Tuesday, May 3, 2011

De Cinderela à gata borralheira

Pois é.
Estive ausente do blog mas foi por um bom motivo.
Meu espetáculo de CC&D foi excelente. Estou muito orgulhosa tanto como coreógrafa quanto bailarina.

Minha coreografia com a Lauren e a Shuhan foi absolutamente a única feliz e humana do espetáculo, porque todo o resto era bem dark. Dei conta de dançar com um elenco estrelado e fazer o papel principal. Tiveram alguns problemas pelo caminho, fiquei nervosa, a pressão nos meus ombros era grande e fico chateada porque eu quase morri dando o máximo de mim, sangrei, fiquei roxa, e mesmo assim tive que ouvir poucas e boas. Mas sinceramente, é engrandecimento de caráter. No final das contas eu aprendo sempre que tipo de coreógrafa e de pessoa eu quero ser.

Quase morri tentando fazer meu trabalho da Mary Wigman nos últimos dias.
Depois de uma maratona de espetáculos na última semana eu passei o domingo inteiro na frente do laptop, rangendo os dentes, roendo as unhas e arrancando os cabelos. 18 páginas depois eu andei um pouco no meu trabalho. Mas mesmo assim estava uma porcaria.

Ontem, segunda-feira eu tive a famosa audição da Sra Azsure Barton.
Como eu vinha pesquisando o trabalho dela eu já sabia o que esperar. E não me surprendi.
Óbvio que ela era estrelada e a sequência que tivemos que aprender foi o cão chupando manga.
Minhas colegas não gostaram tanto, acharam meio Jazzística, com uma contagem em 6 que era o terror.

Perna na orelha, contração. Se joga no chão e fica de pé de novo. Dá um sorriso e tchauzinho e então se estapeia no rosto. Mas eu gostei. Acho que há 1 ano atrás se eu chegasse perto de fazer esta audição eu enfartava só de medo. Mas eu ando bem mais segura e feliz com meu trabalho.

Foi uma audição difícil, mas fiz o meu melhor. E já valeu porque deu para aprender um pouco do estilo e de trechos do repertório da coreógrafa. Infelizmente eu acho que como a decisão final depende da somatória da escolha do coreógrafo, mais a decisão do chefe de departamento é bem difícil que eu consiga cair na coreografia dela. Mas vou continuar desejando. E se não der, paciência.

E então com este peso a menos na minha cabeça estava feliz e pronta para dar continuidade na minha escrita de trabalho quando me toquei que esta semana eu estou teching o Showing V. Ou seja, minha função é varrer o linóleo, passar pano. Ficar com o headphone nas coxias, abrir e fechar as cortinas do saik. No teatro que eu tava no centro há três dias atrás, hoje eu estou limpando o chão. Vai dizer se formação acadêmica americana em artes, não é bem democrática? De cinderela à gata borralheira.

Sem tempo, sem comida, com a bateria do meu lap off, e meu celular sem crédito. Fiquei entrando em pânico, torrando meu tempo precioso das 7 até às 11:05. Quando repararam que eu estava quase enfartando me liberaram.

Chorando (para variar) cansada, com fome, corri rezando para pegar o metrô rápido. Vocês lembram que o convento fecha e elas me trancam para fora? O horário é até as 11:30.
O metrô parou na minha estação às 11:25. E o trajeto a pé que geralmente leva de 15 a 20 minutos eu fiz em 7. Tinha uma freirinha me esperando. E eu fui a última a entrar.

Sem terminar meu trabalho, em pânico total, sem comida em casa porque não tive tempo de fazer compras, eu skypiei o noivo e chorei as pitangas. O cansaço era tanto que nem dormir eu conseguia.

Alguma hora da madrugada eu apaguei. E hoje acordei as 6 da manhã, ligada no 220. E terminei meu trabalho.

O dia foi relativamente mais calmo, e agora eu to finalmente começando meu trabalho final de música que é para depois de amanhã. Me preparei melhor e fiz um farnelzinho para aguentar a maratona de tempo inútil no teatro. Trabalho obrigatório para passar na discplina de produção: basta fazer parte da produção de um dos concertos do curso a cada ano.

Agora estou mais animada e na reta final.

Eu sempre me impressiono com as semanas de final de semestre. Sabe aquela semana da sua vida que você pensa: é desta vez... é nesta semana que eu vou morrer e que não vou aguentar.
Mas surpreendentemente, ano após ano, minhas semanas cabalísticas de final de semestre ( e de meio de semestre também) sempre viram passado. E eu sempre saio viva.

