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Wednesday, June 18, 2014

A vida dói.

Trabalhando muito duro esqueci da felicidade que é fazer o que eu amo. Parei de escrever sobre tudo e sobre nada. 4 anos de NY e a cidade bateu bastante em mim. Estou exausta, frustrada, e violentada por essa vida. Acabou a lua de mel.

Meu hiato em escrever é prova que parei de olhar ao meu redor, parei de querer ser criativa, parei de ter prazer em pensar e ser artista. Mergulhei na prática dura do dia a dia. Nas mil tarefas de ser coreógrafa aqui em NY. Em ter 5 empregos, 4 não pagos, e 1 money maker degradante.

Me sinto humilhada por estar comendo o pão que o diabo amassou. Uma coisa é vir atrás do sonho, cheia de orgulho e esperança. Outra é enfrentar as dificuldades diárias, profissionais e financeiras.

Mas não estou mal. Estou no melhor ponto que já estive como coreógrafa. Estou cada vez mais me aprofundando na minha pesquisa criativa e tenho consolidado minha companhia com um trabalho regular com minhas bailarinas e colaboradoras. Só é muito difícil. Fazer dança contemporânea numa cidade onde tem tanto artista de qualidade gera muita pressão. Mas mais do que isso, para coreografar e manter trabalhos artísticos aqui dependo de estar constantemente fazendo contatos, criando relacionamento com doadores e público americano.  E fica difícil, quando minha vida inteira foi no Brasil. E só agora as pessoas estão ouvindo meu nome. Em suma, é um trabalho de criar reconhecimento e criar contatos. E vamos falar a verdade? Não sou lá uma pessoa extrovertida e social. Não sou mais anti-social, como era há alguns anos atrás. USA me fez aprender a me apresentar para gente que não conheço, começar conversas na minha área e demais demandas dessa sociedade esquisita. Mas mesmo assim, sempre tem uma mini-barreira da língua. Nunca vai ser a mesma coisa que  conversar o bom e velho Português.

Tenho agora mais do que nunca buscado achar o meu eu de anos atrás. Meu eu estudante era muito mais positivo do que meu eu da vida real. Essa busca me faz olhar para dentro e ver o que está faltando. A disciplina de dançar quando não se tem mais uma escola. De me manter fisicamente ativa da maneira que amo, sendo que é tão difícil encontrar aulas que me satisfaçam. Dói olhar para dentro e ver minhas falhas. Dói escrever sobre elas. Mas escrever sempre foi meu desabafo e válvula de escape, então acredito que quando crio coragem de fazer o que estou fazendo agora, estou andando para frente.

A vida dói porque a gente fica preocupada com o que falta, com o sucesso que a gente ainda não alcançou, com tudo que a gente quer fazer e ainda não conseguiu. A vida dói porque colocamos muito peso no futuro, e esquecemos do agora. E o agora já passou. Mas sentir dor é algo bom. Me faz humana, me faz prestar atenção e acordar. Acordar para o agora, acordar para a hora da mudança. E acordar para a felicidade e sorte que já tenho: minha maior felicidade são as pessoas na minha vida. As pessoas que estão pertinho e as que estão longe. Meus amigos aqui. Minha melhor amiga que vai casar. Minha família no Brasil. Meu marido para quem volto correndo para casa todos os dias. Me sinto muito abençoada no âmbito familiar e pessoal. Quantas pessoas podem dizer que estão mais da metade da sua vida com o mesmo companheiro, e que o relacionamento só melhora com os anos?

Enfim, a vida dói. Mas tem que doer mesmo... para a gente crescer.
E no final das contas tudo vai passar: corpo vai morrer,  carreiras acabam e recomeçam, dinheiro vem e vai embora, coisas materiais apodrecem. Mas as experiências com as pessoas que convivemos é eterna. E está aí a vida verdadeira.



Foto tirada pelo Nicolas comigo voando e Allie Tsubota numa dança instalação que fizemos em Abril.




Friday, August 17, 2012

I love NY

Vi este vídeo e de repente me lembrei porque eu amo tanto NY.

A Year in New York from Andrew Clancy on Vimeo.


Eu sei que não parece, mas estou aqui, devagar e sempre.
Pensando no blog e nos meus amados do Brasil com tanto carinho.
É tanta coisa para dizer, mas tem sido difícil já que agora estou trabalhando em vários lugares e devo medir tudo que escrevo com mais cautela do que já fazia antes.

Ás vezes acabo ficando de mãos atadas. Quero chegar e desabafar meu dia escrevendo no blog, mas acabo me sentindo sufocada e segurando tudo dentro de mim. Porque prefiro dividir as coisas boas e produtivas da minha vida, do que deixar este blog virar um poço de lamentação.
E como ultimamente tenho ficado frustrada com algumas coisas por aqui, acabei optando por ficar quietinha e esperar melhores ventos passarem.

E este vídeo me fez feliz. Fiquei com vontade de dividir estas imagens com meus fantasminhas abandonadinhos. Pois é por isso que eu amo NY.

Friday, July 27, 2012

Geladeira, sangue e croissant.

O diazinho:

Brigo contra o sono para acordar
levanto
enrolo
trabalho
Busco a disciplina desta nova fase da minha vida

Arrumo a casa
estante para lá
livros
Olho fotos com carinho
Almoço

Nicolas prepara o almoço
batata recheada

eu estou tensa
Me sinto pronto para explodir por algum motivo

Descubro que é o dia da Avó
Penso nas minhas duas avós no céu
Choro

Vejo receitas de vó
Penso na mesa posta da minha avó Anacyr
Nos doces da Vovó Nilza
E nas receitas que eu nunca aprendi

Choro

Nicolas resolve limpar a geladeira.
Do nada ele corta o dedo do pé.
O corte sangra muito e eu não dou bola.
Bailarina tá acostumada com desastres no pé.
Curativo.

Ele volta para a geladeira
Ele fura e estraga a geladeira
Balde de água fria e nervosismo
Quando finalmente estamos colocando a vida em ordem e ajeitando a casa, isso.

