescer e dar o melhor de si a cada dia. E aí, por mais que a vida seja dura, dificuldades acontecem, a vontade continua nos guiando.

E quem somos nós pequeninos para saber onde vamos parar? Temos mais é que seguir sonhando e buscando.

Algum dia a gente chega em algum lugar.

Algum dia eu chego.



Tuesday, May 3, 2011

Dear Mary Wigman

Dear Mary Wigman,

You have been present in my life in the last three months, and sometimes you were an inspiration, and in others you almost lead me to my death.
I was overwhelmed with your ideas and your dance.
I didn't sleep well after seeing your witch dance in an old film roll, and your pastoral was indeed full of joy.
But, from all your solos that I had the opportunity to watch, Summer Dance was my favorite. And reading your book I discovered that that solo was your favorite from that cycle too!
Funny how this things happens, isn't it?
I was amazed to see how you could make such simple movements filled with tension and meanings.
And then I saw Totenmal, or at least, a small excerpt from it. Are those images real? So sad, creepy... and full of grieve. Why were you so obsessed with facing the death?
But I'm not one who can imagine what it was like to live in Germany before, during and after war. Nazism. Sad memories.
Well... not that things are great now.
People still kill each other for no reason. Politicians do whatever they want and we all have to survive within others people decisions.
And we artists sill struggle to survive.
But our passion for dance remains. There's nothing better in the word than to express emotions and ideas through movement, right?

Anyway, I want to thank you for all the information you gave me this past months, but I truly hope that you'll never drive me crazy again, ok?

I'm glad to say that I finally finished my paper and I can sleep again.
Hopefully I would not dream with totenmal...

Dear Mary.... You fought with the idea of dying so much, and I'm glad to tell you that you're very alive in our memories trough your art.

Sincerely,

Carol.



Tuesday, April 26, 2011

Roxos.

Tá. Não deu.
Eu não acabei o trabalho da miss MW mas não aguentei e vou ter que fazer um relato por aqui.
To cansada, destruída, com roxos, pé, cotovelo e ombro sangrando.
Mas to feliz.

Na coreografia da Cecilia e da Suzanne, estou dançando provavelmente o trabalho com o elenco mais forte que eu já dancei na minha vida.
Elas conseguiram alguns bailarinos que não são deste mundo, e apesar de ser muita pressão dançar com os melhores bailarinos da Tisch (literalmente, eles já tem companhias brigando por eles!) eu agora estou mais tranquila e fazendo o meu papel.

O único problema é que a coreografia é bem violenta. Por isso que eu sempre acabo sangrando
em algum lugar novo.

Resumo da ópera: somos todos seres de um mundo pós apocalíptico, fadados a maldade. Um dominando e subjugando o outro. Mas eu sou mais boazinha. (Mais ou menos... nem tanto). Aí eu tenho um cinto de escalada que é ligado ao cinto de um outro menino. A gente dança junto, todo mundo entra no meio da história e bate bastante em mim. Eu me jogo de costas de cabeça no chão e rezo para a menina lembrar de segurar minha cabeça antes dela bater no chão.

Então meu partner me arrasta pelo chão puxando pela corda. Eu fico possessa. "Bato"em todo mundo. Vou para um item do cenário, escalo e fujo.

Fim da coreografia.

Mas os melhores são as caras e bocas.

O figurino é doidão e a maquiagem bem assustadora. Mas eu me divirto até. Sou super impulsiva, e sou péssima de fazer algo muito pré-estabelecido, e como a coreografia foi feita envolta do que eu conseguia fazer com o cinto de escalada, tudo tem um caráter de improviso e bem natural.

Se a minha mãe tivesse na platéia ela ia enfartar. (É que dá a ligeira impressão que eu vou morrer durante a coreografia).
Meu pai... não sei bem se ele ia gostar de algumas partes... Ele provavelmente ia ter a certeza que a filha dele veio para NY e pirou de vez.
Meu noivo ia amar.


Saturday, April 23, 2011

Witch Dance

Ai Mary Wigman, você e sua obsessão pelo creepiness.
Além de ter feito o maior número de coreografias relacionadas a morte, você está agora levando ao meu fim.
Tenho que escrever sobre suas coreografias, de um ponto de vista neutro e comparar com os seus escritos sobre cada uma destas coreografias.
E depois tem que sair a minha conclusão dizendo sobre a sua estética, o caráter temático da sua dança e etc.
Dramática, expressiva e com uma dose de insanidade.
Um tanto quando self-centered se eu posso ser ousada e te dizer a verdade.


Só volto a escrever aqui quando este trabalho sair.

Mary Wigman: you are going down today. Oh yeah.

Thursday, March 31, 2011

Audição

To de volta à correria.
Trabalhos.
Coreografias pipocam pelo meu cérebro.
A Mary Wigman me persegue. Ou não.
Meu tornozelo não dói mais.
Hoje tive aula com um bailarino da Compania Nazionale de Danza (da Espanha) e quase morri.
E rezem para mim.
Amanhã tenho audição.
Voltei para a vida dureza.

A Companhia que eu vou fazer parte ano que vem apresenta trabalhos originais de quatro coreógrafos.
E todo mundo presta audição, e estes coreógrafos escolhem quem eles querem, ou não.