Em oito dias eu vou ter oficialmente meio mestrado... =)

Dear Mary Wigman

Dear Mary Wigman,

You have been present in my life in the last three months, and sometimes you were an inspiration, and in others you almost lead me to my death.
I was overwhelmed with your ideas and your dance.
I didn't sleep well after seeing your witch dance in an old film roll, and your pastoral was indeed full of joy.
But, from all your solos that I had the opportunity to watch, Summer Dance was my favorite. And reading your book I discovered that that solo was your favorite from that cycle too!
Funny how this things happens, isn't it?
I was amazed to see how you could make such simple movements filled with tension and meanings.
And then I saw Totenmal, or at least, a small excerpt from it. Are those images real? So sad, creepy... and full of grieve. Why were you so obsessed with facing the death?
But I'm not one who can imagine what it was like to live in Germany before, during and after war. Nazism. Sad memories.
Well... not that things are great now.
People still kill each other for no reason. Politicians do whatever they want and we all have to survive within others people decisions.
And we artists sill struggle to survive.
But our passion for dance remains. There's nothing better in the word than to express emotions and ideas through movement, right?

Anyway, I want to thank you for all the information you gave me this past months, but I truly hope that you'll never drive me crazy again, ok?

I'm glad to say that I finally finished my paper and I can sleep again.
Hopefully I would not dream with totenmal...

Dear Mary.... You fought with the idea of dying so much, and I'm glad to tell you that you're very alive in our memories trough your art.

Sincerely,

Carol.



Thursday, April 28, 2011

Sempre Gabriela.

Por que o meu irmão ainda não inventou o teletransporte?
Desde pequeno ele dizia isso. E até agora nada.

Hoje é o aniversário da minha irmã.
E eu to aqui, sem poder dar um abraço nela.

Poxa, é muito difícil esta história de ficar longe de todos que a gente mais ama.
Todo dia dói.
Mas aniversários doem mais.

Olhando para trás eu vejo que eu passei todos os aniversários do último ano longe daqueles que mais amo.

Primeiro minha mãe, depois meu irmão e meu noivo em Outubro.
Então em Dezembro eu passei o meu e o do meu pai longe. (Se bem que não conta tanto, por que eu peguei o avião dois dias depois e matei a saudade).

Mas agora veio o da Gabi, e me faz refletir sobre toda esta distância, o quanto cada segundo com aqueles que amamos é precioso, o quanto eu amo a minha irmã e quanto sou grata por ela fazer parte da minha vida.

Hoje em via vejo tantos irmãos que brigam tanto, tanta gente que nasceu e cresceu junto, mas que depois se separa, distancia, e vive como se não fossem irmãos, ou como se sequer se importassem um com os outros.

E eu sou abençoada de ter a melhor irmã do mundo, e o melhor irmão também.

Sempre fui muito ciumenta. Imagina? Primeira filha, neta e sobrinha, toda poderosa, seis anos de supremacia na família. Até que veio meu irmão. Foi o fim para mim naquela época, criança mimada perdendo o trono.

Que bom que a gente cresce.

Mas demorou. E quando a Gabi nasceu eu fiquei pior ainda. Morria de raiva da Gabi. Não entendia aquela bebê chorona, que já era cheia de decisão desde cedo.

E quando a bebê Gabi foi se tornando uma criança então? Brigava muito com ela. Parei de pegar tanto no pé do meu irmão e era com a Gabi que eu não me dava. Tadinho, irmão do meio esmagado entre a primeira filha mandona e a caçula dona das atenções.

Mas os anos passam. E os impulsos infantis vão se esvaindo e dando lugar ao caráter verdadeiro de cada personalidade.

E então, só depois que eu resolvi virar uma pessoa menos ciumenta e aprendi a amar é que eu conheci meus irmãos.

E no Lucas, eu conheci uma inspiração, calma, inteligência, paciência, silêncio e riso.

E na minha irmã, a Gabiroba eu descobri esta companheira. Cheia de poesia, sapateadora incansável, apaixonada, cheia de emoção e com mais lágrimas do que deveria.

E na Gabi mora o sorriso mais bonito que existe no mundo. Tenho por ela um amor de irmã, mas muitas vezes meio de mãe, quase como se ela fosse meu bebê. E é assim que eu as vezes a chamo.

Bom tem tantas coisas. Posso ficar o dia inteiro escrevendo, me emocionando, cavando nos meus miolos que não sabem achar palavras direito, para explicar todos os motivos que tornam minha irmã especial e o quanto a amo.

Mas estou aqui, sem teletransporte, atrasada para a aula.

E só queria mesmo dar um abraço na minha irmã e desejar um feliz aniversário.

