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Wednesday, June 18, 2014

A vida dói.

Trabalhando muito duro esqueci da felicidade que é fazer o que eu amo. Parei de escrever sobre tudo e sobre nada. 4 anos de NY e a cidade bateu bastante em mim. Estou exausta, frustrada, e violentada por essa vida. Acabou a lua de mel.

Meu hiato em escrever é prova que parei de olhar ao meu redor, parei de querer ser criativa, parei de ter prazer em pensar e ser artista. Mergulhei na prática dura do dia a dia. Nas mil tarefas de ser coreógrafa aqui em NY. Em ter 5 empregos, 4 não pagos, e 1 money maker degradante.

Me sinto humilhada por estar comendo o pão que o diabo amassou. Uma coisa é vir atrás do sonho, cheia de orgulho e esperança. Outra é enfrentar as dificuldades diárias, profissionais e financeiras.

Mas não estou mal. Estou no melhor ponto que já estive como coreógrafa. Estou cada vez mais me aprofundando na minha pesquisa criativa e tenho consolidado minha companhia com um trabalho regular com minhas bailarinas e colaboradoras. Só é muito difícil. Fazer dança contemporânea numa cidade onde tem tanto artista de qualidade gera muita pressão. Mas mais do que isso, para coreografar e manter trabalhos artísticos aqui dependo de estar constantemente fazendo contatos, criando relacionamento com doadores e público americano.  E fica difícil, quando minha vida inteira foi no Brasil. E só agora as pessoas estão ouvindo meu nome. Em suma, é um trabalho de criar reconhecimento e criar contatos. E vamos falar a verdade? Não sou lá uma pessoa extrovertida e social. Não sou mais anti-social, como era há alguns anos atrás. USA me fez aprender a me apresentar para gente que não conheço, começar conversas na minha área e demais demandas dessa sociedade esquisita. Mas mesmo assim, sempre tem uma mini-barreira da língua. Nunca vai ser a mesma coisa que  conversar o bom e velho Português.

Tenho agora mais do que nunca buscado achar o meu eu de anos atrás. Meu eu estudante era muito mais positivo do que meu eu da vida real. Essa busca me faz olhar para dentro e ver o que está faltando. A disciplina de dançar quando não se tem mais uma escola. De me manter fisicamente ativa da maneira que amo, sendo que é tão difícil encontrar aulas que me satisfaçam. Dói olhar para dentro e ver minhas falhas. Dói escrever sobre elas. Mas escrever sempre foi meu desabafo e válvula de escape, então acredito que quando crio coragem de fazer o que estou fazendo agora, estou andando para frente.

A vida dói porque a gente fica preocupada com o que falta, com o sucesso que a gente ainda não alcançou, com tudo que a gente quer fazer e ainda não conseguiu. A vida dói porque colocamos muito peso no futuro, e esquecemos do agora. E o agora já passou. Mas sentir dor é algo bom. Me faz humana, me faz prestar atenção e acordar. Acordar para o agora, acordar para a hora da mudança. E acordar para a felicidade e sorte que já tenho: minha maior felicidade são as pessoas na minha vida. As pessoas que estão pertinho e as que estão longe. Meus amigos aqui. Minha melhor amiga que vai casar. Minha família no Brasil. Meu marido para quem volto correndo para casa todos os dias. Me sinto muito abençoada no âmbito familiar e pessoal. Quantas pessoas podem dizer que estão mais da metade da sua vida com o mesmo companheiro, e que o relacionamento só melhora com os anos?

Enfim, a vida dói. Mas tem que doer mesmo... para a gente crescer.
E no final das contas tudo vai passar: corpo vai morrer,  carreiras acabam e recomeçam, dinheiro vem e vai embora, coisas materiais apodrecem. Mas as experiências com as pessoas que convivemos é eterna. E está aí a vida verdadeira.



Foto tirada pelo Nicolas comigo voando e Allie Tsubota numa dança instalação que fizemos em Abril.




Friday, July 27, 2012

Geladeira, sangue e croissant.

O diazinho:

Brigo contra o sono para acordar
levanto
enrolo
trabalho
Busco a disciplina desta nova fase da minha vida

Arrumo a casa
estante para lá
livros
Olho fotos com carinho
Almoço

Nicolas prepara o almoço
batata recheada

eu estou tensa
Me sinto pronto para explodir por algum motivo

Descubro que é o dia da Avó
Penso nas minhas duas avós no céu
Choro

Vejo receitas de vó
Penso na mesa posta da minha avó Anacyr
Nos doces da Vovó Nilza
E nas receitas que eu nunca aprendi

Choro

Nicolas resolve limpar a geladeira.
Do nada ele corta o dedo do pé.
O corte sangra muito e eu não dou bola.
Bailarina tá acostumada com desastres no pé.
Curativo.

Ele volta para a geladeira
Ele fura e estraga a geladeira
Balde de água fria e nervosismo
Quando finalmente estamos colocando a vida em ordem e ajeitando a casa, isso.

Mas a culpa não é de ninguém.
Shit happens.
O pé não pára de sangrar.
fazemos mais um curativo.
E agora eu fico preocupada.

Pesquisamos rapidamente preços de mini geladeiras como a nossa.
Num impulso, paramos tudo e vamos atrás de comprar uma geladeira.
O Nicolas vai mancando.

Chegamos na target e só tem 1 geladeira muito cara para nosso bolso.
Voltamos desapontados.

Nesse ponto, o Nicolas checa o pé e descobre que o curativo não segurou nada.
o pé dele continua sangrando.
voltamos para casa
Fazemos mais um curativo
e ele sai

Fico em casa sozinha
Skype com mamis

Dor de cabeça infernal
Muito choro

e mistura saudades, com preocupação, com medo do futuro
com decepções comigo mesma.
E a cabeça gira e tudo parece sem esperança.

Mamis alegra o meu coração.

Ligo para o meu landlord.
Ele toca a campainha.
Mostro a geladeira.
Ele pede 1 minuto.
Ele sai.
Ele volta carregando outra geladeira.
Ele pega a estragada e a gente coloca na rua.
Ele não me cobra nada.

E eu chorei tanto.

Limpo a nova (velha) geladeira.
coloco as comidas de volta,
sem me preocupar se elas estragaram ou não.

Minha cabeça dói.
Fome.
E a maldita da preguiça.
E o cansaço.

Como qualquer coisa.

Perco meu tempo assistindo tv.
Mas a dor de cabeça diminui um pouco.

Falo com a Alana.
Choro mais um pouco.

Eita saudades que dói viu.

Chuva.
Trovão tão alto, que parece que ele mirou a minha casa.
E pensou: vamos assustar a Carol, pq hj ela está vulnerável.
Mas a chuva passa.

