Devaneios artísticos de uma bailarina-coreógrafa vivendo pelo mundo. Pensamentos. Trabalhos. Alegrias e tristezas. Tudo e Nada.
Sunday, February 6, 2011
Friday, February 4, 2011
Quinta-feira

A fruto de curiosidade, eis a minha rotina/ relato da última quinta-feira:
- 6hs Acordar
- 6:45 Café da Manhã (Waffle)
- 7:15 Corre atrasada para o metrô
- 8hs Aula de Pilates
(Isso. Fortalece o centro, ganha força nos braços e fica 50 min fazendo poses esdrúxulas)
- 9hs: Aula de Ballet
(Do pliè até a dor no joelho. Prefiro terça que tenho aula de pas de deux de balé contemporâneo. Na última aula meu partner me jogou na lua, fiquei de cabeça para baixo, girei no ar e voltei a terra desacreditando nas coisas que fiz.)
- 10:45hs: Aula de Contemporâneo
(Não há nada melhor do que superar os limites do corpo.)
- 12:15- 1:30 Ensaio da minha coreografia
(Trabalho, trabalho, trabalho)
- 12:40-1 Appointment no Costume Shop em busca de um figurino.
(Missão impossível.)
- 1:30-3:30 Aula CC&D
(Encontro com os designers para a escolha daqueles que vão fazer o cenário, figurino e iluminação do meu próximo trabalho.)
- 3:30 - 5 Aula de Composição e Improvisação
(Implicações e discussões sobre o espaço. Não o sideral... aquele a nossa volta. Formas de ter um olhar diferenciado e perceptivo.)
- 5:6:30 Aula de música
- 8-9:30 Assisto apresentação do Danspace project (Review em breve)
(Para variar fui de novo assistir um espetáculo de dança na estréia - primeira fila - junto com a imprensa. Nada como estar disponível para fazer companhia para a Deborah Jowitt.
- 10:30 Qualquer jantar e muito skype
- 12hs Boa noite
E tem gente que acha que artista não trabalha.
Quotes - A Revanche
Caros fantasmas,
Venho por meio desta agradecer todos os comentários lindos, emocionantes e invisíveis que vocês tem escrito para mim nos últimos posts.
É realmente reconfortante ter todo este apoio imaginário durante a minha estadia na gringolândia.
Por isso, para divertir vocês - meus amigos imaginários - escrevi mais uma coletânea de quotes de filmes que podem ser faladas durante o dia-a-dia para colaborar com a nossa loucura coletiva!!!
Um grande abraço!
Quando você quer agradar sua esposa:
- Querida! Cheguei. (Família dinossauro)
Quando você está de bom humor em meio à situações adversas:
- Good Morning Vietnã (Filme homônimo)
Quando a coisa está ficando preta:
- There's a storm coming. (A cada 5 filmes blockbusters 4 tem essa fala)
Quando você quer sua mãe e qualquer outro Zé Mané vem dar uma de mãe:
- Não é mamãe, não é mamãe! (Família dinossauro)
Quando você, assim como eu, está longe de casa. E volta e vê o que antes não enxergava.
- There's no place like home. (O Mágico de Oz)
Quando alguém faz algo surpreendente:
- Ladies and Gentleman we have a winner. (Qualquer filme de luta americano)
Quando você (assim como eu) precisa urgentemente de um patrocinador, de uma bolsa ou que a jaboticabeira da sua casa comece a dar dólar:
- Show me the money! (Jerry Maguire)
Quando você olha para aquele seu amigo e vê que vocês se deram mal:
- Can I panic now? (Harry Potter)
Quando o problema é uma simples constatação:
- Houston, we have a problem. (Qualquer filme com presença da Nasa)
Quando tem qualquer coisa caindo:
- Mayday Mayday Mayday. (Nasa)

Quando você quer fazer uma saída em grande estilo, anuncie:
- I'm leaving the building.
Quando você e sua turma baranga ganharem o campeonato de truco:
- We are the Champions. (Tá bom esse é de música. Não vale.)
Quando a sua ida no banco não dá certo, você olha para o caixa com olhar assassino e diz:
- I'll be back. (Exterminador do Futuro 2)
Quando você quer dizer tchau:
- Hasta la vista baby. (Exterminador do Futuro 2)
Comida. De novo.
< 

Bailarino ou fala de dança ou fala de comida.
Hoje almocei alface e uma rodela de tomate. As freiras deram uma decaída no jantar e eu ando na pindaíba.
Tive que esconder meu tupperware das minhas amigas que ficaram passadas com meu almoço ridículo.
E aí eu ando pelo dia frio em busca de um emprego e tomo um starbucks para me manter de pé.
New York is messing up with my health.
Ai seu eu pudesse e meu dinheiro desse:
Tuesday, February 1, 2011
Fruto de Gabirobes
A Gabiroba é um raro fruto da árvore de gabirobes.
Este fruto é meio temperamental e não gosta da mudança de estações.
Este fruto acha que ele só vai crescer se for sempre verão e se ele for adubado com sorvete.
E este fruto tem absoluto pavor de chuva.
a
a