Mas a culpa não é de ninguém.
Shit happens.
O pé não pára de sangrar.
fazemos mais um curativo.
E agora eu fico preocupada.

Pesquisamos rapidamente preços de mini geladeiras como a nossa.
Num impulso, paramos tudo e vamos atrás de comprar uma geladeira.
O Nicolas vai mancando.

Chegamos na target e só tem 1 geladeira muito cara para nosso bolso.
Voltamos desapontados.

Nesse ponto, o Nicolas checa o pé e descobre que o curativo não segurou nada.
o pé dele continua sangrando.
voltamos para casa
Fazemos mais um curativo
e ele sai

Fico em casa sozinha
Skype com mamis

Dor de cabeça infernal
Muito choro

e mistura saudades, com preocupação, com medo do futuro
com decepções comigo mesma.
E a cabeça gira e tudo parece sem esperança.

Mamis alegra o meu coração.

Ligo para o meu landlord.
Ele toca a campainha.
Mostro a geladeira.
Ele pede 1 minuto.
Ele sai.
Ele volta carregando outra geladeira.
Ele pega a estragada e a gente coloca na rua.
Ele não me cobra nada.

E eu chorei tanto.

Limpo a nova (velha) geladeira.
coloco as comidas de volta,
sem me preocupar se elas estragaram ou não.

Minha cabeça dói.
Fome.
E a maldita da preguiça.
E o cansaço.

Como qualquer coisa.

Perco meu tempo assistindo tv.
Mas a dor de cabeça diminui um pouco.

Falo com a Alana.
Choro mais um pouco.

Eita saudades que dói viu.

Chuva.
Trovão tão alto, que parece que ele mirou a minha casa.
E pensou: vamos assustar a Carol, pq hj ela está vulnerável.
Mas a chuva passa.

Crio vergonha na cara e às 11:30 da noite vou comprar algo para mastigar
Algo que não esteve no drama da geladeira descongelando.

Um gesto bom.
O vendedor que me conhece, me dá um croissant e arredonda minha conta para menos.

De volta em casa.

Ar condicionado
Ventilador
banho gelado (não estou doente, é que está quente demais até para mim)
Croissant do amigo caridoso

Skype com a Titia
Mais umas lágrimas de saudades.

Computador
Blog
Agora.
Boa Noite

E aguardo um amanhã melhor.
Sempre.




Thursday, July 5, 2012

Update - retorno à vida.

Faz três meses que não escrevo aqui.
Eu me formei.
Minhas duas amadas avós faleceram num espaço de duas semanas. Bem enquanto eu coreografava minha última apresentação na NYU. E recebia meu diploma no estádio do Yankees.
Um buraco em mim, exatamente no meu momento de maior realização profissional.
Minha mãe esteve aqui e foi a melhor coisa do mundo.
A saudade da minha família bateu mais forte do que nunca.
Estou há 10 meses direto sem colocar o pé no Brasil.
Tudo bagunçou na minha cabeça.
Meu coração vai ser sempre brasileiro, mas minha estrutura profissional é americana.
Ficar ou voltar?
Estou aguardando a regularização das minhas papeladas, mas a princípio, ficar por mais um ano...

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Meu estágio no Brazilian Endowment for the Arts está ótimo. As vezes me sinto no filme "O Diabo veste Prada", tenho que correr atrás de tarefas impossíveis que não tem nada a ver com o que eu faço. Mas ao mesmo tempo, estou tendo a oportunidade de conhecer um grupo de profissionais, artistas e de contatos impressionante. Ligar e conversar com um ministro foi um dos pontos altos até agora.

Consegui um work exchange na Triskilion Arts. Glamour zero: limpo um teatro/sala de dança e em troca ganho duas horas de espaço free para ensaiar com a minha companhia. Mas está valendo... vocês tem alguma idéia do quanto custa o aluguel de uma sala por aqui? Sai por no mínimo U$15 a hora... E como eu não tenho salário que pague sequer meu aluguel, eu não teria como viabilizar ensaio para minha companhia se eu não arrumasse um deal deste tipo.

Passei no Festival Internacional de Videodança da Amazônia e no Dança em Foco com o meu trabalho Ruína. Com a coreografia Piece #4 entrei num festival super bacana chamado The Current Sessions (no dia 15 de Julho) e num festival no teatro Dixon Place, em Agosto.

Consegui criar meu website em inglês.... e fiz tudo sozinha!

www.carolmendes.org

Também passei em uma audição e entrei numa companhia nova por aqui: Silva Dance Company. Sim, de um coreógrafo brasileiro! A companhia tem uma linha mais comercial, que mistura contemporâneo e capoeira. É extremamente físico e tá valendo muito a pena para mim neste momento.

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Muitas coisas aconteceram. Pensei em retornar ao blog várias vezes, mas nunca consegui.

Acho que escrever no blog está ligado à minha produtividade interna. Por mais que pareça que eu tenha feito um monte de coisa desde que me formei, nestes últimos meses tenho me sentido numa eterna ressaca da NYU. Estive absolutamente improdutiva.

Espero que meu retorno ao blog esteja marcando minha volta à produtividade.

Meus sonhos são tantos. Tenho tanta coisa pela frente, mas a vida é tão difícil.
Principalmente por ter que trabalhar numa área completamente negligenciada por todos, lutando a cada dia para sobreviver e viver de dança.

Que o cara lá de cima me ajude, apesar de eu estar meio desmerecedora de ajuda.

A disciplina de trabalhar sozinha (escrevendo projetos em Português e em Inglês, fazendo audições, me mantendo em forma) é muito dura.

Mas vamos que vamos.

E obrigada à Paulinha, que me mandou um e-mail lindo que me inspirou a voltar a escrever.

E bora trabalhar....

Tuesday, February 14, 2012

Dias impossiveis...




Dias impossiveis acontecem de vez em quando. Ontem foi um dia impossivel. E eu sobrevivi.

