Wednesday, September 22, 2010

Sobre comida...


(Porque a Teka pediu e meus familiares ficam me incomodando com isso):

Sim eu gostaria de comer melhor.
Não sou alguém que gosta de comer sozinha.
Comer é um ato social. Ponto.
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Pão dura que sou, estou basicamente me alimentando com as duas refeições que as freiras nos preparam, café da manhã e jantar. Eu aluguei uma pequena geladeira no meu quarto e nela mantenho alguns itens de sobrevivência como leite, cottage cheese, mini cenoura, geléia e hummus/babaganush.
Basicamente sobrevivo pegando o pão de forma da manhã, junto com a salada do jantar anterior e transformo isso em um sanduíche para meu almoço. Levo algumas outras coisas quebra galhos para o dia, e à noite como uma refeição um "pouquinho" melhor.
"Pouquinho" porque as freirinhas são carnívoras (note o duplo sentido) e quando tem carne meu tupperware vem com salada, brócolis mal cozido e algo misto de ovo e coisas estranhas.
Terça é meu café da manhã preferido porque tem waffle e também posso pegar todas as bananas que eu conseguir carregar. Ô miséria.
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Essa cidade é maravilhosa em termos gastronômicos, mas se você sabe onde ir... Como eu não sei, eu prefiro me manter na minha estrutura diária e experimentar algumas coisas diferentes de vez em quando.
Semana passada eu comi meu primeiro cupcake. Sempre achei isso uma frescura danada. Um bolinho fofo, com uma melequinha sem vergonha em cima e um preçinho salgado. (In)felizmente descobri o melhor doce do mundo e provavelmente numa das melhores lojas. Minhas amigas que me levaram lá explicaram que aquele é um dos lugares mais famosos e melhores de cupcakes de NY. (E era uma entradinha sem vergonha, numa ruazinha sem vergonha e badalada do Lower East Side) Ainda bem que eu não prestei atenção no caminho e não sei como chegar no lugar novamente para repetir a orgia gastronômica...
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E só um último detalhe dramático alimentício: hoje teve ovo cozido no café da manhã. Como eu não estava me sentindo com estômago para isso às 6:30 da manhã (sim esse é o horário militar do breakfast) eu guardei o ovo (com casca) na mochila para comer na hora do almoço.
Simplesmente não tive tempo de comer nem na hora do almoço nem em nenhum outro horário até chegar em casa às 20hs. O ovo passeou na minha mochila o dia inteiro, mas cheguei em casa descasquei o treco e comi.
Ai se a Carol fresca que morava no Brasil visse isso. Situação. Drama drama.
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Mas como disse uma amiga de mestrado, esse curso é o melhor regime que já fiz...
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Mas não pensem que eu estou passando fome. Estou fazendo quatro aulas técnicas por dia, mais as disciplinas de mestrado à tarde, andando até o metrô e passando cerca de 14 horas fora da minha casa/quarto. Se eu não comesse direito eu já tinha passado para o lado de lá.

Friday, September 17, 2010

Nem um dia, nem uma hora, nem um minuto.

É a minha mão na barra de balé com a aliança encostando na barra.
E um cara de chapéu que passa na rua.
É um músico tocando jazz.
São as máquinas fotógraficas nas mãos dos fotógrafos espalhados pela cidade.
É a arte de rua.
É o underground, o feio que se torna bonito com seu olhar.
São os restaurantes japoneses espalhados por todas as esquinas.
É a pizza gigante nas mãos dos transeuntes.
É uma grua.
É a comida nada saudável que não tenho prazer em comer sozinha.
É a ausência do calor.
É você fazendo parte de mim a cada segundo.

Wednesday, September 15, 2010

"(...) dance is most deeply concerned with each single instant as it comes along, and its life and vigor and attraction lies in just that singleness. It is as accurate and impermanent as breathing." (Merce Cunningham)

O útil desse blog é que se você é alguém que faz dança, você provavelmente vai fazer parte do meu mestrado comigo. Se você é alguém muito íntimo meu, que não faz dança, você vai ficar realmente cheio de informação sobre arte e processo criativo. E se você é alguém que não me conhece, você provavelmente vai se irritar com o que eu escrevo.




Acordei as 4 da manhã, sem despertador, preocupada com os textos que eu tinha que ler para hoje. Dei conta e amei - vide o trecho do Merce Cunningham. Agora são 8hs e dentro de meia hora tenho que ir para minha bodywork/modern class (hoje é o único dia que a aula começa às 10hs). E só volto às 21hs.
Ou seja tenho mais uma meia hora livre antes de ir para o metrô. Dúvida cruel: escrever aqui ou descansar uns minutos e tentar dormir? dã... Mas provavelmente não consigo mais escrever essa semana.