Crio vergonha na cara e às 11:30 da noite vou comprar algo para mastigar
Algo que não esteve no drama da geladeira descongelando.

Um gesto bom.
O vendedor que me conhece, me dá um croissant e arredonda minha conta para menos.

De volta em casa.

Ar condicionado
Ventilador
banho gelado (não estou doente, é que está quente demais até para mim)
Croissant do amigo caridoso

Skype com a Titia
Mais umas lágrimas de saudades.

Computador
Blog
Agora.
Boa Noite

E aguardo um amanhã melhor.
Sempre.




Tuesday, February 14, 2012

Dias impossiveis...




Dias impossiveis acontecem de vez em quando. Ontem foi um dia impossivel. E eu sobrevivi.

Acordei quase atrasada e corri para a primeira aula da semana. Tive aula de escrita com um professor convidado. O cara é artista plástico e escritor. Ele mistura palavras e conteúdos visuais, de forma bem interessante. Fiquei inspirada para escrever de forma mais maluca.

No meu curto horario de almoço - 30 minutos- comprei comida, imprimi um documento, assinei o documento, e engoli meu mac and cheese em 40 segundos.

Fiz a aula de ballet com o mac and cheese na boca do estomago e com a lingua queimada. Mas pelo menos o lado bom de estar tão cansada fisica e mentalmente é que tudo funciona: todos os giros, balances e intenções.

Depois da aula tive 15 minutos de intervalo e corri para resolver a inscrição num festival de videodanca. Passei os documentos para o Nicolas scannear e voltei correndo para minha project class.

Nesta aula todos os coreógrafos da companhia mostram suas coreografias e recebem feedback de uma banca de professores e alunos. Dancei primeiro na coreografia da Suzanne, que é sobre processo em Dança, e em seguida na da Erin, que é sobre o 11 de Setembro. Estou amando fazer parte destas duas coreografias.

Quando mostrei a minha coreografia e ouvi o feedback dos professores e alunos fiquei muito surpresa e satisfeita. Foram só coisas positivas sobre meu trabalho. Desde alguns comentários do tipo "é bem Carol", até palavras como imprevisível e divertido. Um dos meus professores falou que minha coreografia é como se eles entrassem em um filme "mudo" onde todo mundo se expressasse numa língua diferente.

(Na minha cabeça o mundo é meio exagerado e as pessoas deveriam andar de ponta cabeça, ter acessos de choro, comer chocolate, ficar rindo à toa...)

Em seguida a isto, tive meu ensaio. Apesar da semana passada que estive me sentindo travada quanto ao que coreografar, este fim de semana foi bem produtivo e consegui descansar a mente, tomando decisões sobre coreografias, vida e dança.

Para alguns pode parecer muito fofo/bonitinho o fato de eu estar morando em NY e tentando ganhar a vida como bailarina e coreógrafa. Mas na realidade é muito difícil. Eu mesma estou o tempo todo me questionando. Por que que eu faço isto? Dança é importante? O que eu quero dizer com minhas coreografias-trabalhos? Em um mundo tão amplo, o que eu estou fazendo para colaborar-questionar-mudar a situção em que vivemos?





Enfim. Meu ensaio foi mega produtivo. Sempre tento deixar meus bailarinos a vontade. E nesta coreografia ainda por cima, elas tem que comer chocolate no palco, então no ensaio eu levo kisses da Hershey's para elas irem treinando. Vocês podem imaginar o quanto elas gostam.

Em seguida tive mais 10 minutos de intervalo, tempo que usei para falar com o Nicolas, que conseguiu escannear os documentos que precisávamos. Corri para o 6o andar (pelas escadas... é óbvio) e mandei um e-mail inscrevendo o videodança Ruína (feito em parceria com a produtora Mariachis Audiovisual).

Voltei correndo 4 andares de escada, engoli um Yogurte e tive mais 1 hora e meia de ensaio da Suzanne. Ao fim deste ensaio, não tive tempo de beber e comer nada e a Erin já começou o ensaio. Normalmente seriam mais 1 hora e meia de ensaio, mas ela propôs que nós ficássemos até 10:30pm (ao invés de 9:45pm), como costuma ser, para termos o dia seguinte off. Todos topamos é claro.

Foram 13 horas de aula-trabalho-ensaios direto, com apenas 50 minutos de intervalo (que na realidade usei para resolver coisas). Ou seja, foi um dia impossível. Mas que cumpri tudo que precisei.

E para coroar a Segunda-feira eu tive a infeliz idéia de voltar para casa de ônibus, ao invés de metrô. O maridão abençoado veio me buscar e me acompanhar até em casa. Entramos no ônibus e por alguma triste razão a ($%$*%$%$) motorista foi dirigindo a 15kms/h.

Cheguei em casa as 11:40 da noite. Fui tomar banho, finalmente comi algo, assisti um filme até as 2 da manhã e fui dormir.

Yeah. This is NY.


Saturday, February 4, 2012

Back to business!!!

Ok.
Já faz um mês que eu parei de escrever.
Quase subi pelas paredes.
Bati a cabeça no teto...
E cheguei a conclusão que não tem jeito:
Não consigo deixar de escrever deste jeito informal.

Por mais que eu ame escrever críticas, ou que eu tenha meu portfolio artístico todo organizado; eu continuo sendo esta mistureba de assuntos e idéias. Portanto aqui estou, de volta. Porque nunca saí. E o blog vai permanecer esta bagunça de idéias. Voi là.

Todos os dias transbordavam idéias para posts engraçados; relatos das minhas tragédias; ou notícias do mundo da dança. A vida ia andando e eu queria registrar de alguma forma. Não sei nem se isso aqui é para vocês ou se é para mim. Só sei que eu tenho memória de ameba, então não tem nada melhor do que escrever para não deixar a vida passar em vão.