Amanhã é a audição do Sean Curran, que foi aluno da Tisch há uns milhares de anos atrás e agora ele tem uma companhia de dança bem estabelecida.

Enfim.
Não estou muito nervosa nem nada.
Este curso tem me preparado bem.
Só quero ficar tranquila e fazer meu trabalho direitinho.




Quanto ao Sean Curran: eu fiz uma aula de composição com ele e achei ele um cara fofo e engraçado para caramba. E ele trabalha com as criações dos próprios bailarinos.
Mas o estilo de dança do vídeo abaixo não me atrai em particular. E parece que ele quer parte das meninas na ponta, o que também não me anima muito.

Mas que eu seja escolhida para o que for o melhor para mim, né?

(Vou colocar mais informações sobre os outros coreógrafos aos pouquinhos... e vocês vão ver quem é, o que ja fez, e o tipo de trabalho do coreógrafo que eu mais quero... não custa sonhar!)

Tuesday, March 29, 2011

Drops do passarinho verde

To falando que eu não estou louca.
Acordei hoje cedo e quando andei pela rua no quarteirão acima da minha casa, indo para a NYU, a rua estava toda interditada e cheia de trailler e maquinarias de filmagem.
E na porta de cada trailler tinha o primeiro nome de um ator.
O povo ainda não tinha chegado, mas a técnica estava lá.
Então será que eu imaginei mesmo o Spielberg?
Pois tem uma big filmagem rolando aqui do lado, seja de quem for.
Pena que eu passo o dia inteiro fora e não vai dar para espiar...

....

Eu sei que ninguém tem nada com isso.
Mas sabe aqueles dias que parece que você viu um passarinho verde?
Hoje eu estive assim, exageradamente falante e feliz.
Amém.
Passei o dia roubando comida alheia. Pidona.
E comprei um queijo chamado muenster cheese.
Sugestivo.
Mergulhei no queijo.
To meio em falta de proteínas....

...

E por falar em proteínas, as freiras não são legais.
Elas deveriam ser vegetarianas.
Ou pelo menos respeitar meu parcial vegetarianismo.
Mas não.
Elas agora deram uma de colocar frango para mim.
E a minha louca vontade por proteínas não ajuda.
Três frangos morreram por minha culpa.

....

E eu continuo podre de cansaço. Mas as minhas aulas são tão absurdamente excelentes que às vezes eu me dou conta de quão surreal é essa minha vida por aqui.

As vezes a aula de balé está rolando, todo mundo de frente para o espelho fazendo pequenos saltos, o pianista improvisando música pop em versão balé, e eu penso: não acredito que estou aqui tendo aula com essa solista do ABT.
Consegui.
Dá para morrer feliz já.
Mas nada de morrer agora porque eu tenho muito o que fazer antes de partir dessa para um lugar melhor.
(Ih gente, não vai freak out porque eu fiz esse comentário).

...

E hoje recebi as minhas avaliações que os professores fazem a cada metade de semestre.
A minha professora de Composição e Improvisação me escreveu coisas que eu não acreditei.
Ela é um terror, só acaba com todo mundo.
Mas eu amo ela.
E ela começou minha avaliação dizendo o que achou do meu progresso.
Excelente.
Quase cai dura.
E fez uma avaliação da coreografia que eu montei para o MFA concert e escreveu um pouco sobre o desenrolar do "meu estilo".
Acho que vou até colocar uma moldura no papel...

....

Ahhh
E mais importante de tudo:
Me acabei de chorar com a homenagem que meus queridos amigos aprontaram, principalmente a Alana, com uma grande ajuda da Shandinha.
Elas imprimiram uma foto minha e levaram para tudo quanto é que é canto e tiravam fotos comigo.
Parece que eu virei até motivo de piada.
Na formatura da Alana... "A Carol tá caindo, (porque minha foto caia) ela bebeu demais."
Vou te contar.

....

Nada como pessoas maravilhosas na nossa vida não?
Me fazem chorar de alegria.
Sorrir.
E rir mesmo à distância.

To com saudades.
Mas aquela saudade boa.
E hoje estou me sentindo pertinho de todo o mundo.






Friday, March 18, 2011

CC&D

Coreographers, Composer and Designer é uma disciplina eletiva do meu curso. E sem dúvida nenhuma, foi o programa desta aula uma das coisas que mais me motivou a querer fazer NYU.
No primeiro semestre, foi muito duro, porque como a professora é ligada ao teatro, ela pediu muitos exercícios ligados à palavra. Dançar e falar. Eu quase morria em cada um destes, mas dei conta e não desisti da disciplina.
E minha determinação foi compensada.
Quem sobrevive ao primeiro semestre tem a oportunidade de ser dividido em pequenos grupos (duplas ou trios) de coreógrafos, e então estes coreógrafos começam a decidir o que querem fazer.
E o grande diferencial é que nós então nos associamos com designers (set, ilumicação e figurino) e músicos também alunos da TIsch. E há um budget para custear set e figurinos.




