Thursday, November 25, 2010

Que Brasil é esse?


Triste com meu país.
Eu aqui, no Thanksgiving, com uma família americana, sou perguntada:
Como são os policiais no seu país?
Como é a política?
E eu não tenho vergonha de dizer, mas a resposta dói.
Dói assumir a pobreza moral e ética em que o Brasil se encontra.

Limpeza?

Para a copa?

Não justifica assassinato.

Não é possível, meu Deus, que tenha outro jeito?

Wednesday, November 17, 2010

Rápido e rasteiro...


(Ashleigh e Hiroki no meu último trabalho).


Rápido e rasteiro só para manter esse negócio aqui atualizado.
Tantas coisas acontecendo que não há tempo de relatar tudo direito.
Lembram quando eu choraminguei aqui que eu ia apresentar um solo na frente de todos os alunos e dos professores, na 1a student meeting do semestre?
Como os nossos padrões se dissipam rapidamente quando a gente se dispõe a mudar e melhorar!
Sempre tive pavor de atuar, mas agora tenho paixão por trabalhar no meu monólogo que vivo apresentando em classe. (Em breve escreverei um post só sobre ele)
E hoje novamente, mais uma student meeting, não só apresentei mais um solo, como o meu solo tem fala enquanto danço.
Como diria a Cássia Navas: quebrando paradigmas.

Estas últimas três semanas foram tão malucas, uma apresentação atrás da outra.
No showing 2 teve a estréia do meu trabalho, que deu super certo.
Antes ninguém sabia quem eu era, mas a partir do meu trabalho as pessoas passaram a me parar no elevador para conversar sobre minha coreografia. E desde então várias amigas de mestrado vieram me pedir para estar no meu próximo trabalho! Uma honra, e o maior elogio que eu poderia receber.
No showing 3 dancei pela primeira vez naquele palco maravilhoso. Dançei um tango de uma amiga. Ensaiei feito uma louca durante a semana passada, mal tendo tempo para respirar. E arrumei um problema no joelho como resultante...
E nesta semana tem a apresentação dos trabalhos dos professores. Estou na coreografia da Deborah Jowitt. A grande estréia é amanhã...

....

Mas o pior de tudo são sempre os trabalhos do meu querido professor ditador de música. Uma análise musical para amanhã, sem nenhuma revisão do meu inglês. To frita.
Não tive tempo de fazer antes (tive duas semanas para fazer... mas foi simplesmente impossível antes com tantos ensaios) então após o ensaio geral de hoje sai correndo para chegar em casa cedo e poder terminar este treco.

Eram 8:20. Entrei no metrô e pela primeira vez dei de cara com um rato. Sim. vocês já sabem que eu já vi ratos antes, mas este era enorme e estava no meu caminho, descendo a escada para a plataforma ( e o rato subindo em minha direção). Tive um piti de nojo e o rato saiu da minha frente. Mas ele tava ali do meu lado na plataforma.

Devia ter percebido que havia um mal sinal... Peguei o metrô e antes da primeira estação tive um insight divino de mexer na minha mochila. Tinha esquecido o cabo do meu lap no armário, o que significava que eu não ia conseguir escrever meu trabalho de música.

Sem pensar duas vezes, saí do metrô e esperei um outro trem voltar. Voltei para a universidade peguei o cabo e fui novamente para o metrô.
Moral da história, cheguei só as 9:45 em casa.

E quando o mundo está perdido mesmo é melhor sentar na graxa com gosto.
Então eu passei no starbucks e injetei cafeína na veia para me preparar para virar minha madrugada analizando Bach.

E já que ainda tenho 6 horas antes do horário de ir para a facul, achei que dava para chutar o balde e escrever aqui.

Amanhã conto se sobrevivi.

Saturday, November 13, 2010

Mais sobre o museu...


Respondendo às perguntas sobre o museu:

Sim tinha um Pollock lindo-maravilhoso atrás de mim.
De todas as obras da parte modernista aquele quadro do Pollock foi um dos que mais me impressionou. É gigante. Dá uma impressão de ordem no chaos...

E o quadro da moça do brinco de pérola, é um quadro pequeninho e sem vergonha, quase passei reto por ele. Ainda bem que sou atenta. Não tem distância nenhuma do quadro. Ele está pendurado numa parede. Se você for alguém maluco você pode tentar por o dedão no brinco da moça. Mas acredito que se você fizer isso agentes do FBI vão surgir do teto mais rápido do que você pode dizer "ops".

E aquela foto com meu reflexo quadriculado é de uma obra que também está na parte contemporânea. Segue mais algumas fotos desta área.







Friday, November 12, 2010

Estudar dança fora do Brasil...

"" Alerta de post mega gigante""

Oi queridos amigos,

Sei que quem entra aqui para ler esse meu blog muito nada a ver é na maioria família e amigos. Mas imagino que pelo fato de eu estar fazendo mestrado em Dança na NYU algumas pessoas da área entram aqui curiosas para saber como eu vim parar aqui.
Estes dias recebi uma mensagem de uma colega da UNICAMP com várias questões e resolvi abrir as respostas aqui para ela e para quem mais interessar.
Afinal de contas conhecimento é para ser passado!!!
E este caminho vale para gente não só da dança, mas de outras áreas que estejam querendo estudar fora do Brasil.