Então olhando para trás, neste mês que se passou, aconteceram alguns pontos principais:

-Escrevi meu primeiro projeto em inglês e estou aguardando a seleção para saber se serei aceita em uma residência artística.
-Fiz um intensivo de inverno com a companhia do Doug Varone. Foi difícil para caramba mas eu amei. Me senti inspirada para seguir em frente dançando e coreografando.
-Estou trabalhando na edição do Subway project (meu terceiro videodança, mas 1o que além de coreografar eu fiz a direção - junto com o maridão - e irei editar). Não tenho a mínima idéia de onde isso vai dar. Entrei em contato com um compositor que irá fazer música original para este projeto.
- Tenho trabalhado na minha coreografia para a Second Avenue Dance Company, que vai estrear em Março. Além disso estou coreografando um outro trabalho para Maio e estou remontando uma coreografia antiga para mandar para festivais por aqui.
-As aulas na Tisch recomeçaram com todo seu grau de loucura. Tenho ensaio até as 1ohs da noite todos os dias da semana. Tive uma infecção nas bolhas do meu pé esquerdo e tive que ficar sem dançar por uns dias. Ainda estou me recuperando e os machucados nos pés demoram a sarar.
-Estou dançando em coreografias de duas colegas de mestrado e estou super animada com os trabalhos.
-Minha tia-fada-madrinha veio a trabalho para cá e passou alguns dias comigo e com o Nicolas. Comemos em um restaurante Tibetano (o que foi um máximo!!!) e antes dela voltar para o Brasil, ela nos deu de presente uma super compra de mercado. Estou mencionando isto porque tem tanto queijo na minha mini geladeira...mas tanto queijo... que não dá nem para imaginar minha felicidade. (Para quem não sabe: eu AMO queijo).
-Eu e o maridão estamos bem. Aprendendo a viver vida de casado. 95% do tempo nos amamos e nos outros 5% eu quero dar com o rolo de macarrão na cabeça dele, porque ele deixa sapato e roupas largadas pela casa.
-NY continua linda. Mas só nevou uma vez. O tempo está esquisito. Lembro que no ano passado fez muito mais frio do que está fazendo neste ano.
- Semana passada eu vi um cara que era o Obelix na sua forma humana-não-desenho. Sim, estou falando do Obelix (do Asterix), gaulês, gordão barrigudo, com uma barba/bigode gigante. Então... eu vi ele andando aqui na rua de casa.


E ontem eu e o Nicolas topamos com uma senhora de uns 60 beirando 70 anos... com cabelo azul.

É por isso que eu amo NY.

(É bom estar de volta... Senti falta de vocês, meus caros fantasminhas.)

Sunday, December 4, 2011

Dia- agora.

6hs da manhã acordo.
Como panquecas feitas pelo maridão.
Cheiro ruim de pão de queijo.
(Sim sou uma das únicas duas pessoas no mundo que odeia pão de queijo)
Estômago embrulhado, dor de cabeça, medo de algo dar errado na gravação.
Pegamos o metrô e vamos rumo à Brooklyn Bridge Station.
Chegamos cedo.
Esperamos um pouco.
Chegam todos.
Damos pão de queijo de presente aos bailarinos.
(Não posso pagar cachê como gostaria, mas tento fazer algo).
Começamos as filmagens.
Entramos na última parada do trem 6 e temos exatos 2 minutos para filmar até o trem dar a volta em direção uptown.
Saímos na mesma plataforma, sobe e desce escadas, e aguardamos o próximo 6 para mais uma tomada.
Por volta de 10 ciclos depois nós terminamos a filmagem do videodança.
Muito feliz.
Não dá nada errado.
Não tem nenhum oficial do metrô para encher as paciências e conseguimos gravar 6 ângulos diferentes de uma mesma coreografia.
Além de alguns inserts.
10 e meia da manhã.
Já estamos no trem e aproveitamos que tudo terminou cedo e voltamos para casa.
Acabada eu resolvo dormir só uma meia horinha, antes do horário da minha aula.
Óbvio que perco o horário e quase perco minha aula.
Da soneca entre 11:15 e 12:20 levanto assustada, finjo preguiça, mas crio coragem.
Saio correndo feito uma maluca correndo pela 2a avenida.
Faço o trajeto que normalmente dura 15 min, em 7 min.
Chego na estação, passa um metrô, ele voa, pego a conexão.
Corro de Astor Place até o prédio da Tisch.
Não deu para almoçar nada.
Estou na base de panqueca desde cedinho.
Entro na hora certa na aula de Arts Administration.
Aula sobre fundraising (ou seja: como conseguir doadores/patrocinadores para minha companhia).
A melhor aula que já tive na minha vida: útil e prática.
3hs da tarde a aula termina.
Azul de fome.
Encontro o Nicolas e gastamos um dinheirinho que não temos na Pommes Frittes.
Sim, almocei batata frita em enormes quantidades.
Prêmio zero: bailarina-coreógrafa sem noção de nutrição decente.
Enrolamos na Washinton Square.
Skatistas se acabando e caindo pelo parque.
Pianista tocando num canto, voz e violão em outro.
Gybney Dance Center.
Assistimos a mostra dos alunos do programa profissionalizante da Peridance, que minha querida amiga Nati (a ex-roomie) dança.
Faço um contato de trabalho interessante.
Não... não vou contar. É segredo.
Voltamos andando em direção a Washington Square.
Preciso fazer meu trabalho-crítica de espetáculo de música do século 20.
Eu e o Nicolas aguardamos sentadinhos num banco ao ar livre.
Até a hora certa... num frio congelante.
Assistimos um grupo de percussão de alunos de música da Steinhart, NYU, celebrando os 75 anos do Phillip Glass.
Amamos.
Lembra o UAKTI.
Termina o concerto.
Passamos no mercado (para variar).
Compro um secador de cabelo por 10 dólares (porque não dá para ficar doente neste frio).
Voltamos para casa.
Eu e o Nicolas brigamos pelo Laptop.
Ele ganha. Usa primeiro, eu depois.
Fazemos janta juntos.
Macarrão ao molho branco, cogumelo, gorgonzola.
Vinho que sobrou do Thanksgiving.
(Para comemorar o fim das gravações).
Barriguinha cheia.
...
Presente.
Agora.
Tomar banho.
Dormir.

E amanhã é mais um longo dia...

Começa a performance week e as deadlines de todos meus trabalhos.

E laia.




Sunday, November 13, 2011

Lá vem uma semana daquelas...

Ai meu Deus

Segunda nem começou e eu tenho a sensação de que eu não parei...

Quer dizer...eu não parei.

Da filmagem de hoje a tarde, aos orçamentos, até escrever projetos, trabalhos batendo na porta e não vai dar tempo!

É oficial essa é uma das semanas do ano q eu não consigo entender como vou sair viva no final...

Tenho que:

Enviar dois orçamentos para minha professora de arts administration.

Escrever uma carta de apresentação para um patrocinador/empregador em potencial.

(E isso é a lição de casa atrasada da semana passada que enviarei por e-mail)

Para essa semana tenho que escrever um exemplo de projeto que será corrigido e avaliado.

Além disso tenho que criar meu website em inglês, pagar pelo domínio do website.

E escrever um "Artist Statement" e um "Mission Statement" que são basicamente um resumo de quem sou eu, meus ideais artísticos, interesses e aptidões.