Eu, Lauren e Shuhan começamos então a conversar sobre referências, inpiração, o que gostaríamos de fazer juntas. Depois de muito conversar chegamos na idéia de trabalhar o acaso, com um enfoque saindo do humano (o real) e indo para o fantástico (o exagero do real). Pensando em encontros e desencontros, possibilidades que se perdem, etc.
Achamos um texto de uma peça de teatro chamada "Sure thing" onde um casal sentado no bar começa a conversar. Mas sempre que a conversa vai para um rumo estranho e o casal vai perder a possibilidade de ficar junto toca um sino, e a conversa muda de rumo ligeiramente, de forma que o assunto ande mais um pouquinho. Até que no fim tudo se resolve e o casal sai do bar feliz e apaixonado.
Nós não vamos fazer esta peça, nem usar o texto, nem nada. Mas foi a primeira referência dada aos designers como inspiração para este projeto.
Mas além disso, assim como na obra das escadas do M.C. Escher, gostaríamos de também criar ema sensação de realidade distorcida, indo para o surreal.
Como inspiração de filmes e de musica, tivemos Amelie Poulin e Micmacs. Ou seja, gostaríamos de trazer um pouco deste universo Paris burlesco ao nosso trabalho.
Um outro filme que veio a tona com toda esta discussão sobre acaso foi corra Lola corra, pois o que acontece se eu tomar a decisão de ir para a direita, ao invés de ir para a esquerda? Vou ser atropelada por um táxi? Vou cair num buraco? Vou encontrar o amor da minha vida? (Bom, eu pessoalmente já encontrei. Então esta não é uma questão válida para mim.)
Enfim. Com todo este discurso pronto nós começamos a desvendar o que iríamos fazer em termos de figurino, cenário, iluminação e música.






Nosso figurinista é o máximo, o Mark.
Foi ele que trouxe a referência destas pinturas do Juarez Machado (sim, um artista brasileiro!) que agregaram muitas coisas para nossa inspiração de movimentos.
Como vocês podem ver acima, as obras são retratos de pessoas, e elas exalam dança de cada centímetro.

....

Abaixo algumas fotos da nossa seleção final para figurino, iluminação e cenário.








Percebam que estes samples de iluminação foram feitos em cima de uma réplica do nosso teatro, junto às peças em miniatura do cenário. Está réplica tem em torno de 30 a 40 cm.
E também tem a miniatura dos nossos seis bailarinos (maravilhosos), e cada um deles com seu figurino.


Sou só eu que acho isso o máximo?
E eis que a nossa designer de set passou as férias de primavera construindo as peças em tamanho real e nos mandou fotos por e-mail:


Mal posso esperar para começar a coreografar com o cenário. Quer dizer, não sei como vai ser a logística, porque eles não cabem nas salas de aula, mas alguma coisa vamos ter para ensaiar.
E a Maite (a designer) conseguiu atender meus apelos de que os objetos fossem escaláveis...
Ah... E neste espaço vazio aí do meio onde tem um moço se pendurando vai ter uma porta giratória espelhada...

....

Além de tudo isto, nós temos os professores-diretores de cada área que passam nos orientando e questionando durante cada reunião de produção.
E o pessoal do design e da música precisa vir com certa frequência aos nossos ensaios para entenderem e irem adaptando seu trabalho conforme a coreografia se desenvolve.

Também tivemos que fazer uma apresentação do nosso projeto para os outros grupos e para alguns convidados. Isso imitou a experiência que um coreógrafo e equipe passa ao vender seu trabalho para um teatro ou patrocinadores, antes mesmo dele ter a mínima idéia prática do que será feito.


Vai dizer?
Eu amo meu trabalho.

Wednesday, March 2, 2011

To, Two, Too.

To, Two, Too. - Choreography and Performance Carol Mendes and Cecilia Zhao

A Cecilia me convidou para fazer este trabalho tendo em mente a nossa situação de estrangeiras, as nossas dificuldades com a língua e as frustrações que mergulhar numa nova cultura causa.
Tínhamos em mente que gostaríamos de usar fala, eu em Português e ela em Mandarim. E de alguma forma queríamos trazer elementos diferentes para o palco para fugir da mesmice.
Pensamos em folhas secas, projeções ao fundo e sei lá porque um belo dia improvisamos com cadeiras.
Do pisar nas folhas secas que não conseguimos, surgiu a idéia de pisar em jornal. E disso nosso trabalho foi criando formas.
Improvisação, filme, e conversa. Aos poucos conseguíamos dar uns passinhos. Em alguns momentos quis arrancar todos os meus cabelos.
Mas fomos indo. E algumas coisas foram sendo estabelecidas sem querer...

No final ficou assim:


Das cadeiras olhamos ao longe para o desconhecido.
Cada uma em um lugar, mas sensações comuns.


Não é que o jornal virou uma ilha?


Então citamos algumas das dores e angústias do período de espera.
As minhas (falas):
#1 Na incerteza, o corpo míngua em desespero.
#2 Há esperança, ou há só frustração?
#3 Despedida. Fazer a mala. Dizer Tchau.
#4 Pegar o avião. Sozinha.
#5 Não entender uma palavra.

Nunca entendi quais foram as da Cecilia. Só sei que soava como tristeza.



Mas enfim pisamos em terreno estranho.



Mas bem no final encontramos uma a outra e ombro a ombro escutamos a música repetir mais uma vez:
You will be safe.
You will be loved.
You will remember.


E no minuto seguinte a esta foto nós damos as mãos e andamos um passo à frente.