16 anos de Gabi na minha vida. Amém.

E o meu maior desejo é estar Sempre ao lado de Gabriela.

Te amo Gabi.

Tuesday, April 26, 2011

Roxos.

Tá. Não deu.
Eu não acabei o trabalho da miss MW mas não aguentei e vou ter que fazer um relato por aqui.
To cansada, destruída, com roxos, pé, cotovelo e ombro sangrando.
Mas to feliz.

Na coreografia da Cecilia e da Suzanne, estou dançando provavelmente o trabalho com o elenco mais forte que eu já dancei na minha vida.
Elas conseguiram alguns bailarinos que não são deste mundo, e apesar de ser muita pressão dançar com os melhores bailarinos da Tisch (literalmente, eles já tem companhias brigando por eles!) eu agora estou mais tranquila e fazendo o meu papel.

O único problema é que a coreografia é bem violenta. Por isso que eu sempre acabo sangrando
em algum lugar novo.

Resumo da ópera: somos todos seres de um mundo pós apocalíptico, fadados a maldade. Um dominando e subjugando o outro. Mas eu sou mais boazinha. (Mais ou menos... nem tanto). Aí eu tenho um cinto de escalada que é ligado ao cinto de um outro menino. A gente dança junto, todo mundo entra no meio da história e bate bastante em mim. Eu me jogo de costas de cabeça no chão e rezo para a menina lembrar de segurar minha cabeça antes dela bater no chão.

Então meu partner me arrasta pelo chão puxando pela corda. Eu fico possessa. "Bato"em todo mundo. Vou para um item do cenário, escalo e fujo.

Fim da coreografia.

Mas os melhores são as caras e bocas.

O figurino é doidão e a maquiagem bem assustadora. Mas eu me divirto até. Sou super impulsiva, e sou péssima de fazer algo muito pré-estabelecido, e como a coreografia foi feita envolta do que eu conseguia fazer com o cinto de escalada, tudo tem um caráter de improviso e bem natural.

Se a minha mãe tivesse na platéia ela ia enfartar. (É que dá a ligeira impressão que eu vou morrer durante a coreografia).
Meu pai... não sei bem se ele ia gostar de algumas partes... Ele provavelmente ia ter a certeza que a filha dele veio para NY e pirou de vez.
Meu noivo ia amar.


Saturday, April 23, 2011

Witch Dance

Ai Mary Wigman, você e sua obsessão pelo creepiness.
Além de ter feito o maior número de coreografias relacionadas a morte, você está agora levando ao meu fim.
Tenho que escrever sobre suas coreografias, de um ponto de vista neutro e comparar com os seus escritos sobre cada uma destas coreografias.
E depois tem que sair a minha conclusão dizendo sobre a sua estética, o caráter temático da sua dança e etc.
Dramática, expressiva e com uma dose de insanidade.
Um tanto quando self-centered se eu posso ser ousada e te dizer a verdade.


Só volto a escrever aqui quando este trabalho sair.

Mary Wigman: you are going down today. Oh yeah.

Wednesday, April 20, 2011

Counting down...

Faltam:

6 dias para eu entregar meu trabalho da Mary Wigman - que não está nem perto de estar pronto.

8 dias para a apresentação de CC&D - que terminamos a coreografia ontem. Amém.

7 dias para eu apresentar meu solo - que está terminado.

12 dias para a audição da Aszure Barton

15 dias para entregar meu trabalho final de música. (Óbvio que eu nem comecei)

22 dias para minha prova final de música e para o fim do meu primeiro ano de mestrado.
(Meu Deus o tempo voa)

32 dias para o avião pousar, eu pisar na minha terra e abraçar meus amados. ( E chorar, é claro.)

76/79 dias para eu mudar a aliança de mão

120 dias para eu voltar para cá.

...

Ai tempo

Você é tão esquisito.
Não sei se eu gosto muito de você.
Você vive me torrando as paciências.
Gostaria de acelerar algumas coisas,
que outras nunca chegassem
E que algumas coisas durassem para sempre.

meio assim, partido.

Tem alguma beleza indescritível
ver
nas árvores da cidade
as flores brancas nasceram
e
agora
brotar folhas de um verde claro.

Eu sinto dia-a-dia
o tempo
vagarosamente esquentando.
As estações são algo determinante por aqui.
Eu que adoro clamar que eu não fico doente nunca
tenho sofrido de uma dor de garganta
e tosse
faz uns 4 dias.

Não sei porque
eu gosto de escrever assim
partido.

Deve ser porque eu sou meio
fragmentada.

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