Acordei quase atrasada e corri para a primeira aula da semana. Tive aula de escrita com um professor convidado. O cara é artista plástico e escritor. Ele mistura palavras e conteúdos visuais, de forma bem interessante. Fiquei inspirada para escrever de forma mais maluca.

No meu curto horario de almoço - 30 minutos- comprei comida, imprimi um documento, assinei o documento, e engoli meu mac and cheese em 40 segundos.

Fiz a aula de ballet com o mac and cheese na boca do estomago e com a lingua queimada. Mas pelo menos o lado bom de estar tão cansada fisica e mentalmente é que tudo funciona: todos os giros, balances e intenções.

Depois da aula tive 15 minutos de intervalo e corri para resolver a inscrição num festival de videodanca. Passei os documentos para o Nicolas scannear e voltei correndo para minha project class.

Nesta aula todos os coreógrafos da companhia mostram suas coreografias e recebem feedback de uma banca de professores e alunos. Dancei primeiro na coreografia da Suzanne, que é sobre processo em Dança, e em seguida na da Erin, que é sobre o 11 de Setembro. Estou amando fazer parte destas duas coreografias.

Quando mostrei a minha coreografia e ouvi o feedback dos professores e alunos fiquei muito surpresa e satisfeita. Foram só coisas positivas sobre meu trabalho. Desde alguns comentários do tipo "é bem Carol", até palavras como imprevisível e divertido. Um dos meus professores falou que minha coreografia é como se eles entrassem em um filme "mudo" onde todo mundo se expressasse numa língua diferente.

(Na minha cabeça o mundo é meio exagerado e as pessoas deveriam andar de ponta cabeça, ter acessos de choro, comer chocolate, ficar rindo à toa...)

Em seguida a isto, tive meu ensaio. Apesar da semana passada que estive me sentindo travada quanto ao que coreografar, este fim de semana foi bem produtivo e consegui descansar a mente, tomando decisões sobre coreografias, vida e dança.

Para alguns pode parecer muito fofo/bonitinho o fato de eu estar morando em NY e tentando ganhar a vida como bailarina e coreógrafa. Mas na realidade é muito difícil. Eu mesma estou o tempo todo me questionando. Por que que eu faço isto? Dança é importante? O que eu quero dizer com minhas coreografias-trabalhos? Em um mundo tão amplo, o que eu estou fazendo para colaborar-questionar-mudar a situção em que vivemos?





Enfim. Meu ensaio foi mega produtivo. Sempre tento deixar meus bailarinos a vontade. E nesta coreografia ainda por cima, elas tem que comer chocolate no palco, então no ensaio eu levo kisses da Hershey's para elas irem treinando. Vocês podem imaginar o quanto elas gostam.

Em seguida tive mais 10 minutos de intervalo, tempo que usei para falar com o Nicolas, que conseguiu escannear os documentos que precisávamos. Corri para o 6o andar (pelas escadas... é óbvio) e mandei um e-mail inscrevendo o videodança Ruína (feito em parceria com a produtora Mariachis Audiovisual).

Voltei correndo 4 andares de escada, engoli um Yogurte e tive mais 1 hora e meia de ensaio da Suzanne. Ao fim deste ensaio, não tive tempo de beber e comer nada e a Erin já começou o ensaio. Normalmente seriam mais 1 hora e meia de ensaio, mas ela propôs que nós ficássemos até 10:30pm (ao invés de 9:45pm), como costuma ser, para termos o dia seguinte off. Todos topamos é claro.

Foram 13 horas de aula-trabalho-ensaios direto, com apenas 50 minutos de intervalo (que na realidade usei para resolver coisas). Ou seja, foi um dia impossível. Mas que cumpri tudo que precisei.

E para coroar a Segunda-feira eu tive a infeliz idéia de voltar para casa de ônibus, ao invés de metrô. O maridão abençoado veio me buscar e me acompanhar até em casa. Entramos no ônibus e por alguma triste razão a ($%$*%$%$) motorista foi dirigindo a 15kms/h.

Cheguei em casa as 11:40 da noite. Fui tomar banho, finalmente comi algo, assisti um filme até as 2 da manhã e fui dormir.

Yeah. This is NY.


Wednesday, December 7, 2011

Chove chuva





Chove chuva destes olhos meus.
Chove lá fora.
Chove aqui dentro também.
Quando vai parar de chover?

Porque meu emocional as vezes parece estar ligado a chuva?
Segunda vez que escrevo algo assim...
Mas é a verdade.

É que vira e mexe chove again.

... ... ...

Estou me sentindo uma burra.
É lindo pensar em estudar em outro país, né?
Mas na hora não se pensa quão grande é o sofrimento com a língua.
Falar, tudo bem.
Mas exigem que meus trabalhos escritos sejam muito mais do que tenho capacidade.

Estou me sentindo tão burra e ridícula.
Leio meus trabalhos, corrijo corrijo e corrijo.
E continuo sempre escrevendo de forma inversa ao que eu deveria.

Minha amiga americana senta ao meu lado e edita um trabalho comigo.
2 páginas em 1 hora.
E este foi só o paper pequeno.

Tenho o trabalho do Debussy de 12 páginas ainda completamente estragado.
Burra.
Estou simplesmente com vergonha de mim mesma.

...

Aguenta.
Para o mal e para o bem, falta só mais uma semana.

Sunday, November 6, 2011

Pôr do Sol no Central Park.

Sábado
Acordar as 6hs
Nicolas faz panquecas
Faço uma maquiagem
saio correndo para photoshoot com a Samantha Seagel
Headshot para o portifólio da companhia.

Pego um metrô em câmera lenta
Chego quase atrasada
15 minutos de foto
me sentindo esquisita fazendo caras
para uma desconhecida.

Passo na Union Square
Feirinha de rua
Tá no finzinho da estação e daqui a pouco não tem mais...

Hot Apple Cider
E strudel de maçã.