Sunday, February 27, 2011

Feedback





No semestre passado fiquei na maior tristeza na época das minhas apresentações porque era absolutamente a primeira vez que eu ia dançar algo e ninguém da minha família iria ver. Só um dos dias tive uma amiga brasileira na platéia.

Mas desta vez a Nati me fez o favor de ir no meu ensaio geral, filmar todas as minhas coreografias. Depois foi feliz da vida me assistir na sexta-feira levando umas amigas dela do Broadway Center. E foi de novo no sábado.

A sexta foi o dia mais importante para mim, apesar de ter sido um tanto quanto amaldiçoada. Foi neste dia que todos os trabalhos que eu estava envolvida estavam no programa. Abri o concerto com o meu duo com a Cecilia. A coreografia da Anna em que eu estava dançando fechou o primeiro ato. A minha coreografia abriu o segundo ato e dancei no trabalho da Kristen na penúltima coreografia da noite.

Ou seja, o dia era extremamente importante para mim. Graças a Deus a Nati estava lá para me dar um oi, porque foi a noite dos baldes de água fria na cabeça. Foi a noite (e o dia) das críticas destrutivas que tentam te derrubar. Mas fiz meu trabalho direitinho e dei 100% em tudo que estava envolvida. Sai realizada e com a sensação de dever e paixão cumpridas.

Foi especialmente triste dançar pela última vez meu duo com a Cecilia, que sem dúvida nenhuma foi o trabalho mais pessoal e de que mais senti orgulho na minha vida. Fiquei desolada quando acabou.

A estréia da coreografia que fiz para sete bailarinas ocorreu na sexta direitinho. Apesar do fato que eu escolhi a música tão bem que todo mundo que veio elogiar meu trabalho primeiro perguntava sobre a música. Mas no sábado minhas bailarinas finalmente entenderam o aspecto emocional que eu queria e tudo foi para um nível além. Fiquei muito orgulhosa e agradecida.
Eis a foto tirada 5 minutos antes delas entrarem fazendo poesia no palco:


Thursday, February 24, 2011

Como foi. MFA 1 Concert

Entre trancos e barrancos o corpo para em pé, a mente cansada luta e o emocional se endireita.
A adrenalina sobe.
Piso no palco e num instante tudo se acaba.
Tanto trabalho e em duas horas é passado.
Sai a dor.
E fica a satisfação do dever cumprido.
Do amor realizado.
Da dedicação.

...

Deu tudo certo.
Tremi ao dançar meu duo com a Cecilia.
Mas como tudo tem tanto significado eu não pude deixar de me emocionar quando no último trecho do nosso trabalho a gente dá as mãos e olha para a frente.
Rumo à algum lugar.

E a coreografia dificílima da Anna.
Sobrevivi.
E fiz meu trabalho direitinho.
Amém.

Que amanhã e depois seja ainda melhor.

E que venha a estréia da minha coreografia amanhã.
E que eu dance bem creepy no trabalho da Kristin.

Friday, February 18, 2011

Improviso



Neste ritmo insano da semana anterior ao MFA Concert alguns pepinos andaram acontecendo de última hora. Fiz uma seleção de figurinos para a minha coreografia, mas quando todas as meninas experimentaram ficou péssimo. Entrei em pânico porque estava contando que eu conseguiria fazer uma combinação de achados do costume shop (estoque de figurinos para empréstimo) da dança.
E ao mesmo tempo, figurinos que eu já tinha alugado (dois vestidos para meu duo com a Cecilia) foi pedido de volta porque houve um engano. Uma professora os queria de volta e simplesmente decidiu não retornar os vestidos e deixar a gente usar.
E para completar, todas as minhas amigas americanas com coreografias no mesmo concert estão investindo do próprio bolso e comprando figurinos para seu elenco, coisa impossível para mim. Não tenho condição nenhuma.
Estava me sentindo um lixo, de mãos atadas.
Mas enfim.
Quem não tem cão caça com gato.
Tá na chuva é para se molhar.
Muitas lágrimas depois e vários sonhos com diferentes figurinos optei por simplificar e pedir por opções de roupas pretas. E não é que ficou ótimo?
Entre mortos e feridos salvaram-se todos.
Coco Chanel, Bob Fosse e Fernada Chama já sabiam e foi a solução:
Nada como um pretinho básico para salvar minha vida.
O figurino do meu duo ainda está incerto, apesar da batelada de ensaios técnicos no teatro começar amanhã...

...

Tudo está na arte de improvisar.
Em como transformar o tombo inesperado numa queda e recuperação com torção.
Saio e giro.
Dou um pulo.
E sigo em frente.


Sunday, December 5, 2010

Dia a dia. Desafios e conquistas.

Acho que as vezes só conto o desespero, os medos, os desafios.
E esqueço de escrever sobre as conquistas:

Eu saio do metrô e sei onde está o céu, e onde devo ir pra atingir meu destino.
Eu consigo achar um almoço saudável por U$3,50.
Eu nunca me senti mais em casa.
A língua não me assusta, as conversas são fáceis.
A escrita me descabela, mas não morro mais de falta do Português.
E quando eu sinto falta eu canto.