1. Como foi a seleção? Foi dificil? Vc teve que fazer o teste aí ou por vídeo?

A seleção foi acima de tudo trabalhosa. O processo de inscrição numa universidade americana é bem diferente do Brasil então tive que me organizar e ler os sites milhões de vezes até entender cada detalhe que tinha que cumprir para conseguir ser aceita. Começei a me inscrever em Ago/Set 2009 e terminei de mandar o último material que me pediram só no final de Janeiro. E cada universidade tem um processo de inscrição ligeiramente diferente. O segredo é ler, ler e reler os requerimentos e fuçar no site da universidade que você tem em mente.

(Sempre siga os passos da inscrição do site. O que estou escrevendo aqui é mero relato do meu caso.)

O primeiro passo é preencher uma inscrição gigantesca online e pagar taxas (sempre muitas taxas!). Nesta inscrição online (que é bem mais complexa do que um formulário comum) você preenche desde dados pessoais até perguntas mirabolantes ("vc tem algum histórico criminal? Explique"). E junto a esta incrição você precisa conseguir cartas de recomendação (em inglês) de 2 a 4 professores, dependendo da universidade. Outro item que deve ser anexado a inscrição online são o currículo e uma carta de intenção. Dependendo da universidade, podem pedir também uma mostra de trabalho escrito e respostas para questões específicas (Quem são os coreógrafos/artistas que vc mais admira e por que? Quais são seus objetivos artísticos? etc.)

Junto a isso tive que enviar uma cópia autenticada do meu diploma e histórico escolar, além de tradução juramentada de cada um destes itens.

Para a NYU esta é a primeira fase - a de admissão na universidade como um todo.
Em dezembro recebi a resposta que a universidade tinha me considerado apta e então recebi informações do material restante que teria que enviar para a escola específica da NYU, na qual tinha me inscrito - a Tisch School of Arts.

Para a Tisch tive que enviar foto, currículo e vídeo. Sendo o requerimento do conteúdo do vídeo :15 minutos de barra + adagio no centro de balé; exercícios de contemporâneo e solo. Totalizando no máximo 25 minutos de vídeo. (Para cada departamento é diferente. Por exemplo: alguém que queira entrar no departamento de roteiro da Tisch tem que mandar proposta de roteiro, etc.)

Depois desta parte vem o limbo, onde você bate a cabeça na parede e espera a resposta da universidade. Recebi um e-mail sem vergonha numa quarta-feira à tarde dizendo: Congratulations! you have been admitted at Tisch. E em seguida veio uma novela muito pior para conseguir a papelada e o visto...

Vale a pena lembrar que se inscrever numa universidade no exterior é trabalhoso e exige um investimento inicial. São várias pequenas coisinhas que fazem essa inscrição super trabalhosa: desde achar um tradutor juramentado (e pagar a tradução), ir no cartório autenticar papelada, ir milhões de vezes até a UPS, editar o vídeo, traduzir seu currículo para inglês, escrever autobiografia em inglês, etc.
Eu tive ajuda da minha (fada) madrinha com as correções e traduções para o inglês, mas mesmo assim fiquei com os cabelos brancos de tanto escrever em inglês.


2-Vc pensou em outras faculdades, tipo Boulder em Colorado?

Eu me inscrevi em quatro universidades (por ordem de interesse): NYU, Calarts, Sarah Lawrence e Colorado university at Boulder. Fui admitida na NYU e na Sarah Lawrence, e optei pela primeira.
Mas tem outras boas universidades por aqui que eu só descobri agora. Se alguém tiver interesse eu posso me informar melhor e passar os nomes/sites.


4- Vc teve que fazer TOEFL? Foi dificil? Vc indica algum lugar aqui no Brasil pra fazer?

O TOEFL é a menor das suas preocupações. Você paga, marca a data e vai lá (tem vários pontos em Campinas) e faz a prova. É uma mesma prova que é oferecida em diversos lugares. É só dar uma olhada no site deles que é bem explicadinho. A prova é chata, demora 5 horas, mas é possível. Para os cursos de mestrado em geral você precisa tirar pelo menos 80 (em 120). No MFA da NYU e na SL não especificaram quanto eu precisava tirar. Para Colorado University a nota mínima era 68 (eu acho) e Calarts era 100. (Eu tirei 99..)

5- Como está aí? Morando sozinha? Vc acha que vale a pena?

Morando no convento... veja post anteriores.

Faço aula e ensaio das 8hs- 22hs.
É sem súvida a melhor coisa que já fiz na minha vida.
Amo a TSOA. É o melhor curso que já fiz, com as pessoas mais talentosas que já vi. Me sinto honrada todo dia de poder estar aqui.
Por mim esse seria meu futuro. Amo NY, a riqueza cultural e artística desta cidade. A liberdade de expressão. Por mim morava aqui para sempre. Mas irei aonde a vida me levar.