Ensaio do metrô.
Estou terminando de refinar os detalhes.
To muito feliz com o resultado até agora.
Domingo-amanhã-hoje começam as filmagens.

Emendo direto em workshop de Arts Administration
Muitos pensamentos sobre o futuro.
Should I stay or should I go?
Coreografar? Dançar? Trabalhar para outros ou trabalhar para mim mesma?

Volto para casa.
Eu e o Nicolas vamos aproveitar o restante do dia de sol (frio).

Vamos ao central Park
Está tudo amarelo e laranja
Fall chegou.
O sol está se pondo
O Nicolas bate uma foto
Ele pega toda a essência do nosso dia.

Vamos ao Metropoltan mais uma vez.
É sempre inspirador.
História. Vidas. Retratos. Pessoas
Passado emocionando.
Culturas absurdamente diferentes.
Mas mesmo assim com algo de igual.

Pollock e Andy Warhol.

Cansaço pelas 2hs andando no museu.

Seguimos então para buscar nossos cupcakes de graça.
Promoção que achei no facebook sem querer.
Cliquei coloquei meu e-mail e nome.
Ganhei 4 cupcakes de graça da Sprinkles
( e mais 4 no nome do Nicolas)
Pegamos os do Nicolas hoje.

Janta, skype party, cupcakes.
Ver as fotos tiradas pelo Nicolas.
Me sentir inspirada.
voltar a escrever.

... presente.

E Boa Noite.


Pôr do Sol no Central Park.

Tuesday, August 23, 2011

Pegar um avião.

Eu vou conseguir, não vou? Eu sempre consigo... eu acho.
Meu corpo dividido entre lugares, nenhum.
Sem casa.
De novo, colocando minha vida dentro de uma mala e rezando e chorando para espremer tudo lá.
E fingir que vai ser suficiente.
É nessas horas que eu me pergunto porque eu me coloquei nesta situação.
To cansada, dá medo, de novo. Parece que cada vez é mais difícil ir. Todo mundo me diz que vai ser mais fácil, mas parece tão pior.
Odeio não ter para onde ir. Onde vou chegar?
Eu quero uma casa. Por que é tão difícil? Parece que ninguém ajuda.
Dá a completa sensação de estar sozinha. Dom Quixote teimando em enfrentar o moinho.
Eu sei que eu não to sozinha, mas as vezes custa a acreditar.
Parece que cada minuto que eu enrolei agora sufoca o meu pescoço e torna esta semana final aqui no Brasil um caos.
Tenho tantos tchaus para dizer, de novo. E não vai dar tempo.
Não sei quanto tempo me resta com cada pessoa querida que estou deixando aqui.
Eu preciso acabar minha mala, decidir o que entra e o que não, e eu só consigo chorar compulsivamente.

Dói tanto.

Para o bem ou para o mal, sábado eu pego um avião.

...

Tento não ser tão pessoal, mas as vezes falar para o vazio - escrever - ajuda a organizar a mente; lavar as lágrimas e me dar impulso para continuar em frente.

Thursday, June 30, 2011

Temperamento do dia:

Tristitia

Zen
Psicótica
Depressiva
Apática
Histérica
Medrosa
Emotiva
Feliz
Muito triste
Agradecida
Mau humorada
Hiperativa
Corajosa
E Problemática

...

E Boa noite para você que é normal.

Tuesday, May 17, 2011

Balanço do ano.

Como começar?

Passei os últimos dias sem escrever porque tive que digerir algumas informações.
E para isso eu precisei gastar tempo fazendo nada. Ou qualquer outra coisa que fosse inútil.

Na semana passada tive minhas últimas aulas do semestre (neste formato que eu vivenciei ao longo do último ano). E desde que eu moro aqui e vivo sob este sistema educacional meu calendário está funcionando americanizado.

O meu primeiro ano de mestrado acabou. Tirei férias por uns dias.

A partir do ano que vem toda a estrutura do meu curso fica completamente diferente, o que significa que eu vou ficar perdida de novo por pelo menos 5 meses.

....

Na semana passada tive aulas segunda-feira e depois não tive nada na terça e quarta (em que eu me proibi de escrever no blog porque eu precisava estudar). Fiz a minha última prova na quinta. Na music final do semestre anterior (a que caiu no dia do meu aniversário) eu passei 5 hs fazendo a prova. Então na quinta passada eu cheguei preparada para o pior. Mas até que foi tranquilo, o professor amoleceu.
Na sexta eu fiz um picnic no Central Park com algumas amigas e fui pegar os vídeos dos meus trabalhos na faculdade.
No sábado e domingo eu passei praticamente todo o tempo assistindo filmes. Aluguei cerca de uns 15 filmes e fui assistindo... (Porque lógico que eu tive que compensar os 4 meses sem tv e sem assistir nenhum filme em um único fim de semana).
E segunda e terça desta semana eu comecei a colocar a vida em ordem. Comecei a fazer mala, tive um ensaio, aula de final cut, coisas que eu me arrumei. Sarna para se coçar.

....

Mas deixa eu voltar de novo no tempo...

Terça-feira passada: Meeting with Faculty.
Eu na frente de todos os professores, durante 10 min. Sabia lá Deus para o quê.

Cheguei quase atrasada. (E olha que desde que eu vim para cá eu sou um primor de horários). Peguei um táxi para conseguir chegar e falei para o taxista: "Preciso estar do outro lado da cidade em 10 min. Corre. Please". Foi a primeira vez que fiz isso por aqui. O taxista quase dirigiu como eu.

Enfim, entrei na sala e lá estavam: Phyllis (composição), Kay (teatro), o chefe de departamento, uma professora de balé, meu advisor Jim, o professor de música, a Deborah Jowitt, e duas professoras de contemporâneo, a Pam e a Renné.

Todos sentados em cadeiras formando um círculo. E uma cadeira vazia a minha espera.

Cheguei tão esbaforida que não tive nem tempo em me preocupar com o formato fadado a possível desastre.

Sentei.