E por falar em canto, essa universidade continua quebrando minhas barreiras.
Ou melhor, eu cada vez mais me dasafio.
Estou criando: danço e canto de cabeça para baixo. Só o começo de mais um processo criativo.
Sempre feliz neste lugar.
Os bailarinos talentosos me motivam a crescer.
Não me intimidam porque eu sei que cada um no mundo tem algo a oferecer que é único.
E eu não poderia ser diferente.
Satisfeita de finalmente entender isso.

Preparando mais trabalhos para o próximo semestre.
Como esse meu curso é só dois anos, preciso dar conta de fazer tudo que eu puder imaginar:

Um duo com a Cecilia. Eu canto. Ela fala em Mandarim e eu respondo em Português. A gente dança.
Fui convidada para dançar em mais dois trabalhos de amigas do MFA.
E vou coreografar um trabalho para oito mulheres. Só MFAs desta vez, todas absolutamente diferentes. Praticamente 8 solos que se cruzam na minha mente.
E todos estes trabalhos serão apresentados no MFA1 Concert, em Fevereiro.
Depois da volta às aulas eu tenho 1 mês para dar conta de coreografar 2 trabalhos e estar dançando em 3.
Corpinho querido: aguenta.

Mas tudo isso sem parar a vida normal, com aula das 8am-8pm.
Aula extra de lighting design aos sábados.
Criação de um solo para a disciplina de composition.
E ensaios para CC&D...

A aula de CC&D foi um dos motivos para eu vir fazer esse mestrado aqui.
Nesta aula, durante o primeiro semestre, foram abordados diversos aspectos da composição e criação em Dança.
Basicamente aprender a julgar menos e a jogar.
A colocar texto e movimento em sintonia, numa forma que eu nunca havia pensado ser capaz de fazer.
Tarefas malucas e aparentemente impossíveis, que sempre resultam em algo.
5 minutos, escolho 7 bailarinos, monto uma coreografia, e apresento para o resto da classe.
Foi mais ou menos por aí esse meu curso.
Mas o próximo semestre que é o grande astro.

Fomos divididos em grupos, de acordo com nossos interesses.
Cada parceria vai criar um trabalho em colaboração com uma equipe de cenário, uma de iluminação, outra de figurino, e é claro, com uma equipe de músicos.
E todos em função da dança.
Basicamente podemos fazer o que quisermos. (Desde que não coloquemos fogo no teatro.)
Pois temos orçamento da disciplina para inventarmos o espetáculo mais mirabolante que for.
Estou muito animada, porque tem bailarinos voando na minha mente.
Criei coragem e convidei bailarinos maravilhosos, inclusive a melhor bailarina que já vi ao vivo.
Ida Saki. Ela está no 1o ano, mas tem companhias guerreando por ela. É a garota do "So you think you can Dance?" que desistiu do reality show para vir fazer a graduação na NYU.
Ainda estamos esperando a resposta, mas acho que vai ser sim.
De qualquer forma já temos um elenco que por si só já é incrível.

E fui convidada para dançar no trabalho de CC&D da equipe de minhas colegas de MFA formada pela Cecilia (que achei que a esse ponto já estaria de saco cheio de trabalhar comigo e iria querer alguém novo) e da Suzanne Beahrs, que na minha opinião é a coreógrafa mais talentosa do meu curso. Ou seja: big pressure.

C´est la vie.

E assim vou.
E espero que o trabalho não pare nunca.

Wednesday, November 17, 2010

Rápido e rasteiro...


(Ashleigh e Hiroki no meu último trabalho).


Rápido e rasteiro só para manter esse negócio aqui atualizado.
Tantas coisas acontecendo que não há tempo de relatar tudo direito.
Lembram quando eu choraminguei aqui que eu ia apresentar um solo na frente de todos os alunos e dos professores, na 1a student meeting do semestre?
Como os nossos padrões se dissipam rapidamente quando a gente se dispõe a mudar e melhorar!
Sempre tive pavor de atuar, mas agora tenho paixão por trabalhar no meu monólogo que vivo apresentando em classe. (Em breve escreverei um post só sobre ele)
E hoje novamente, mais uma student meeting, não só apresentei mais um solo, como o meu solo tem fala enquanto danço.
Como diria a Cássia Navas: quebrando paradigmas.

Estas últimas três semanas foram tão malucas, uma apresentação atrás da outra.
No showing 2 teve a estréia do meu trabalho, que deu super certo.
Antes ninguém sabia quem eu era, mas a partir do meu trabalho as pessoas passaram a me parar no elevador para conversar sobre minha coreografia. E desde então várias amigas de mestrado vieram me pedir para estar no meu próximo trabalho! Uma honra, e o maior elogio que eu poderia receber.
No showing 3 dancei pela primeira vez naquele palco maravilhoso. Dançei um tango de uma amiga. Ensaiei feito uma louca durante a semana passada, mal tendo tempo para respirar. E arrumei um problema no joelho como resultante...
E nesta semana tem a apresentação dos trabalhos dos professores. Estou na coreografia da Deborah Jowitt. A grande estréia é amanhã...

....

Mas o pior de tudo são sempre os trabalhos do meu querido professor ditador de música. Uma análise musical para amanhã, sem nenhuma revisão do meu inglês. To frita.
Não tive tempo de fazer antes (tive duas semanas para fazer... mas foi simplesmente impossível antes com tantos ensaios) então após o ensaio geral de hoje sai correndo para chegar em casa cedo e poder terminar este treco.