Mas como não sou boba, estou ralando e usando a lição de casa como impulso para escrever os projetos que estarei enviando para alguns locais assim que terminar meu mestrado.

Estou fazendo um projeto para uma residência artística em uma Universidade em Ohio.

E também estou trabalhando em um projeto dança - vídeo -instalação - performance a ser apresentado aqui em NY.

Tenho trabalhado por minha conta em aprimorar meu currículo e Resume.

E fora a lição de casa dessa aula de Arts Administration que está fazendo eu arrancar os meus cabelos (mas ao mesmo tempo está sendo a aula mais útil/ prática da vida real que já tive em toda minha vida escolar) tenho outras coisas colaborando para o caos da semana.

Na segunda que vem tenho que entregar um rascunho de um trabalho de 14 páginas para minha aula de música no século 20 (porque meus professores de música são sempre sem noção?).

E detalhe: eu sequer comecei.

E fora isso essa semana a Sra. Coreógrafa ultra power, com seu cachorro maluco que anda no meio dos ensaios, está de volta. Aposto que no momento que a Azsure Barton voltar a nos coreografar ela vai presumir que todo mundo lembra de todos os milhões de sequências de movimento. E depois ela vai mudar tudo, dar um nó no nosso (meu) cérebro, fazer a gente se jogar no chão de cabeça. Contar até 5, depois até 12, abre a boca, faz braço de patinho, conta até 27, faz um movimento numa contagem com as mãos, circula a cabeça em outro tempo, conta até dois, e as pernas é pé fazem outra coisa completamente esdrúxula, conta até dois mil, tudo ao mesmo tempo. e a música é psicodélica impossível de contar. Então todos os bailarinos aprendem a contar do jeito irregular estranho que ela pede.

Esse tem sido o processo com a Azsure. Muito educativo, inspirador, intenso, insano, físico e impossível. Mas eu estou dando conta até agora.

E (on top of all that) para coroar minha semana from hell:

Essa semana eu estou teching!!!! Ou seja, estarei no backstage de um dos concertos da Tisch trabalhando toda a semana das 7hs até as 11hs!!!

Se eu terminar essa semana viva eu aviso.

Monday, March 14, 2011

Sorte ou Azar?

Se o dia foi de azar ou de sorte eu não sei.
Acordei e torci meu tornozelo. Não dei bola e fui lavar roupa.

Fui ao David's bridal e aproveitei do meu momento feliz. Minha roommate fez as vezes de mãe e melhor amiga da noiva. A cada um ela gritava mais. =)
Sem mais comentários, porque o noivo acessa o blog.

Fui no hospital e o médico que não me tratou lá muito bem me deixou em choque ao me dizer que eu tenho que ficar sem dançar por duas semanas.

Um dos meus ligamentos estirou total e meu tornozelo está bambinho. Estou com uma tala simpática. E ele me mandou escrever o abecedário com o pé pelo menos uma vez por dia para eu fortalecer o pé. Deveria fazer fisioterapia, mas não tenho dinheiro.

Duas semanas sem dançar?

Vai catar coquinho e empilhar ovo na descida.

Sexta-feira da semana que vem eu tenho apresentação.

E se eu tiver que ficar parada eu levo falta nas aulas e minhas coreógrafas me cortam de onde eu estiver dançando.

Estou fazendo compressa de frio e quente. Estou com o pé para cima. Já pedi para todas as freiras que eu encontrei rezarem pelo meu pé. Já fiz banho de sal e etc...
Agora eu vou ficar conversando com o meu pé e convencendo as minhas células para elas regenerarem meus ligamentos bem rapidinho.

Right Condition of Mind.

Mas pensem. Eu tenho uma semana de férias.
Da última vez que eu fiquei doente por aqui foi no feriado.
Eu acho que na realidade foi sorte.
Eu nunca me machuco dançando, pelo contrário é sempre quando eu estou andando.
E agora eu tenho uma semana para me curar.

Mas apesar dos pesares eu precisava tanto ir passear.
Acho que amanhã eu vou andar em Chinatown independente de tornozelo roxo-esverdeado-ficando-preto.

Eu estou num bom humor tão surpreendente que nem acredito.

Também acabei de ter uma excelente notícia.
Mas que eu não vou escrever aqui por causa do noivo.
Ha Ha
Suspense.

Beijos nos meus amados.



Tuesday, February 22, 2011

Ques't que la fait rire?

Está aí - minha alma aberta ao público:

(Leia primeiro e veja o vídeo depois, se você gostar de spoilers. Ou faça o contrário.)


Comecei este blog quando fui aprovada na NYU. E mesmo antes de ter sequer certeza se eu iria conseguir o visto, ou se eu ia conseguir viabilizar minha vinda para cá eu começei a ficar obcecada com a idéia de achar uma forma para me manter em contato com meus familiares, amigos e ao mesmo tempo dividir informação sobre as minhas experiências por aqui.

Mas este blog tomou uma dimensão muito interessante na minha vida. Estando aqui em NY eu vivo completamente focada nos meus estudos de dança, mas o que não significa que eu deixei de olhar para o mundo, deixei de ver graça na minha própria desgraça ou de que as vezes eu não preciso esvaziar minha mente simplesmente escrevendo.

Faz um bom tempo que quero dividir aqui um pouco do meu aspecto profissional. Porque no final das contas é o que eu faço a maior parte da minha vida, o restante que está por aqui é apenas o meu olhar aguçado das minhas andanças ou os reflexos das minhas alegrias e frustrações nesta vida maluca que eu escolhi, a de ser artista.

Como vocês devem ter lido nas entrelinhas dos meus últimos posts eu estou ficando enlouquecida com as apresentações deste semestre. E assim vai o programa da NYU, temos aulas de técnica todas as manhãs, as aulas acadêmicas com diversos projetos finais. E acima de tudo temos as apresentações (showings, MFA Concert, etc) que tomam todo o nosso tempo livre (por isso que fico todo dia até às 10 hs e sábado e domingo passo minhas manhãs e tardes ensaiando).

No semestre passado fiz o que considero o meu primeiro trabalho como coreógrafa "de verdade". Antes disso já havia coreografado trabalhos pequenos na Unicamp e minhas turmas de sapateado. Mas nunca tinha me posicionado inteiramente como coreógrafa, criando e dirigindo totalmente um grupo de bailarinos profissionais.

Eu sabia que a pressão iria ser grande em relação ao trabalho que eu criasse. Como se tudo que eu fizesse depois fosse associado com esta primeira impressão por aqui. E com isso em mente resolvi entrar nas salas com meus bailarinos e simplesmente criar sem compromisso de explicar as razões do universo.