Fui, atrasada, preparar meu almoço: salada, mini cenoura e humus (não aquele das plantas, o das pessoas).



Tuesday, September 14, 2010

Drops

Hoje vi um cara vestido de batman no meio de uma praça recitando sei lá o quê, começei a rir.

Ontem ao entrar no metrô presenciei um morador de rua na situação mais deplorável que já vi, quis chorar.

Ontem passei fome, passei mal. Em compensação hoje comi banana e uvas passas o dia inteiro.

Hoje fiz audição para aula de pontas. Fui corajosa e não fui mal, minha relação com audições está melhorando.Consegui me manter tranquila, aproveitar a aula e dançar. E que se danem os números, as notas e as classificações.

Ontem fui escolhida para dançar no trabalho da Deborah Jowitt, começei os ensaios, cheguei tarde em casa, cansaço. On the edge. Segunda das 8am às 9pm..

Hoje rebolei na aula de improvisação, levei um elogio da professora considerada lenda e terrível (mas que eu acho maravilhosa). "- You know... this girl come from Brazil, and she can use her hips and she feel very secure about it. Culture makes some difference..."

Estou com um machucado no joelho que fica sangrando o dia inteiro. Descobri novas partes do corpo que podem doer.

Vi vários beagles (e micro beagles) e lembrei da minha gorda fedegosa, deu um aperto no coração. Sim eu quero sentir o fedor da minha Hopi e atormentar a autista da Suzi.

Não entendi lhufas do que a professora de pilates queria. Tive que dublar a aula inteira.

Recebi e-mail do noivo gordinho e senti um quentinho no coração.

Vi uma foto minha e do meu irmão no aeroporto e chorei. Quero ter dinheiro para comprar jogos de wii para ele e mandar no Natal.

Toda vez que falta fé eu lembro do meu aluninho que me ensinou que cantar preenche o coração e alivia as dores.

Toda vez que eu sinto saudades de falar Português e to irritada com meu inglês uga buga eu canto elis. E é sempre o bêbado e a equilibrista... Quando caia a tarde e um bêbado trajando luto me lembrou carlitos.

Começando a criar e coreografar. Dividida entre Debussy, Piazolla e mais alguns. Consegui três bailarinos realmente maravilhosos, grande responsabilidade. Inspiradíssima e empolgada. Idéias e mais idéias. Quem lembra do desiderata? Nada se cria tudo de transforma. Aprimorar minha linguagem. Desejo. Personalidade.

Tem feito frio sobrevivível.

Leia nas estrelinhas...


Sunday, September 12, 2010


Deveria fazer meus 20 assignments para amanhã, but I just don´t feel like doing it...
Mentira, eu até gostaria de fazer, mas prefiro ir no Brunch de uma amiga, porque é óbvio que eu prefiro ir me alimentar. Pois só ando morrendo de fome neste país.
Ontem passei o dia ouvindo Debussy e Uakti, para me inspirar para meus trabalhos, mas hoje eu acordei gaga.

Saturday, September 11, 2010

Oras bolas



Como a criança que recebe o novo com surpresa.
Com o coração leve.
Sensação de flutuar.
Patinando no céu.



Tá... Eu sei que eu sou meio maluca.
Mas para mim isso faz sentido.
Oras bolas.
E depois dos últimos dois post que renderam zero/um comentários acho que faço mais sucesso quando falo nonsense.
Pelo menos divirto as pessoas.
Vocês acreditam que minha mãe disse que riu muito lendo isso aqui?
Poxa, eu abro minha alma, falo umas bobagens e relato minha dura realidade de pessoa perdida e dona de casa de primeira viagem e sou assim tratada.
Vou me recolher à solidão do convento.
(Que por sinal hoje tá parecendo uma balada, toda vez que eu saio no corredor está vazio, mas de dentro do meu quarto fico ouvindo passos, pessoas histéricas e o microondas trabalhando).

Um pé depois do outro. Caminhos. Direções.


Quando penso nos meus amigos, nas minhas alunas, nas minhas colegas de profissão ou até mesmo em um estranho que possa estar lendo as coisas que escrevo, eu fico pensando como as pessoas se acham todas muito diferentes, mas no fundo as ansiedades pessoais, as tristezas e as alegrias são muito parecidas.
É nisso que eu penso quando escrevo sobre dança... falo disso, mas na realidade estou falando de vida mesmo. Somos todos muito diferentes, mas ao mesmo tempo somos bem iguais.

O que é fracasso e o que é o sucesso?

Quantas barreiras nós mesmos criamos?

Qual é o valor dos nossos sonhos?

Quanto vale a pena lutar pelo que aspiramos?

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