Eram 8:20. Entrei no metrô e pela primeira vez dei de cara com um rato. Sim. vocês já sabem que eu já vi ratos antes, mas este era enorme e estava no meu caminho, descendo a escada para a plataforma ( e o rato subindo em minha direção). Tive um piti de nojo e o rato saiu da minha frente. Mas ele tava ali do meu lado na plataforma.

Devia ter percebido que havia um mal sinal... Peguei o metrô e antes da primeira estação tive um insight divino de mexer na minha mochila. Tinha esquecido o cabo do meu lap no armário, o que significava que eu não ia conseguir escrever meu trabalho de música.

Sem pensar duas vezes, saí do metrô e esperei um outro trem voltar. Voltei para a universidade peguei o cabo e fui novamente para o metrô.
Moral da história, cheguei só as 9:45 em casa.

E quando o mundo está perdido mesmo é melhor sentar na graxa com gosto.
Então eu passei no starbucks e injetei cafeína na veia para me preparar para virar minha madrugada analizando Bach.

E já que ainda tenho 6 horas antes do horário de ir para a facul, achei que dava para chutar o balde e escrever aqui.

Amanhã conto se sobrevivi.

Wednesday, October 13, 2010

Xi

Eu aqui na NYU, deveria fazer minha composição de ritmos para a aula de música, enquanto espero o horário da sala para o ensaio da minha coreografia.
Mas precisei tomar um ar, sair do prédio overly danced.
Capuccino e orgia gastronômica... Comprei um cupcake. Chocolate with chocolate hazelnut.

Estou aqui no vestiário com minha amiga chinesa querida - Cecilia.
Ela acabou de me mostrar que os times de basquete da china e do brasil fizeram um barraco num jogo hoje.
Funny.
(não o barraco, mas a situação)
E no lap dela está tocando música da mongólia, que é simplesmente linda.
(E ela dançando dança da mongólia é mais lindo ainda - ela fez uma demonstração de danças típicas chinesas junto com outra amiga chinesa do MFA)

Só para ilustrar a troca de cultura aqui.
Antes eu tinha essa ilusão sobre a China.
A censura lá é real.
Mas a pessoa - o indíviduo - se sobrepõe a qualquer barreira cultural.
Pessoas se conectam pelo que tem dentro e não pelo que uma cultura ou outra tem como pressuposto (é essa a palavra certa?).
Essa minha amiga é simplesmente tão cheia de emoção. Linda bailarina, e uma pessoa tão querida. E sofrida.
E é impressionante como os anseios, as frustrações não tem línguas. Apesar dela ser esse brilhante talento ela conta que na China ela não é nada, ela acha que não é o suficiente.

(Mas aqui todo mundo sabe que ela é maravilhosa!)
E está dançando na minha coreografia. =)

Tuesday, October 5, 2010

Terrified to death...

Entrei no vagão do metrô ainda surpresa...
Impressões, sentimentos e ansiedades passando pela minha cabeça.
No meu trem havia um grupo de Mariachis, com dois violões e um contrabaixo, tocando la bamba e me deixando com vontade de dançar mais ainda.
(Como se eu não tivesse dançado o dia inteiro!)
Os músicos se equilibravam e tocavam enquanto o vagão balançava de um lado ao outro. Acelerava e freiava.
Meu coração a mil.
E meus pensamentos em um turbilhão refletindo sobre tudo.
Como assim?
Desde que cheguei tenho dado tudo de mim. A cada instante.
As aulas de técnica são difíceis.
Muita gente muito boa.
É fácil se sentir medíocre.
Mas finalmente aprendi que tenho que viver feliz e trabalhar o que eu tenho.
Não tem uma aula que eu não goste. Sugo toda a informação que chega.
Mas são as aulas criativas que são a minha paixão.
Criar, inventar, colocar o meu corpo abaixo.
Trabalhar com outros corpos. Espaço, tempo, dinâmica.
Improvisação nas acting classes. Descobri que sei chorar. Consigo criar uma realidade imaginada.
Acesso minhas emoções e as uso para uma finalidade artística.
Falo meu inglês uga buga e pronto.
Aula de composição da Phyllis:
Mais uma vez ela elogiou meu estudo.
"Outstanding" dessa vez.
Como assim?
Quase cai dura.
Do you know where you´re reading to? Do you have any idea of what you did?
Não sei.
Eu abandonei os espelhos da minha vida.
Só tenho me dedicado e estudado meu corpo, meus movimentos.
Cada dia descubro que eu sou capaz de fazer algo que eu não acreditava antes.
Ela gostou muito.
Escolheu então quatro trabalhos para serem apresentados no student meeting amanhã.
Na frente de toda a faculty.
Ou seja: dançar na frente de todos os alunos e professores da escola.
Meu estudo sobre impulso.
Impulso de quê?
Algo que vem de dentro.
Energia que se armazena e então explode.
Unexpected.
Como um grito.
Estou terrified to death.
Tenho pavor de solos.
Horror a escancarar minha vida (dança) na frente de outros profissionais.
Rezem por mim.
Quem tá na chuva é para se molhar.
Caiu na rede é peixe.