Minha idéia foi explorar um pouco a mente feminina e a sensação de estar de saco cheio.
O quanto que nós mulheres temos que sempre agir dentro de determinados padrões e as nossas explosões fora destes padrões.

Talvez eu tenha escolhido este tema inconscientemente porque eu nunca me senti encaixando em lugar nenhum. Sempre me senti dividida entre meus movimentos naturais (que não pertencem a rótulo nenhum) e a dança rotulada.

Isso porque a dança de hoje em dia "dita" natural chamada de dança contemporânea muitas vezes é uma chatice de se ver. E eu sempre sofri o conflito de criar coreografias que fossem inteligentemente aceitas versus criar algo que é simplesmente gostoso de se ver, mas que pode ser vazio.

Mas no final das contas não sei nem dizer o que a coreografia passa para o público. E sinceramente não me importa. Eu comecei desta idéia, mas quanto sentei para assistir meu trabalho o que ele mais me fez foi rir!!!

Ques't que la fait rire? / O que a faz rir?

Talvez rir das próprias neuroses.
Das contradições.
Das relações humanas.
E definitivamente, da vida.




Esta também foi a minha primeira edição.
Vivendo e aprendendo coisas novas...

Sunday, December 5, 2010

Dia a dia. Desafios e conquistas.

Acho que as vezes só conto o desespero, os medos, os desafios.
E esqueço de escrever sobre as conquistas:

Eu saio do metrô e sei onde está o céu, e onde devo ir pra atingir meu destino.
Eu consigo achar um almoço saudável por U$3,50.
Eu nunca me senti mais em casa.
A língua não me assusta, as conversas são fáceis.
A escrita me descabela, mas não morro mais de falta do Português.
E quando eu sinto falta eu canto.

E por falar em canto, essa universidade continua quebrando minhas barreiras.
Ou melhor, eu cada vez mais me dasafio.
Estou criando: danço e canto de cabeça para baixo. Só o começo de mais um processo criativo.
Sempre feliz neste lugar.
Os bailarinos talentosos me motivam a crescer.
Não me intimidam porque eu sei que cada um no mundo tem algo a oferecer que é único.
E eu não poderia ser diferente.
Satisfeita de finalmente entender isso.

Preparando mais trabalhos para o próximo semestre.
Como esse meu curso é só dois anos, preciso dar conta de fazer tudo que eu puder imaginar:

Um duo com a Cecilia. Eu canto. Ela fala em Mandarim e eu respondo em Português. A gente dança.
Fui convidada para dançar em mais dois trabalhos de amigas do MFA.
E vou coreografar um trabalho para oito mulheres. Só MFAs desta vez, todas absolutamente diferentes. Praticamente 8 solos que se cruzam na minha mente.
E todos estes trabalhos serão apresentados no MFA1 Concert, em Fevereiro.
Depois da volta às aulas eu tenho 1 mês para dar conta de coreografar 2 trabalhos e estar dançando em 3.
Corpinho querido: aguenta.

Mas tudo isso sem parar a vida normal, com aula das 8am-8pm.
Aula extra de lighting design aos sábados.
Criação de um solo para a disciplina de composition.
E ensaios para CC&D...

A aula de CC&D foi um dos motivos para eu vir fazer esse mestrado aqui.
Nesta aula, durante o primeiro semestre, foram abordados diversos aspectos da composição e criação em Dança.
Basicamente aprender a julgar menos e a jogar.
A colocar texto e movimento em sintonia, numa forma que eu nunca havia pensado ser capaz de fazer.
Tarefas malucas e aparentemente impossíveis, que sempre resultam em algo.
5 minutos, escolho 7 bailarinos, monto uma coreografia, e apresento para o resto da classe.
Foi mais ou menos por aí esse meu curso.
Mas o próximo semestre que é o grande astro.

Fomos divididos em grupos, de acordo com nossos interesses.
Cada parceria vai criar um trabalho em colaboração com uma equipe de cenário, uma de iluminação, outra de figurino, e é claro, com uma equipe de músicos.
E todos em função da dança.
Basicamente podemos fazer o que quisermos. (Desde que não coloquemos fogo no teatro.)
Pois temos orçamento da disciplina para inventarmos o espetáculo mais mirabolante que for.
Estou muito animada, porque tem bailarinos voando na minha mente.
Criei coragem e convidei bailarinos maravilhosos, inclusive a melhor bailarina que já vi ao vivo.
Ida Saki. Ela está no 1o ano, mas tem companhias guerreando por ela. É a garota do "So you think you can Dance?" que desistiu do reality show para vir fazer a graduação na NYU.
Ainda estamos esperando a resposta, mas acho que vai ser sim.
De qualquer forma já temos um elenco que por si só já é incrível.

E fui convidada para dançar no trabalho de CC&D da equipe de minhas colegas de MFA formada pela Cecilia (que achei que a esse ponto já estaria de saco cheio de trabalhar comigo e iria querer alguém novo) e da Suzanne Beahrs, que na minha opinião é a coreógrafa mais talentosa do meu curso. Ou seja: big pressure.

C´est la vie.

E assim vou.
E espero que o trabalho não pare nunca.

Sunday, October 24, 2010

Central Park - Post longo e cheio de fotos...

Sim mãe.
Devia ter nascido impressionista.
Andei mais uma vez no Central Park e me apaixono pelas árvores e pelos milhões de tonalidades de verde no amarelado das folhas.
O Outono chegou e já está frio.


Se eu pudesse levar vocês ao Central Park junto comigo seriam estes os detalhes que eu gostaria que vocês vissem.

Para mim esse é o lugar mais bonito de lá. (Ainda não andei em tudo, sempre acabo zanzando apenas pelas regiões sul e oeste)
Mas adoro os detalhes de arquitetura.
Os ladrilhos e os desenhos formados pelo concreto e pelo vazio.
As sombras que se formam.
Os relevos.
As luzes que atravessam os tantos tuneis espalhados pelo parque e causam imagens tão belas que minha máquina não consegue captar.


Toda vez que vou andar no Central Park encontro noivas. Desta vez não foi diferente, encontrei duas: Uma de vestido espalhafatoso, andando com seu exército de fotógrafos, um moço que talvez fosse o marido (mas não parecia ser de muita relevância) e duas madrinhas com a única função de carregar a cauda do vestido. E outra noiva com seu marido, seu vestido romântico e delicado, um fotógrafo discreto.



E os artistas de rua, então?
Tem sempre música.
As vezes eu corro por lá e passo por um túnel onde uma cantora solitária canta La vie en Rose na acústica ampliada do túnel. Estou em NY ou em Paris?
Tem sempre um show.
Adoro quando tem alguém tocando contrabaixo no metrô.
Ou então Mariachis.
Ou New York New York.
(E tem sempre alguém passando o chapéu!)
Mas esse pai e filho tentando ganhar um dinheirinho fazendo bolhas de sabão gigantes foi lindo.