A chuva que vem incomodando, bate nos ombros, turva a visão e faz lágrimas caírem.
Mas essa mesma chuva, alimenta as raízes da planta, que vagarosamente se desenvolve.
E então o fruto de gabirobes irá se transformar em frondosa árvore.
Que mais sabia e mais paciente poderá, por sua vez, dar sombra e alimento para outros frutos.
.....
Tá. Eu não sei inventar história, parábola ou fábula.
Mas o que valeu foi minha intenção.
.....
Queria que meu irmão já tivesse inventado a máquina de teletransporte para eu voltar para o Brasil e dar um abraço em um certo alguém.
Limpar suas lágrimas, ou fazê-la chorar mais.
Dar umas broncas e talvez chorar junto.
E quem sabe eu não pudesse aliviar um pouco desta dor.
Covardia. Ou outra cena de metrô.
Ontem tive um dia excelente.
Depois de tanto sufoco finalmente me tranquilizei e sai do prédio da dança feliz da vida.
Pensando nas coreografias que estou dançando, nas coisas por fazer, nisso e naquilo.
Rumo à minha casa eu entro no metrô.
Pronto.
Fim da alegria.
Dose de realidade.
Boa noite.
Entro pela porta e vejo alguma comoção nos assentos do canto do vagão.
Olho para meu lado e vejo um homem caído no chão.
Um mendigo talvez.
Bêbado? Drogado? Ou doente. Ou com fome.
Em um impulso desagradável aperto o passo
Vou sentar num banco livre no outro canto do trem.
O coração pulsa assustado.
O trem está cheio.
Um bando de estátuas olhando de esguelha.
Percebo que há três mulheres que se encaminham ao homem.
Ele parece morto.
Uma delas diz que ele tem pulso.
Passa uma estação, passa outra, e mais outra.
Aquelas boas pessoas permanecem ali em pé ao lado do homem caído.
Tão assustadas quanto as outras estátuas
Mas procuram levantar o homem, procuram ajuda.
Parada da rua 57 está chegando.
O metrô vai devagar.
A ajuda foi acionada.
Um funcionário do trem entra no vagão.
Todas as estátuas se remexem no banco, de alívio.
O homem vai ser ajudado.
Ainda vejo seus pés, seu dorso.
Seu rosto escondido de frente para o chão.
Chega minha parada.
A estátua aqui se despetrifica e vai embora.
Sai olhando para trás. Desesperada. Chocada e triste.
Covarde. E sem saber o que aconteceu.
Cena de Metrô
O Metrô é sempre fonte de pesquisa e reflexão.
Onde tantas pessoas se cruzam.
Tantas vidas passageiras.
Sem prestar atenção um no outro.
Curiosa que sou.
Gosto de observar como os corpos se equilibram no vaivém.
Quando acelera, quando se freia.
Agora o chão está sempre molhado das galochas sujas de neve e sal.
Pessoas lutam para se equilibrar.
Alguns olham para baixo e outros vagamente percebem o seu redor.
O espaço às vezes e apertado e às vezes não.
Os celulares são os melhores amigos das mãos que procuram matar o tempo.
Alguns corpos desfalecem cansados.
E eu também aprendi a dormir entre as paradas.
E o que era novo se torna rotina.
As cenas passam despercebidas.
Os Mariachis continuam me perseguindo pela linha N e R.
As pessoas pedem dinheiro e eu sou só mais uma estátua que não faz nada.
Mas aqui e ali uma cena prende minha atenção.
E lá estou eu de novo com caraminholas na cabeça.
Me perguntando "Por que"?
Dia da tempestade de neve.
Crianças empacotadas de casaco para todo lado.
Olhando para minha frente à direita havia essas duas mulheres com três crianças.
Todas as crianças pequenas e falantes.
Casacos coloridos.
E prancha para escorregar na neve.
Provavelmente a caminho do Central Park.
As mulheres conversavam animadamente e as crianças seguiam o exemplo.
Já na minha esquerda havia uma mulher e seu filho.
A mesma idade das outras crianças.
Negros. Pobres. Sofridos.
E silenciosos.
A mulher de semblante tenso
puxava o casaco de moleton fininho do garotinho.
Que insistia em brincar silenciosamente
tamborilando seus dedinhos atentos pelo assento do banco.
E eu olhava para a direita e para a esquerda.
E um nó subia pela garganta.
Essas vidas acabaram de se cruzar.
Mas não sabem disso.
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