Thursday, April 28, 2011

Sempre Gabriela.

Por que o meu irmão ainda não inventou o teletransporte?
Desde pequeno ele dizia isso. E até agora nada.

Hoje é o aniversário da minha irmã.
E eu to aqui, sem poder dar um abraço nela.

Poxa, é muito difícil esta história de ficar longe de todos que a gente mais ama.
Todo dia dói.
Mas aniversários doem mais.

Olhando para trás eu vejo que eu passei todos os aniversários do último ano longe daqueles que mais amo.

Primeiro minha mãe, depois meu irmão e meu noivo em Outubro.
Então em Dezembro eu passei o meu e o do meu pai longe. (Se bem que não conta tanto, por que eu peguei o avião dois dias depois e matei a saudade).

Mas agora veio o da Gabi, e me faz refletir sobre toda esta distância, o quanto cada segundo com aqueles que amamos é precioso, o quanto eu amo a minha irmã e quanto sou grata por ela fazer parte da minha vida.

Hoje em via vejo tantos irmãos que brigam tanto, tanta gente que nasceu e cresceu junto, mas que depois se separa, distancia, e vive como se não fossem irmãos, ou como se sequer se importassem um com os outros.

E eu sou abençoada de ter a melhor irmã do mundo, e o melhor irmão também.

Sempre fui muito ciumenta. Imagina? Primeira filha, neta e sobrinha, toda poderosa, seis anos de supremacia na família. Até que veio meu irmão. Foi o fim para mim naquela época, criança mimada perdendo o trono.

Que bom que a gente cresce.

Mas demorou. E quando a Gabi nasceu eu fiquei pior ainda. Morria de raiva da Gabi. Não entendia aquela bebê chorona, que já era cheia de decisão desde cedo.

E quando a bebê Gabi foi se tornando uma criança então? Brigava muito com ela. Parei de pegar tanto no pé do meu irmão e era com a Gabi que eu não me dava. Tadinho, irmão do meio esmagado entre a primeira filha mandona e a caçula dona das atenções.

Mas os anos passam. E os impulsos infantis vão se esvaindo e dando lugar ao caráter verdadeiro de cada personalidade.

E então, só depois que eu resolvi virar uma pessoa menos ciumenta e aprendi a amar é que eu conheci meus irmãos.

E no Lucas, eu conheci uma inspiração, calma, inteligência, paciência, silêncio e riso.

E na minha irmã, a Gabiroba eu descobri esta companheira. Cheia de poesia, sapateadora incansável, apaixonada, cheia de emoção e com mais lágrimas do que deveria.

E na Gabi mora o sorriso mais bonito que existe no mundo. Tenho por ela um amor de irmã, mas muitas vezes meio de mãe, quase como se ela fosse meu bebê. E é assim que eu as vezes a chamo.

Bom tem tantas coisas. Posso ficar o dia inteiro escrevendo, me emocionando, cavando nos meus miolos que não sabem achar palavras direito, para explicar todos os motivos que tornam minha irmã especial e o quanto a amo.

Mas estou aqui, sem teletransporte, atrasada para a aula.

E só queria mesmo dar um abraço na minha irmã e desejar um feliz aniversário.

16 anos de Gabi na minha vida. Amém.

E o meu maior desejo é estar Sempre ao lado de Gabriela.

Te amo Gabi.

Tuesday, April 26, 2011

Roxos.

Tá. Não deu.
Eu não acabei o trabalho da miss MW mas não aguentei e vou ter que fazer um relato por aqui.
To cansada, destruída, com roxos, pé, cotovelo e ombro sangrando.
Mas to feliz.

Na coreografia da Cecilia e da Suzanne, estou dançando provavelmente o trabalho com o elenco mais forte que eu já dancei na minha vida.
Elas conseguiram alguns bailarinos que não são deste mundo, e apesar de ser muita pressão dançar com os melhores bailarinos da Tisch (literalmente, eles já tem companhias brigando por eles!) eu agora estou mais tranquila e fazendo o meu papel.