Mas não é fácil. A solidão o skype ajuda a resolver. Mas o nervoso financeiro de viver numa cidade onde se gasta muito, com colegas de curso que têm sobrando e tendo que fugir de sair com outras pessoas porque não tenho condição de gastar U$30 em um jantar é de fato terrível.

E fora isto tem a saudade de falar Português... essa dói muito. No começo só falava português por skype, mas dá uma ânsia gigantesca não ter ninguém de carne e osso com quem se comunicar verdadeiramente.
Agora já estou mais tranquila com o inglês, mas é muito difícil se espressar em inglês totalmente. É horrível porque por mais que você estude inglês, quando você chega aqui tem palavras ridículas que fazem uma falta enorme e te bloqueiam.


6- Por último, podemos ir mantendo contato?

Tenho o maior prazer em responder essas coisas. Foi muito difícil para mim chegar aqui e sinto que tive que desbravar muita coisa sem ajuda de ninguém. Me sinto útil se eu puder ajudar outras pessoas mostrando meu caminho!

Monday, November 8, 2010

Múmias, mitos e samurais.




Ontem andei polo Egito, pela mesopotâmia e pela Grécia.
Lembrei dos mitos, dos heróis e dos monstros.
Senti medo ao ver samurais.
E não pude encarar uma múmia por muito tempo, senti que ela ia se mexer.
Passeei pelo rebuscado da corte francesa.
Me deparei com a moça do brinco de pérola do Veermer, enquanto eu corria do Andy Warhool aos manuscritos chineses.




Me curvei ante a grandiosidade da cultura chinesa.




Quis tirar meu sapato e andar silenciosamente ao passar pelo Japão.
Lembrei da mãe ao ver instrumentos de todas as partes do mundo.




Observei por longo tempo meu amigo Pollock e finalmente fez sentido tanto risco, preto e branco.
Me emocionei sozinha ao me dar conta da grandiosidade e diversidade do mundo.
É sempre bom relembrar, não?
Andei no meu tempo, ficando mais tempos em alguns lugares do que em outros.



Passei quatro horas no Metropolitan.









E aí eu fiquei muito triste.
Muito triste pelo fato que meu país não dá valor nem a sua própria cultura, quanto mais a de outros países.
E não vai dizer que é falta de verba.
É sim falta de cultura.
Falta de amor pela arte.
Falta de amor pelas obras que são nosso patrimônio.

Precisamos de museus.
Precisamos valorizar e compreender outras culturas ( e a nossa também!)

Cadê a iniciativa do poder público? Será que nossos governos só servem para roubar?
E cadê a iniciativa privada?
Eu acredito que uma pessoa com a intenção certa pode fazer a diferença.

Deixa eu ganhar na mega-sena pra vocês verem...
(nunca vou ganhar... porque nunca jogo)

Mas quem sabe um dia.

Saturday, November 6, 2010

Drop da madrugada muito inútil

Percebi que já me acostumei a morar aqui quando:

durmo entre as paradas do metrô
olho o weather channel pelo menos 6 vezes por dia
fico extremamente feliz quando está 8°C porque posso sair só de jeans e dois casacos
penso em inglês
encontro pessoas conhecidas andando pelo central park e no metrô
quando ando extremamente fashion....
ou extremamente brega... e ninguém tem nada com isso
quando me irrito com turistas
quando encontro brasileiros espalhafatosos e finjo que não sei falar Português
(não é por mal... amo o meu país, mas não gosto da postura de algumas pessoas)


Mas ainda não me acostumei a:

virar a chave da porta sempre para o lado errado
(nunca comentei isso aqui: vcs não imaginam como é irritante virar a maçaneta para o lado contrário... E virar a chave para trancar a porta na direção que eu giraria para abrir)

Estava muito mau humorada com o horário de verão do Brasil que me fez ficar duas horas de distância dos meus amados...
Mas agora estou possessa com o horário de inverno daqui.

A partir de amanhã Brasil e NY ficam com 3hs de diferença.

Monday, November 1, 2010

Assustador.


Aqui no oitavo andar,
de frente para o Washington Square Park
com uma vista linda da cidade ensolarada.
e fria,
escrevo a vcs:

Mãe, pai, irmão e irmã.
Noivo.
Minha best.
Meus 10 amigos velhos de guerra
Minhas 4 ou 5 alunas, filhotas.
Minhas 2 ou 3 amigas de facul que ainda falam comigo.
Minhas tias.
Alguns amigos mais distantes entusiastas da minha viagem.

Vem cá?
Descobri este aplicativo do blogger que mostra as estatísticas de visualizações do meu blog.
To passada.

Brasil
2.640
Estados Unidos
703
Ucrânia
53
Canadá
35
Alemanha
23

Só citando os 5 primeiros...
Eu hein...
A internet é assustadora

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