Todos calmamente olhando para mim e eu olhando de volta curiosa, pronta para ouvir todo mundo despejar coisas em mim.

Então o chefe de departamento, com a sua voz calma e conversativa me perguntou: E aí Carol? O que você tem para nos dizer? O que anda acontecendo?

Eu respondi surpresa: Mas sou eu que tenho que falar?

Sim.

Em 1 segundo eu organizei minha cabeça e abri minha torneirinha de asneira e falei por 5 minutos.

E foi aí que eu tive a revelação... ou o balanço do ano.

Então vamos com uma adaptação do meu discurso aqui também:

Bom. Quando eu cheguei aqui eu não tinha a mínima idéia de como eu tinha sido aceita neste programa. Eu tinha dúvidas se eu tinha qualidade, se eu era boa o bastante para estar entre gente que me impressionava tanto.
Eu tive muito medo.

Mas aos poucos fui descobrindo coisas novas em mim mesma.
Eu tive coragem de tentar conseguir alcançar as coisas que eu achava que eram meus próprios limites, e cada vez que eu tentava uma coisa eu me surpreendia ao ver que eu não só era capaz de fazer aquilo que eu tinha medo de tentar, como eu era muito melhor do que eu esperava.

Foi um processo de descoberta comparando o que eu era, o que eu achava que eu podia ser, e o que eu de fato sou: alguém com capacidades ilimitadas de mudança e desenvolvimento.

Comentei como eu me sentia perdida no Brasil. Num limbo onde a minha única possibilidade era dar aulas. Eu amo dar aula. É uma paixão enorme. Só que exatamente por eu ter esta paixão por dar aula que eu me cobro quanto ao meu próprio conhecimento.

Como alguém que tinha acabado de sair da graduação, sem experiência de mundo de dança, pode achar que sabe alguma coisa?

E foi aí que eu tomei esta decisão de vir para cá. Nunca me senti encaixando em nada no campo da Dança brasileira. Sempre fui muito criticada. Sempre me senti comparada e menosprezada.

Aqui não.

E fui isso que falei para os professores.

Quando cheguei estava com medo. Vim preparada para o pior. Mas nunca me compararam com nada, a não ser com os meus velhos padrões.

E o ambiente desta faculdade foi propício para me cercar de pessoas extremamente talentosas, que admiro muito, e me servem de inspiração. E ao mesmo tempo a escola me deu suporte para eu me sentir feliz e pronta a realizar novas coisas.

A Carol que entrou um ano atrás na NYU, que deixou a família para atrás, e veio trazendo medos, não existe mais.

(Isso não significa de forma alguma que sou a senhora-positiva-sem-medos, mas só que agora eu sou feliz e paciente com as minhas dúvidas. Faz algum sentido?)

Então continuei a falar e disse que agora quando me perguntam: E aí Carol? O que você vai fazer? Você vai continuar em NY? O que você quer fazer depois do curso? Etc.

Eu não me desespero, e eu respondo com todas as letras:

Eu não sei!!!

Mas olha que maravilha?

Tantas portas. E basta ir atravessando todas que eu vou achar mais portas ainda. Sem andar para frente a gente não enxerga onde as coisas vão dar. Só dá para ver um pouquinho de cada vez. E ser paciente enquanto seguimos andando.

A primeira coisa que eu gostaria, óbvio, é dançar.

Eu já tinha desistido de mim mesma. Eu sei que eu não sou nenhuma maravilhosa em técnica, tenho muitas dificuldades, então eu vim para cá com a esperança de dançar um pouco durante o curso e depois estar preparada para fazer outras coisas.

Mas não teve jeito. Eu agora acredito que eu posso entrar em algum lugar. Dançar nem que seja um pouquinho em alguma companhia pequena.

E neste meio tempo eu contínuo com meus projetos coreográficos e de video-dança. Que tal?

E se eu vou voltar para o Brasil? Claro que sim. Vou tentar ficar aqui um pouco mais, porque por aqui é mais fácil deu me sentir em casa dançando. No Brasil eu me sinto um alien.

Mas seja a porta que for. Eu vou entrar.

E quando eu terminei de falar, minha amada professora de composição, a Phyllis, deu um sorriso e disse que depois de tudo que eu falei eles nem precisavam falar nada...

Mas é lógico que eles todos falaram.

E foi muito bom, após um ano de trabalho árduo ouvir um feedback de como estes meus professores me enxergaram. E o que eles acham dos meus sonhos.

Eu agradeci emocionada pelo fato de estar ali. Foi a primeira vez que eu tive a oportunidade de dizer em voz alta o quanto eu sou grata por ter sido aceita neste curso e como isto é importante para mim.

Em retorno recebi muitos comentários, a maioria positivos, sobre a minha postura e meu desenvolvimento.

Meu chefe de departamento disse que nunca tinha pensado em mim como alguém que tem medo.

E meus professores de técnica falaram para eu não me colocar limites. Que eu sou nova e para eu achar minhas maneiras de fazer as coisas.

E então a Reneé, que me viu improvisando uma vez só, me disse: Você é excelente improvisando. Use isto. Esta é sua forma de explorar técnica.

Já estou usando. Achei minha ferramenta favorita.

E a Phyllis com as suas pérolas... Ela falou na vozinha aguda mais engraçada que existe, que teve muito trabalho comigo. Que no começo ela teve vontade de pegar uma faquinha, abrir minha cabeça e olhar lá dentro, pegar umas porcarias e jogar fora. (E ela falou tudo isto fazendo gestos explicativos...) Dá para imaginar? Ela é uma velhinha de meio metro com cabelo loiro elétrico que coloca medo em qualquer pessoa. Mas eu absolutamente amo ela. Tive muitos professores bons na minha vida, mas a Phyllis é sem dúvida nenhuma a professora que mudou minha forma de enxergar, e de dançar.

Meus cadernos são cheios de quotes das frases dela:

"Don't let yourself interfere in your art.. Let yourself merge in your art!" - Phyllis Lamhut, May 5th


Enfim.