Não.
Não passo minha semana só turistando.
Passo minha semana só correndo, estudando e trabalhando.
Dança dança e dança.
Minha última semana foi o cão.
Foi a mais difícil de todas.
A saudade bateu como nunca.
Doeu.
Mas eu amo essa cidade e amo viver aqui.
Mesmo estando sozinha.



Acho que nunca vou cansar de passear lá.
Estava batendo a cabeça na parede do meu quarto cubículo, sozinha.
Sábado ao anoitecer. Ninguém no skype.
Todos meus amigos e familiares na festa de 1 ano da minha afilhadinha do coração.
Onde não pude ir.
Tantos trabalhos por fazer. Leituras, diários de espetáculos, de aulas.
Assignment impossível do meu professor ditador de música.
E nada saia.
Deu cinco minutos e fui andar sozinha no Central Park e tirar estas fotos aqui.



Sabiam que a maioria dos bancos tem uma plaquinha como essa aí em cima?
É lindo ficar apenas lendo e pensando nestas pessoas. Nestas homenagens despercebidas, mas sempre presentes.
Sentei na mureta da beira do lago onde tem a boat house e fiquei tirando fotos.
Fiz algumas tentativas fracassadas de tirar fotos de mim mesma.
Uma senhorinha chinesa (sempre as chinesas não é mesmo?) apareceu do nada, olhou para mim com carinho e meio sem jeito e perguntou se eu não queria que ela tirasse uma foto minha...

Então segue uma foto comigo dentro:



Nas próximas três semanas estarei endoidecida com as minhas apresentações.
Tenho a estréia da minha coreografia em duas semanas.
E danço na coreografia de uma amiga em três.
Então talvez eu não consiga escrever muito.
Mas já viram que eu estou inteira.

luv

k

Sunday, October 17, 2010

Oreo


São 3:30 da madrugada.
Não consigo dormir
Passei parte da noite conversando com minha única amiga brasileira sobre as desilusões de morar em NY.
Cidade cara, imperam a imagem e o dinheiro.
E eu lutando para sobreviver e dar conta dos meus estudos.
Deus, me permite dar o meu máximo e ganhar uma bolsa de estudos.
Sem detalhes hoje.
Odeio dinheiro.
Chorei, me senti sozinha.
Humilhada.
No meio da madruagada pego o final do meu pacote de bolacha oreo e aproveito os pequenos prazeres.
Mergulho uma bolacha de cada vez no leite gelado.
E o pacote gigante comprado numa barganha no Kmart finalmente acaba.

Tuesday, September 14, 2010

Drops

Hoje vi um cara vestido de batman no meio de uma praça recitando sei lá o quê, começei a rir.

Ontem ao entrar no metrô presenciei um morador de rua na situação mais deplorável que já vi, quis chorar.

Ontem passei fome, passei mal. Em compensação hoje comi banana e uvas passas o dia inteiro.

Hoje fiz audição para aula de pontas. Fui corajosa e não fui mal, minha relação com audições está melhorando.Consegui me manter tranquila, aproveitar a aula e dançar. E que se danem os números, as notas e as classificações.

Ontem fui escolhida para dançar no trabalho da Deborah Jowitt, começei os ensaios, cheguei tarde em casa, cansaço. On the edge. Segunda das 8am às 9pm..

Hoje rebolei na aula de improvisação, levei um elogio da professora considerada lenda e terrível (mas que eu acho maravilhosa). "- You know... this girl come from Brazil, and she can use her hips and she feel very secure about it. Culture makes some difference..."

Estou com um machucado no joelho que fica sangrando o dia inteiro. Descobri novas partes do corpo que podem doer.

Vi vários beagles (e micro beagles) e lembrei da minha gorda fedegosa, deu um aperto no coração. Sim eu quero sentir o fedor da minha Hopi e atormentar a autista da Suzi.

Não entendi lhufas do que a professora de pilates queria. Tive que dublar a aula inteira.

Recebi e-mail do noivo gordinho e senti um quentinho no coração.

Vi uma foto minha e do meu irmão no aeroporto e chorei. Quero ter dinheiro para comprar jogos de wii para ele e mandar no Natal.

Toda vez que falta fé eu lembro do meu aluninho que me ensinou que cantar preenche o coração e alivia as dores.

Toda vez que eu sinto saudades de falar Português e to irritada com meu inglês uga buga eu canto elis. E é sempre o bêbado e a equilibrista... Quando caia a tarde e um bêbado trajando luto me lembrou carlitos.

Começando a criar e coreografar. Dividida entre Debussy, Piazolla e mais alguns. Consegui três bailarinos realmente maravilhosos, grande responsabilidade. Inspiradíssima e empolgada. Idéias e mais idéias. Quem lembra do desiderata? Nada se cria tudo de transforma. Aprimorar minha linguagem. Desejo. Personalidade.

Tem feito frio sobrevivível.

Leia nas estrelinhas...


Saturday, September 11, 2010

Carrascos de nós mesmos.

A vida de um bailarino é sempre muito dura. Sempre soube disso, mas isso nunca me impediu de ser apaixonada pela arte da dança.
Dançar implica em treinamento árduo e em estar em constante conflito com sua imagem. Para alguns dança é imagem, para outros é técnica. Também é emoção, mas é a razão. É a expressão do corpo, é a comunicação que exprime nossas verdades.
Para mim, é um pouco disso tudo. A Dança pode ser - e costuma ser - um carrasco. Temos que estar continuamente entrando em padrões (as aulas técnicas) e saindo dos padrões (criando). Ou seja, é um eterno paradoxo!


Apesar de eu ser apaixonada pelo meu campo de trabalho eu tenho duras críticas sobre como tudo funciona: competição e audições levam à um narcisismo corporal perigoso. Eu sabia de antemão que ao vir para cá eu estava me colocando numa prova de fogo em frente a tudo que quero combater, que também são exatamente as coisas que me dão mais medo. Porque competir e fazer audição significa se expôr e esperar as críticas. E quem gosta de ouvir críticas?

Principalmente porque quando o alvo da crítica é o produto do seu próprio corpo e da sua expressão, a crítica negativa atinge inevitavelmente o pessoal. Mas eu sei o quantos as críticas são necessárias ao nosso crescimento pessoal e profissional. E é por isso que estou aqui. É por isso que tanto lutei por esta oportunidade de estar entre tantos profissionais de qualidade.