O único problema é que a coreografia é bem violenta. Por isso que eu sempre acabo sangrando
em algum lugar novo.

Resumo da ópera: somos todos seres de um mundo pós apocalíptico, fadados a maldade. Um dominando e subjugando o outro. Mas eu sou mais boazinha. (Mais ou menos... nem tanto). Aí eu tenho um cinto de escalada que é ligado ao cinto de um outro menino. A gente dança junto, todo mundo entra no meio da história e bate bastante em mim. Eu me jogo de costas de cabeça no chão e rezo para a menina lembrar de segurar minha cabeça antes dela bater no chão.

Então meu partner me arrasta pelo chão puxando pela corda. Eu fico possessa. "Bato"em todo mundo. Vou para um item do cenário, escalo e fujo.

Fim da coreografia.

Mas os melhores são as caras e bocas.

O figurino é doidão e a maquiagem bem assustadora. Mas eu me divirto até. Sou super impulsiva, e sou péssima de fazer algo muito pré-estabelecido, e como a coreografia foi feita envolta do que eu conseguia fazer com o cinto de escalada, tudo tem um caráter de improviso e bem natural.

Se a minha mãe tivesse na platéia ela ia enfartar. (É que dá a ligeira impressão que eu vou morrer durante a coreografia).
Meu pai... não sei bem se ele ia gostar de algumas partes... Ele provavelmente ia ter a certeza que a filha dele veio para NY e pirou de vez.
Meu noivo ia amar.


Saturday, April 23, 2011

Witch Dance

Ai Mary Wigman, você e sua obsessão pelo creepiness.
Além de ter feito o maior número de coreografias relacionadas a morte, você está agora levando ao meu fim.
Tenho que escrever sobre suas coreografias, de um ponto de vista neutro e comparar com os seus escritos sobre cada uma destas coreografias.
E depois tem que sair a minha conclusão dizendo sobre a sua estética, o caráter temático da sua dança e etc.
Dramática, expressiva e com uma dose de insanidade.
Um tanto quando self-centered se eu posso ser ousada e te dizer a verdade.


Só volto a escrever aqui quando este trabalho sair.

Mary Wigman: you are going down today. Oh yeah.

Wednesday, April 20, 2011

Counting down...

Faltam:

6 dias para eu entregar meu trabalho da Mary Wigman - que não está nem perto de estar pronto.

8 dias para a apresentação de CC&D - que terminamos a coreografia ontem. Amém.

7 dias para eu apresentar meu solo - que está terminado.

12 dias para a audição da Aszure Barton

15 dias para entregar meu trabalho final de música. (Óbvio que eu nem comecei)

22 dias para minha prova final de música e para o fim do meu primeiro ano de mestrado.
(Meu Deus o tempo voa)

32 dias para o avião pousar, eu pisar na minha terra e abraçar meus amados. ( E chorar, é claro.)

76/79 dias para eu mudar a aliança de mão

120 dias para eu voltar para cá.

...

Ai tempo

Você é tão esquisito.
Não sei se eu gosto muito de você.
Você vive me torrando as paciências.
Gostaria de acelerar algumas coisas,
que outras nunca chegassem
E que algumas coisas durassem para sempre.

meio assim, partido.

Tem alguma beleza indescritível
ver
nas árvores da cidade
as flores brancas nasceram
e
agora
brotar folhas de um verde claro.

Eu sinto dia-a-dia
o tempo
vagarosamente esquentando.
As estações são algo determinante por aqui.
Eu que adoro clamar que eu não fico doente nunca
tenho sofrido de uma dor de garganta
e tosse
faz uns 4 dias.

Não sei porque
eu gosto de escrever assim
partido.

Deve ser porque eu sou meio
fragmentada.

Sunday, April 17, 2011

Inspiração - Coreografia


Sempre me perguntam quem são meus coreógrafos favoritos, quem são as minhas inspirações e para quem eu gostaria de dançar. Para falar a verdade ainda estou formando minha opinião.