Saí da minha conversa de 10 minutos tão feliz e tão realizada.
Não tenho a mínima idéia de onde minha vida vai parar, mas estou simplesmente andando e indo em frente.

E divido isso com vocês aqui meio com vergonha, porque é muito pessoal.

Mas ao mesmo tempo, conhecimento é para ser dividido! E mesmo quem não faz dança, ou não tem nenhuma ligação com arte, pode tirar algo desta minha experiência.

É o fato de acreditar em si mesmo. Como meu pai dizia lá atrás para mim: não se mostrar nem mais do que você é, nem menos. Mas sempre buscando crescer e dar o melhor de si a cada dia. E aí, por mais que a vida seja dura, dificuldades acontecem, a vontade continua nos guiando.

E quem somos nós pequeninos para saber onde vamos parar? Temos mais é que seguir sonhando e buscando.

Algum dia a gente chega em algum lugar.

Algum dia eu chego.



Sunday, March 20, 2011

Um bom dia. Uma boa noite.

Bom dia.
Acorda de manhã, pálpebras pesadas. O corpo se arrasta.
Corre e pega o café da manhã na prorrogação do segundo tempo.
Volta e enrola enquanto escreve no blog, se arruma.
Vai andar no Central Park sozinha, do jeito que gosta.
Curte o tempo, passa minutos olhando fixamente por entres os espaços da árvore com flores amarelas.
Vê a nuvem que gosta em contraste ao azul do céu.
Anda.
Sente uma leve dor no tornozelo esquerdo.
Ainda não está curado, mas o trabalho mental tem operado maravilhas.
Descobre detalhes que nunca viu.
Sente prazer e felicidade na tranquilidade desta solidão.
Mas o parque tem uma multidão.
Passa pelos músicos de rua que voltaram para a ruas.
Escolhe uma pedra alta, nem tão perto dos turistas barulhentos, nem tão longe do soar do saxofone.
Se estende feito uma lagartixa no alto da pedra, encaixa os pés em um vão.
Abre mais um livro da Mary Wigman e recomeça o mergulho na mente de outro ser humano.
Não sabe se julga as más atitudes da Wigman, ou se se identifica com a Mary.
O frio está em volta, mas os raios de sol batendo na testa dão para o gasto.
O acaso brinca, e então ela encontra quem estava procurando.
Corre por entre as ruas cheias.
Come comida japonesa, agora para comemorar o fim das mini-férias.
Que se dane o não dinheiro.
Anda mais.
Volta para o calor da casa.
Escreve mais, vê fotos. Pensa.
Vai para o Guggenheim. Precisa de inspiração.
Hoje é dia de entrada sugerida.
Com um sorriso amarelo anuncia que tem 25 centavos para comprar o ingresso.
A moça não julga.
Kandinsky, Cesanne, Picasso, Toulosse-lautrec, Modigliani.
Até Schoenberg teve vez na história.
É tão pequena, mas se sente tão disposta.
Volta pela última vez para casa.
Mas na preguiça de andar até o metrô resolve voltar andando.
Uma caminhada de 1 hora.
O tempo esfria. Se ontem fez 23 graus, é passado.
Hoje faz 5. E amanhã volta a nevar.
A amiga de passo rápido corre, e ela tem que a acompanhar.
Agora ela está com o joelho e o tornozelo reclamando.
Se arrasta em alta velocidade.
Welcome home.
Aquecimento.
Crab Cupnoodles e donuts.
Escreve mais.
Boa noite.

Friday, March 11, 2011

Umbrellas




Sim.
Meu guarda-chuva virou um pára raio.
Sabe aquele novo que eu comprei que era gigante e supunha-se durável?
É uma lenda.
Guarda-chuvas não sobrevivem a New York.
Chega a ser hilário andar pela rua e ver a cada 10 passos um esqueleto de guarda-chuva abandonado.


E eu saí tarde da faculdade depois de um dia punk.
Passei mal.
Tive dificuldades mil.
E saí com minha mochila nas costas e uma outra sacola no braço e o guarda-chuva na mão.
Abençoada sejam as galochas e o meu novo raincoat vermelho.
Mas mesmo eles não foram de muita serventia já que a chuva vinha numa direção diagonal, de baixo para cima, mirando minha cara e minha mochila com lap top.
E o vento vinha numa direção paralela ao chão, me empurrando lateralmente ou frontalmente.
Então eu tinha que escolher se eu mirava o guarda-chuva contra a chuva ou andava com ele feito um escudo frente à ventania.


Ai seu eu fosse um peixinho e soubesse nadar
Eu tirava eu mesma lá do fundo do mar.




Raindrops stop falling in my head.
Raindrop stop falling from my eyes.



Eu juro que eu queria estar mais feliz.
Mas meu corpo está muito destruído.
O esgotamento é físico.
E meu nervosismo, fruto de tantas preocupações, está bagunçando de vez comigo.
Eu sempre vou me colocar de pé depois de cair, mas confesso que ando vendo tudo cinza.
Está difícil ver as cores.
Muito desespero.
Me desculpem pelo desabafo.
Queria ter força de só escrever coisa feliz e engraçada.



E pensar que geralmente quando chove eu começo a cantar.

I'm singing in the rain.
Just singing in the rain.
What a glorious feeling.
I'm happy again.
Maybe tomorrow, I'll be singing and dancing in the rain.

Tuesday, February 22, 2011

Ques't que la fait rire?

Está aí - minha alma aberta ao público:

(Leia primeiro e veja o vídeo depois, se você gostar de spoilers. Ou faça o contrário.)


Comecei este blog quando fui aprovada na NYU. E mesmo antes de ter sequer certeza se eu iria conseguir o visto, ou se eu ia conseguir viabilizar minha vinda para cá eu começei a ficar obcecada com a idéia de achar uma forma para me manter em contato com meus familiares, amigos e ao mesmo tempo dividir informação sobre as minhas experiências por aqui.