Quem me conhece de longa data sabe do meu problema de auto estima. Nunca me sinto boa o suficiente. Nunca fui uma grande performer. Tenho dificuldades técnicas enormes. Não sou boa em giros e as vezes perco meu equilíbrio por não estar suficientemente com o apoio dos pés no chão... Não estou falando que eu sou ruim, mas sim que eu conheço muito bem minhas limitações como bailarina. Mas isso não me impede de ser criativa, de buscar meu aprimoramento e de sempre lutar por mais.

Ao chegar aqui com tantas expectativas das pessoas que me conhecem deu ser um sucesso e ao ler os comentários carinhosos das pessoas queridas que torcem tanto por mim desabei de chorar... E vou contar o porquê:

Em duas semanas de aula na Tisch já tive que me por a prova, competir e fazer tudo aquilo que sempre morri de medo. Tem sido muito produtivo, porque percebo que as vezes não é nosso corpo que tem limites, mas sim a nossa mente que impões frustrações e limitações. Estou tendo aula de teatro (sim, decoro lines in English) que é algo que sempre fugi de fazer. E tive que participar de duas audições, dentro do curso, com todos os alunos do 1o e 2o ano de graduação, somados às minhas colegas de 1o ano de mestrado!

Na sexta-feira passada tive audição classificatória dos níveis técnicos. Eu estava muito nervosa, mas fiz o melhor que pude. (Antes disso só fiz duas audições na minha vida: uma para entrar na Unicamp e outra para a SP Cia de Dança). No mesmo dia sairam os resultados... Preciso falar que fui mal colocada, tanto no balé quanto no contemporâneo? É óbvio que me senti um lixo. Minha razão me dizia constantemente que isso não era um grande problema, porque eles precisavam dividir a gente em três turmas de níveis técnicos de qualquer forma. Mas a minha emoção era a do orgulho ferido. Sai do Brasil para me dizerem que eu sou péssima ( e ninguém disse isso, mas foi o meu pensamento)? Em nenhum momento pensei em desistir, mas a tristeza de ser considerada fraca foi muito grande.

Enfim, essa semana fiz as aulas junto com as pessoas também consideradas nível 3. E quer saber? Tem gente muito boa. E tem gente com dificuldades. A aula de balé tem sido frustrante, porque sei que sou capaz de lidar com mais. Mas se assim fui classificada, procuro ter paciência e disciplina para modificar o que as pessoas pensam do meu "produto corporal". E como meu pai e tantas outras pessoas não cansam de me lembrar: cada pessoa foi aceita aqui por ter algo diferente que chamou a atenção. Cada pessoa é única, não sou mais do que ninguém, mas também não sou menos. Sou só eu, Carol, com tudo que vem no pacote (bom ou ruim).

Já a aula de Contemporâneo tem sido um alívio. A professora Pamela Pietro tem um estilo que é muito mais familiar, lembra a professora Holly da Unicamp, só que é um tanto mais surtada e rápida. Quero muito ser escolhida para dançar no trabalho dela... e com isso retorno para a audição número 2, que foi ontem.

A faculty auditions da NYU foi a audição para trabalhos coreográficos de 5 professores da Tisch. Deborah Jowitt, com um estilo mais moderno; Pamela Pietro que já comentei; Kay Cummings a professora engraçadíssima e maravilhosa de teatro; Jim Sutton, meu advisor, professor de balé que não sei o que esperar; e Cherylyn Lavagnino a diretora do departamento que coreografa uma peça nas pontas.

Esta audição foi desgastante porque tivemos que fazer tudo na frente de todos, 8 pessoas por vez mostrando a sequência para os 5 professores e para os outros 70 alunos presentes na sala. E, em determinado ponto, tivemos que dançar uma sequência que foi passada, duas pessoas por vez, e estas pessoas tinham que simultaneamente à sequência dançada manter uma diálogo (-Yes, you will! -No, I won´t!). Ou seja, dançei praticamente sozinha e falei ( em inglês) na frente de muita gente... Foi tenso, mas esta parte da audição rendeu momentos hilários.

Agora a frustração: para participar da audição da Cherylyn era necessário fazer uma audição nas pontas. Levei minha ponta para o departamento, mas não me inscrevi na audição, porque não tive coragem de fazê-la. E aí vemos como eu mesma sou responsável pelos limites que me coloco. Tive medo de ser humilhada, de me sentir um lixo de novo e por isso não quis correr o risco. E isso foi ridículo. Assisti a audição das meninas. A sequência da professora foi algo que não me atraiu, por ser muito quadrado para o meu gosto, mas eu deveria ter tido a coragem de fazer.

Me senti intimidada por ter sido selecionada para uma turma "fraca" (mentira porque a turma não é fraca) de balé, e por saber que tinha gente muito melhor do que eu fazendo esta audição. Tenho uma colega de mestrado formada pela Julliard. Tenho várias colegas que dançaram em companhias de balé profissionais, para não mencionar as menininhas novinhas fisicudas que foram aceitas na graduação. Além da garota que foi selecionada para o So You Think You Can Dance e largou o reality show para fazer o BFA na NYU.... E todas estas estavam lá "competindo".

A vida de bailarino é dura. Assisti a audição e tenho certeza que eu teria ficado nervisissíma e me perdido um monte. Mas tinha muita gente mais fraca do que eu lá, se pondo a prova, e é isso que importa. Quando cheguei em casa, liguei meu pc e vi os comentários me motivando a sempre buscar mais e me senti um fracasso por não ter tido mais coragem. Que fique a experiência para que eu tome atitudes mais corajosas da próxima vez.

E termino com algo que anotei numa das aulas da semana - a de teatro - que é um grande desafio pessoal:

"You are enough if you use all of you!"
Kay Cummings

Sunday, August 29, 2010

Só sobre a solidão...



(Hoje estou fragmentada, então meus pensamentos vão assim mesmo.)

É tanto tempo andando por aí sem ninguém com quem dividir meus pensamentos.

Parece que eu vou explodir se eu não escrever. (Sabe aquela sensação da penseira?)

Enfim... acho que a solidão nos dá tempo para pensar e filosofar sobre tudo.

O que exatamente significa a solidão?

Ela é no mínimo engraçada.

Eu tenho estado sozinha e me perdendo na multidão.

De vez em quando rio, as vezes choro. Mas na maior parte do tempo só fico observando e pensando sobre tudo.. e sobre nada.

Adoro oposições, para mim elas movem e estabilizam o mundo.

Onde eu estava com a cabeça? Eu sou tímida e medrosa!

Mas sou proporcionalmente teimosa, portanto só volto daqui com (pelo menos) um diploma.

Friozinho na barriga.