Thursday, September 23, 2010

Sorte?
Dedicação...
Fé!
Gratidão.

...
Muitas coisas.
Gostaria de poder escrever tão rápido quanto as idéias que passam pela minha cabeça.
Feliz feliz feliz.
Semana difícil, mas terminando.
Todos os deveres co(u)mpridos.

...
Aula de composição improvisação:
Professora lenda e temida - Phyllis Lamhut.
Primeiro trabalho solo de composição que apresentamos para ela.
Passei o fim de semana anterior (o sábado inteiro na NYU) numa sala de aula vazia brigando com a minha inspiração que não vinha.
Medo de apresentar.
Medo de solo.
Briguei com a minha preguiça e fiquei trabalhando até algo sair.
Não me sentia confiante, mas fiz o melhor que pude.
Apresentei.
Terminei e todos estavam mudos, a professora também.
Após uns segundos ela dirigiu a palavra a mim, deu um sorriso e não teve uma palavra negativa a acrescentar.
- Exccelent! A idéia da proposta estava clara, mas com algo a mais...
(Como assim?)
Estupefata recebi outros comentários de colegas da turma.
Meu trabalho lembrou Tim Burton para uma, foi creepy. Mas para outra foi delicado.
What the heck?
Devo continuar com essa maluquice daqui para a frente.

...
Também estou coreografando cinco bailarinos.
Começei o trabalho essa semana.
Me senti travada.
Apavorada.
As expectativas são altas em cima de mim agora que recebi elogios da Phyllis.
Os cinco bailarinos são tecnicamente o sonho de qualquer coreógrafo.
Como estar à altura de tanta gente boa?
Como eu transformo uma idéia subjetiva, imagens e movimentos na minha mente em um trabalho artístico?
1% inspiração e 99% expiração.

...
Me divirto com itens da lingua.
Quando os bailarinos vão falar que estão dançando para mim eles dizem que estão na Carol´s piece...
É interessante pensar em coreografia como um pedaço da Carol.
Faz sentido.

....
E mais sorte. Ou não é sorte.
Ontem ganhei da Deborah Jowitt (coreógrafa e crítica de dança) ticket para assistir a premiere de um espetáculo no dia de hoje junto com ela.
Ela ofereceu para sortear entre a turma, mas todos estavam ocupados. Disse que eu adoraria ir, mas como eu já tinha ido uma vez não sabia se eu poderia ir de novo. Mas ela aceitou.
Após um longo dia de aula fui pegar o ônibus indicado para ir ao teatro.
No ônibus encontrei com a professora de composição/improv.
Sim, aquela dos hips e do excellent. Que também faz os alunos chorarem.
Ela também estava indo assistir este espetáculo da coreógrafa israelita ex-aluna da TSOA.

Estas duas professoras lendas vivas de NY me acompanharam, me contaram histórias, quiseram saber da minha opinião, ouviram minhas dúvidas, meus comentários sobre NY, sobre aulas, foram atenciosas.
E no final a Phyllis chamou um taxi e não me deixou ir de ônibus, me dando carona e conversando comigo sobre o que achamos do espetáculo que tínhamos acabdo de assistir.
Surreal, incrível.
Mas ao mesmo tempo natural.

Saturday, September 11, 2010

Carrascos de nós mesmos.

A vida de um bailarino é sempre muito dura. Sempre soube disso, mas isso nunca me impediu de ser apaixonada pela arte da dança.
Dançar implica em treinamento árduo e em estar em constante conflito com sua imagem. Para alguns dança é imagem, para outros é técnica. Também é emoção, mas é a razão. É a expressão do corpo, é a comunicação que exprime nossas verdades.
Para mim, é um pouco disso tudo. A Dança pode ser - e costuma ser - um carrasco. Temos que estar continuamente entrando em padrões (as aulas técnicas) e saindo dos padrões (criando). Ou seja, é um eterno paradoxo!


Apesar de eu ser apaixonada pelo meu campo de trabalho eu tenho duras críticas sobre como tudo funciona: competição e audições levam à um narcisismo corporal perigoso. Eu sabia de antemão que ao vir para cá eu estava me colocando numa prova de fogo em frente a tudo que quero combater, que também são exatamente as coisas que me dão mais medo. Porque competir e fazer audição significa se expôr e esperar as críticas. E quem gosta de ouvir críticas?

Principalmente porque quando o alvo da crítica é o produto do seu próprio corpo e da sua expressão, a crítica negativa atinge inevitavelmente o pessoal. Mas eu sei o quantos as críticas são necessárias ao nosso crescimento pessoal e profissional. E é por isso que estou aqui. É por isso que tanto lutei por esta oportunidade de estar entre tantos profissionais de qualidade.

Quem me conhece de longa data sabe do meu problema de auto estima. Nunca me sinto boa o suficiente. Nunca fui uma grande performer. Tenho dificuldades técnicas enormes. Não sou boa em giros e as vezes perco meu equilíbrio por não estar suficientemente com o apoio dos pés no chão... Não estou falando que eu sou ruim, mas sim que eu conheço muito bem minhas limitações como bailarina. Mas isso não me impede de ser criativa, de buscar meu aprimoramento e de sempre lutar por mais.