Mas este blog tomou uma dimensão muito interessante na minha vida. Estando aqui em NY eu vivo completamente focada nos meus estudos de dança, mas o que não significa que eu deixei de olhar para o mundo, deixei de ver graça na minha própria desgraça ou de que as vezes eu não preciso esvaziar minha mente simplesmente escrevendo.

Faz um bom tempo que quero dividir aqui um pouco do meu aspecto profissional. Porque no final das contas é o que eu faço a maior parte da minha vida, o restante que está por aqui é apenas o meu olhar aguçado das minhas andanças ou os reflexos das minhas alegrias e frustrações nesta vida maluca que eu escolhi, a de ser artista.

Como vocês devem ter lido nas entrelinhas dos meus últimos posts eu estou ficando enlouquecida com as apresentações deste semestre. E assim vai o programa da NYU, temos aulas de técnica todas as manhãs, as aulas acadêmicas com diversos projetos finais. E acima de tudo temos as apresentações (showings, MFA Concert, etc) que tomam todo o nosso tempo livre (por isso que fico todo dia até às 10 hs e sábado e domingo passo minhas manhãs e tardes ensaiando).

No semestre passado fiz o que considero o meu primeiro trabalho como coreógrafa "de verdade". Antes disso já havia coreografado trabalhos pequenos na Unicamp e minhas turmas de sapateado. Mas nunca tinha me posicionado inteiramente como coreógrafa, criando e dirigindo totalmente um grupo de bailarinos profissionais.

Eu sabia que a pressão iria ser grande em relação ao trabalho que eu criasse. Como se tudo que eu fizesse depois fosse associado com esta primeira impressão por aqui. E com isso em mente resolvi entrar nas salas com meus bailarinos e simplesmente criar sem compromisso de explicar as razões do universo.

Minha idéia foi explorar um pouco a mente feminina e a sensação de estar de saco cheio.
O quanto que nós mulheres temos que sempre agir dentro de determinados padrões e as nossas explosões fora destes padrões.

Talvez eu tenha escolhido este tema inconscientemente porque eu nunca me senti encaixando em lugar nenhum. Sempre me senti dividida entre meus movimentos naturais (que não pertencem a rótulo nenhum) e a dança rotulada.

Isso porque a dança de hoje em dia "dita" natural chamada de dança contemporânea muitas vezes é uma chatice de se ver. E eu sempre sofri o conflito de criar coreografias que fossem inteligentemente aceitas versus criar algo que é simplesmente gostoso de se ver, mas que pode ser vazio.

Mas no final das contas não sei nem dizer o que a coreografia passa para o público. E sinceramente não me importa. Eu comecei desta idéia, mas quanto sentei para assistir meu trabalho o que ele mais me fez foi rir!!!

Ques't que la fait rire? / O que a faz rir?

Talvez rir das próprias neuroses.
Das contradições.
Das relações humanas.
E definitivamente, da vida.




Esta também foi a minha primeira edição.
Vivendo e aprendendo coisas novas...

Friday, February 18, 2011

Improviso



Neste ritmo insano da semana anterior ao MFA Concert alguns pepinos andaram acontecendo de última hora. Fiz uma seleção de figurinos para a minha coreografia, mas quando todas as meninas experimentaram ficou péssimo. Entrei em pânico porque estava contando que eu conseguiria fazer uma combinação de achados do costume shop (estoque de figurinos para empréstimo) da dança.
E ao mesmo tempo, figurinos que eu já tinha alugado (dois vestidos para meu duo com a Cecilia) foi pedido de volta porque houve um engano. Uma professora os queria de volta e simplesmente decidiu não retornar os vestidos e deixar a gente usar.
E para completar, todas as minhas amigas americanas com coreografias no mesmo concert estão investindo do próprio bolso e comprando figurinos para seu elenco, coisa impossível para mim. Não tenho condição nenhuma.
Estava me sentindo um lixo, de mãos atadas.
Mas enfim.
Quem não tem cão caça com gato.
Tá na chuva é para se molhar.
Muitas lágrimas depois e vários sonhos com diferentes figurinos optei por simplificar e pedir por opções de roupas pretas. E não é que ficou ótimo?
Entre mortos e feridos salvaram-se todos.
Coco Chanel, Bob Fosse e Fernada Chama já sabiam e foi a solução:
Nada como um pretinho básico para salvar minha vida.
O figurino do meu duo ainda está incerto, apesar da batelada de ensaios técnicos no teatro começar amanhã...

...

Tudo está na arte de improvisar.
Em como transformar o tombo inesperado numa queda e recuperação com torção.
Saio e giro.
Dou um pulo.
E sigo em frente.


Tuesday, January 18, 2011




Às vezes no ímpeto de abraçar o mundo a razão se perde,

o coração aperta,

a garganta fica seca,

o corpo mole,

e o adeus chega.


OBS: A foto foi tirada pelo meu fotógrafo favorito: Nicolas Pirata
E eu não consigo ajustar o tamanho dela por motivos que desconheço.

Thursday, December 16, 2010

Obrigada


No dia que cheguei aqui e escrevi meu primeiro post, lembro de ter dito que nunca me senti tão querida como nesta fase de despedida...
E agora que estou voltando, e que o primeiro semestre do mestrado acabou, eu posso repetir cheia de gratidão: nunca me senti tão querida...

Quem me conhece a fundo sabe que eu não sou lá muito fã dos meus aniversários. Sempre acabo meio mau-humorada.
E hoje - no meu aniversário - é que eu tenho mais certeza de que posso fechar meus olhos, sorrir, e agradecer por tudo, por cada parte da minha vida.

Obrigada pelos amigos.
Para nós não tem distância.
Obrigada pelas oportunidades.
E obrigada pelas dificuldades que me permitem virar uma pessoa melhor.

Preciso falar que chorei com as mensagens de aniversário?
(As vezes eu tenho impressão que eu escrevo que só choro)
Mas me diz se tem coisa melhor do que chorar de felicidade? Do que chorar de gratidão?
Existe coisa melhor do que ser amada e amar intensamente de volta?