As minhas referências são reflexo de tudo que já fiz. Então não tenho como negar o peso que o balé clássico tem em mim. Além da minha paixão pelos detalhes inteligentes das coreografias de Bob Fosse.

Amo a insanidade coerente dos trabalhos da Pina Baush. E não poderia deixar de ser influenciada por algumas das grandes companhias de dança do Brasil. Nosso país tem bailarinos com uma musicalidade que nenhum outro lugar tem, e coreógrafos muito bons.




Mas feminista que sou, prefiro trabalho de coreógrafas mulheres. Sempre me irritou o fato que na dança muitas vezes só tem coreógrafos homens. No Brasil temos a Déborah Colker como a única coreógrafa com mais projeção internacional. Apesar dela ser meio mal vista em alguma rodas de dança contemporânea, por ser completamente ligada ao visual, eu adoro os seus trabalhos.




Das coisas que tenho assistido aqui por NY tenho achado coisas interessantes, mas nada que me fez parar de respirar. Exceto um coreógrafo, Doug Varone. Um estilo completamente diferente do que eu normalmente gosto, mas é uma companhia menor, cheia de ex-alunos da Tisch e algo viável para mim. Se bem que estou fazendo aula de técnica com uma professora que dançou na companhia do Doug Varone e na da Trisha Brown por anos, e estou ralando até para entender fisicamente como fazer certas coisas. (Enfim... papo de bailarino)




Além disso vou fazer audição no próximo semestre e estou louca para ser selecionada para dançar no trabalho da coreógrafa Aszure Barton. Mas eu e a torcida do Flamego estamos matando para ser selecionados para dançar com ela, então não sei se eu tenho chances.
Se vocês assistirem abaixo o vídeo tem uma seleção de diferentes trabalhos dela. Inclusive o solo do Baryshnikov que eu assisti no Brasil, há uns 3, 4 anos atrás.






Mas recentemente descobri esta coreógrafa da Hungria chamada Éva Duda, e estou obcecada com o trabalho dela.




Adoro quando alguém consegue abordar algo psicológico, cheio de carga emocional, e manter o apelo estético e físico da dança.


Acho que não adianta eu escrever nada, como já diria o velho ditado: uma imagem vale mil palavras. Todas as imagens de dança deste post são da companhia dela, e foram deliberadamente roubadas do site da companhia:

http://evaduda.net/en/

Lunático by Éva Duda - Este é o trabalho menos violento dela.




Nada se cria tudo se transforma.
Não existe um trabalho que é realmente novo, ou um movimento que nunca foi usado.
Mas tudo é o como.
E as pessoas que dançam tornam algo único.


Tenho fixação por elementos cênicos (props) e cenário. Achei fantástico que a própria Éva Duda cria os cenários de seus trabalhos.







No meu trabalho de conclusão de curso da Unicamp eu explorei um bambu como elemento cênico e de apoio à minha criação. Eu sempre quis, num futuro, tentar desenvolver aquela idéia para uma coreografia de grupo. Mas agora vai ficar difícil, depois de ter visto as fotos e vídeos de Overdose.




WARNING: Este próximo vídeo é o trabalho mais violento, nu e cru que eu já vi. FAUNO.
Óbvio que eu amei. Mas é o lado animal dos seres humanos escancarado.
Chocante. E nos remete a mitologia dos faunos, que não deixa de ser uma criação da mente humana.





Achei este vídeo sem querer no Youtube, e então fui procurar me informar mais sobre o trabalho desta coreógrafa. O que me levou a escrever tudo isto aqui...
(Isto porque, para variar, eu deveria estar escrevendo minhas 10 páginas em inglês sobre a Mary Wigman, mas ao invés disso eu fico pesquisando coreógrafos...)






E no grito. Termino isto aqui.

Monday, April 11, 2011

Sonhando acordada



De manhã cedo já está acordada
Só vive suspirando
Sonhando acordada
...
Ela só quer
Só pensa em casar
Ela só quer
Só pensa em casar

ShareThis