Fim da marmata e da semaninha de reflexão, férias e solidão. Amanhã começam as aulas num lugar completamente novo.

Tuesday, August 24, 2010

from NY


Now it´s done.

Após angústia, expectativa e muita batalha estou finalmente aqui em NY.
Começei este blog há alguns meses para arrumar uma maneira de dividir esta minha experiência com tanta gente que espera notícias.
A última semana, anterior a minha mudança, foi marcada por muitas despedidas e muita gente me ajudando. Nunca esperei ter recebido tanto carinho! Só tenho agradecer pela oportunidade que me foi dada e principalmente por cada pessoa que me trouxe até aqui.
Recebi visita das minhas amigas mais queridas da facul; recebi muitas cartas de alunas quando menos esperava; ganhei uma festinha surpresa; com dificuldade disse tchau para minhas alunas queridas da JO e recebi a dedicação das melhores tias do mundo que procuraram garantir que eu conseguisse chegar aqui...
E fui me despedindo aos poucos de cada um. O mais difícil sem dúvida foram aqueles realmente próximos no qual sou mais ligada...meu noivo (que invadiu meu blog abaixo), minha mãe, pai, irmã, irmão e melhor amiga.
Tive a honra de ter todos esses, somados as primas, tia e avós me levando no aeroporto. E algumas coisas que acontecem nos surpreendem sobremaneira, não? Uma demonstração de emoção do meu irmão é equivalente a nevar no Ceará e não é que até ele, que é alguém que tem um poder muito grande sobre mim, se emocionou? Segundo meu pai o problema de falta de chuva diminuiu depois de domingo. Eita família chorona, é por isso que eu sou assim.
Quando entrei no portão de embarque deixando meus entes mais queridos para trás me senti trazendo um exército de gente morando dentro do meu peito, como se cada pessoa que torceu por este meu sonho estivesse indo junto comigo. Nunca me senti tão feliz e amada...
É claro que todas as despedidas foram muito tristes, pois não é fácil deixar para trás uma rotina e o conforto da sensação física daqueles que você ama. Mas tudo isso se fez necessário para que eu pudesse vir para cá perseguir um sonho de crescimento pessoal e profissional.
Foi engraçado como todo o meu percurso até NY foi marcado por pessoas bacanas. Parece que neste processo eu deixei de ter só uma mãe, mas passei a ter umas 10!!!
Logo na espera do portão de embarque encontrei um casal de americanos que começou a bater papo comigo e em seguida eu já estava escutando: NY is a big town, be always aware, you can get lost if you party too much (I´m not a party girl..) and stuff like that.
No avião fui meio maltratada pelas aeromoças que não gostaram muito deu ser vegetariana e ter ousado perguntar se tinha alguma opção para meu caso. E depois uma delas quase enfartou pq eu fui passear pela primeira classe em busca de um toilet ( pois o da minha area provavelmente tinha uma pessoa morta/dormindo dentro). "This is off limits"... mas meu humor tava tão up que não me senti intimidada com gente chata e grosseira.
E meu "amigo" judeu (de chapelão e barba) que estava sentado ao meu lado foi mais uma boa alma cruzando meu caminho...
Ao chegar em NY a alfândega foi tranquila, fora o fato de termos que assistir o vídeo institucional "welcome to America" umas duzentas vezes durante o período de espera na fila. O oficial da imigração ainda puxou papo e me perguntou se eu ia ficar famosa (pq as pessoas sempre acham que quem faz arte em NY necessariamente vai ficar famoso?). E um outro guarda (o das malas) me perguntou onde eu ia: ao mencionar dance, tisch school of arts e NYU na mesma frase o guarda disse que ia me dar um presente... pediu um papel e anotou um código de desconto para convidados para o musical Fela! Me senti com uma estrela na testa...
Com muito custo levei as malas pesadíssimas até um taxi. E olha o nome do meu amigo taxista : Islam Mohamed... isso é NY, sem mais comentários. Fui perguntando tudo para ele feito uma matraca e ganhei de quebra um tour dos bairros/ regiões do trajeto JFK ao Lower East Side.
E neste momento veio a parte mais complicada de toda a viagem: subir 5 andares com uma mala enorme de 30kg, outra menor de uns 6kgs, mais duas outras malas de mão pesadas. Fiz duas viagens: na primeira levei as menores e na segunda retornei para só subir com a grandona.
Fui puxando degrau por degrau e no caminho um moço saiu de algum ap e passou por mim com as sobrancelhas levantadas, um ar de riso e disse: Well... have fun!
Pois é Carol: Welcome to NY!!! Meus dois braços estão arrebentados até agora! ( mas tudo vale a pena - qual seria a graça se eu não tivesse uma história para contar?)
Enfim... desde então tenho corrido atrás de me ambientar e organizar tudo que preciso na NYU. E além disso continuo numa busca desesperada por um local para morar...
É isso...
Agora vou escrevendo minhas impressões aos poucos... Tenho tanta coisa ainda por escrever.
É um mundo novo, pessoas malucas por todo lado e culturas diferentes transbordando pela cidade.
Estou amando cada detalhe daqui e tenho a certeza que esta é a minha cidade favorita desde já!!
Finito então...


Monday, August 23, 2010

INVASÃO



AMAR SE APRENDE AMANDO


"O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.

"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim."

postagem by Nicolas "Pirata"

Tuesday, August 17, 2010

Sem mala.




Ainda não fiz muito progresso.
Mudar significa escolher o que vai e o que fica.
O que é importante e o que é supérfluo.
Significa desapego e coragem.
...
Ainda não fiz a mala, mas faltam só cinco dias.
O que levar?

Se fosse uma mala mágica eu faria o seguinte:
-levaria um teletransporte para eu poder toda noite dar um beijo no meu noivo e na minha cachorra.
-levaria miniatura das pessoas queridas em potinhos de azeitona
-levaria uma máquina de fazer comida vegetariana e outra de fazer comida japonesa.
-levaria minha Gaynor que viria com balance e giros inclusos.
-levaria meu sapato de sapateado normal mesmo
-levaria todas as minhas blusas na cor branca e teria um cachecol e uma polaina diferente para cada dia do ano.
-levaria todas as roupas auto-limpantes.

Sunday, July 25, 2010



Por enquanto eu sou fraca.
Deveria ser corajosa.
Deveria ser ponderada.
Deveria amar sem esperar nada em troca.
Mas tento. Às vezes.
Deveria criar mais, dançar mais, arriscar mais.
Deve ser por isso que estou indo embora.
Agora vai ter que ser na marra.
Ou dança ou danço.
E depois de tudo,
espero que eu fique um pouquinho
(que seja)
mais forte.

Tuesday, July 6, 2010

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