Acho que amo muita gente.
E estou animada para poder dizer pessoalmente para cada um destes como e porque eles estão no meu peito em cada lugar que vou.

Eu nunca passei um aniversário tão feliz e tão cheio de gente.
Porque estão todos bem aqui. Sempre.

Obrigada.

(E escrevendo isso a manteiga aqui se debulha em lágrimas...)

Meu aniversário


Queria ter podido ecrever mais nos últimos dias, mas eu estava tão enlouquecida de trabalhos finais e provas que não pude dividir mais desses meus pensamentos desconexos por aqui.

Mas hoje acabou um quarto do meu curso aqui. Estou aliviada de ter dado tudo que eu podia (Acho que eu sou uma das únicas pessoas com zero faltas em todas as aulas e ensaios!). E feliz e triste que passou tão rápido.

Meu presentão de aniversário foi o exame final de música... Estudei muito (de ontem para hoje... mas estudei- fora o que eu já havia estudado no resto do semestre) e tentei me preparar para o que viesse. (Porque afinal é o meu querido professor tirano de música). Mas eu nunca ia imaginar que seriam seis páginas de perguntas de TODOS os detalhes, e literalmente definições de todos os termos. Nerd que sou, escrevi uma bíblia na prova.

O professor passava ao meu lado e me perguntava se eu ia acabar a prova antes de Maio...
Eu falei que eu ia, mas que eu ia demorar muito. E quem mandou ele fazer 6 páginas de perguntas. Eu disse a ele que ele vai ter umas férias divertidas corrigindo minha prova. E também a-v-i-s-e-i ele que como era meu aniversário, eu queria um A de presente...

O horário da prova era das 11-1. Ele ficou esperando até as 2, e depois teve que ir embora. Aí eu e mais 3 gatos pingados fomos para a secretaria acabar a prova... moral da história, fiquei fazendo uma prova durante 4 hs! (Mas eu que não ia querer ser o professor que vai ter que desvendar minha letra minúscula cursiva a lápis).

Minhas amigas do mestrado esperaram heroicamente eu terminar de fazer a prova e então almoçamos comida indiana. Os dois indianos malucos do restaurante - Taj Mahal - apagaram as luzes do restaurante, acenderam uma iluminação colorida anos 80 (que não tinha nada a ver com o restaurante), trouxeram as sobremesas com velinhas acesas, e ligaram uma música indiana peculiar bem alto. Minhas amigas cantaram um Happy Birthday afinado e eu fiquei com aquela cara que a gente fica quando cantam parabéns pra gente ( cara de nu com a mão no bolso).

Sempre quis fazer aniversário no meio da época de escola para poder ver gente, ganhar abraços... E agora, ficando velha, no meu quarto aniversário de 21 anos, eu tenho um aniversário com uma mesa cheia. Já tenho muitas pessoas queridas por aqui também...

Feliz.

E daqui a pouco tem a comemoração natalina aqui do convento. Que está lindo de tão enfeitado.
Acho que vão cantar parabéns para os aniversariantes do mês.

Festinha pra todo lado.


Friday, November 26, 2010

Listas


Ainda falta...

...andar no parque a beira do rio Hudson
...nevar
...ir pra balada
...ir no zoo do Bronx
... assistir um musical (Billy Elliot, Mamma Mia, Chicago, Rei Leão ou Wicked?)
... assistir o New York City Ballet (já comprei meu ingresso para o dia 8/12)
...sobreviver ao exame de música e à apresentação do Dance Seminar
...comprar tudo que todo mundo tá me encomendando
...ver árvore de Natal do Rockfeller Center ser acesa nesta terça
...chorar toda vez que eu entrar numa loja enfeitada tocando musica de natal (esse item tenho feito, mas continuarei a me emocionar com as luzes que se acendem e iluminam a cidade)
...fazer uma aula de sapateado (amanhã resolvo isso!)
...dançar mais e mais, nunca parar de estudar e crescer. (E quem sabe no meio deste processo ganhar uma bolsa de estudos e um bom emprego... está me ouvindo, cara aí de cima?)


Preciso de...

...dormir por duas semanas
...tomar suco de maracujá
... comer pão francês quentinho com manteiga
...comer queijo minas
...tomar sol
... Natal em família
... comer comida japonesa com minhas (ex)alunas (Klara, Júlia e Ani que sempre me motivam a escrever...obrigada pelos comentários meninas!)
...namorido gordinho e quentinho
...mm
...meus irmãos
... Hopi fedida fazendo festa quando eu chego em casa (os dois primeiros e únicos sonhos realistas que tive por aqui foram com a Hopi, e em ambos acordei chorando de saudades, sentindo a nítida presença que minha querida cachorrinha passou a noite dormindo entre meus braços).

Preciso do Brasil agora, mas gostaria de levar NY no meu bolso.

Saturday, October 30, 2010

Superwoman



Hoje pulei da cama às 7:20, olhei no celular...
Puts!!! Perdi Pilates, e corro o risco de perder minha aula de balé...
....
Ahhh hoje é sábado.
E eu cancelei meu ensaio.
Dá pra dormir até as 8...
....
Estou lutando com todas as energias para me manter saudável, não ficar doente.
Não me machucar.
Mas não falto em nenhuma aula.
Dou tudo que posso.
Chamo isso de síndrome da superwoman.
Tenho várias colegas de turma falling apart pela mesma síndrome.
O único sintoma que tenho apresentado é crises de choro ocasionais e o olho esquerdo sangrento.
Mas fora isso estou fortona.
.....
Quando eu voltar para o Brasil eu vou dormir por duas semanas.

Sunday, October 17, 2010


Ai Clarice,

Não sei.
Acho que sou um quase nada tentando e querendo ser um quase tudo.
Desculpe a melancolia.
É que o frio chegou.
E as lutas se intensificam.

Ainda sempre feliz.
Só que com o lado nada preponderante hoje.

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