Ao chegar aqui com tantas expectativas das pessoas que me conhecem deu ser um sucesso e ao ler os comentários carinhosos das pessoas queridas que torcem tanto por mim desabei de chorar... E vou contar o porquê:

Em duas semanas de aula na Tisch já tive que me por a prova, competir e fazer tudo aquilo que sempre morri de medo. Tem sido muito produtivo, porque percebo que as vezes não é nosso corpo que tem limites, mas sim a nossa mente que impões frustrações e limitações. Estou tendo aula de teatro (sim, decoro lines in English) que é algo que sempre fugi de fazer. E tive que participar de duas audições, dentro do curso, com todos os alunos do 1o e 2o ano de graduação, somados às minhas colegas de 1o ano de mestrado!

Na sexta-feira passada tive audição classificatória dos níveis técnicos. Eu estava muito nervosa, mas fiz o melhor que pude. (Antes disso só fiz duas audições na minha vida: uma para entrar na Unicamp e outra para a SP Cia de Dança). No mesmo dia sairam os resultados... Preciso falar que fui mal colocada, tanto no balé quanto no contemporâneo? É óbvio que me senti um lixo. Minha razão me dizia constantemente que isso não era um grande problema, porque eles precisavam dividir a gente em três turmas de níveis técnicos de qualquer forma. Mas a minha emoção era a do orgulho ferido. Sai do Brasil para me dizerem que eu sou péssima ( e ninguém disse isso, mas foi o meu pensamento)? Em nenhum momento pensei em desistir, mas a tristeza de ser considerada fraca foi muito grande.

Enfim, essa semana fiz as aulas junto com as pessoas também consideradas nível 3. E quer saber? Tem gente muito boa. E tem gente com dificuldades. A aula de balé tem sido frustrante, porque sei que sou capaz de lidar com mais. Mas se assim fui classificada, procuro ter paciência e disciplina para modificar o que as pessoas pensam do meu "produto corporal". E como meu pai e tantas outras pessoas não cansam de me lembrar: cada pessoa foi aceita aqui por ter algo diferente que chamou a atenção. Cada pessoa é única, não sou mais do que ninguém, mas também não sou menos. Sou só eu, Carol, com tudo que vem no pacote (bom ou ruim).

Já a aula de Contemporâneo tem sido um alívio. A professora Pamela Pietro tem um estilo que é muito mais familiar, lembra a professora Holly da Unicamp, só que é um tanto mais surtada e rápida. Quero muito ser escolhida para dançar no trabalho dela... e com isso retorno para a audição número 2, que foi ontem.

A faculty auditions da NYU foi a audição para trabalhos coreográficos de 5 professores da Tisch. Deborah Jowitt, com um estilo mais moderno; Pamela Pietro que já comentei; Kay Cummings a professora engraçadíssima e maravilhosa de teatro; Jim Sutton, meu advisor, professor de balé que não sei o que esperar; e Cherylyn Lavagnino a diretora do departamento que coreografa uma peça nas pontas.

Esta audição foi desgastante porque tivemos que fazer tudo na frente de todos, 8 pessoas por vez mostrando a sequência para os 5 professores e para os outros 70 alunos presentes na sala. E, em determinado ponto, tivemos que dançar uma sequência que foi passada, duas pessoas por vez, e estas pessoas tinham que simultaneamente à sequência dançada manter uma diálogo (-Yes, you will! -No, I won´t!). Ou seja, dançei praticamente sozinha e falei ( em inglês) na frente de muita gente... Foi tenso, mas esta parte da audição rendeu momentos hilários.

Agora a frustração: para participar da audição da Cherylyn era necessário fazer uma audição nas pontas. Levei minha ponta para o departamento, mas não me inscrevi na audição, porque não tive coragem de fazê-la. E aí vemos como eu mesma sou responsável pelos limites que me coloco. Tive medo de ser humilhada, de me sentir um lixo de novo e por isso não quis correr o risco. E isso foi ridículo. Assisti a audição das meninas. A sequência da professora foi algo que não me atraiu, por ser muito quadrado para o meu gosto, mas eu deveria ter tido a coragem de fazer.

Me senti intimidada por ter sido selecionada para uma turma "fraca" (mentira porque a turma não é fraca) de balé, e por saber que tinha gente muito melhor do que eu fazendo esta audição. Tenho uma colega de mestrado formada pela Julliard. Tenho várias colegas que dançaram em companhias de balé profissionais, para não mencionar as menininhas novinhas fisicudas que foram aceitas na graduação. Além da garota que foi selecionada para o So You Think You Can Dance e largou o reality show para fazer o BFA na NYU.... E todas estas estavam lá "competindo".

A vida de bailarino é dura. Assisti a audição e tenho certeza que eu teria ficado nervisissíma e me perdido um monte. Mas tinha muita gente mais fraca do que eu lá, se pondo a prova, e é isso que importa. Quando cheguei em casa, liguei meu pc e vi os comentários me motivando a sempre buscar mais e me senti um fracasso por não ter tido mais coragem. Que fique a experiência para que eu tome atitudes mais corajosas da próxima vez.

E termino com algo que anotei numa das aulas da semana - a de teatro - que é um grande desafio pessoal:

"You are enough if you use all of you!"
Kay Cummings

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